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Por que bocejamos? Entenda o que a ciência já descobriu



Por que bocejamos? Entenda as principais hipóteses da ciência sobre sono, alerta, temperatura cerebral e o curioso bocejo contagioso.



Pessoa boceja durante uma pausa entre exercícios na academia.

O bocejo é uma daquelas ações tão comuns que quase nunca paramos para pensar sobre ela. Acontece quando estamos com sono, durante uma reunião entediante, ao acordar e, às vezes, até no meio de uma atividade que exige concentração.

Mais curioso ainda: basta ver outra pessoa bocejando para surgir a vontade de fazer o mesmo.

Mas por que isso acontece?

A ciência ainda não tem uma explicação única. Pesquisas apontam para uma combinação de mecanismos neurológicos, fisiológicos e sociais. Uma revisão publicada em 2025 descreve o bocejo como um comportamento complexo, relacionado a estados de alerta, termorregulação e interação social.

E algumas das explicações mais populares sobre o fenômeno não resistiram completamente às pesquisas.


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Bocejar não significa simplesmente estar com sono

É verdade que o bocejo aparece frequentemente próximo dos períodos de sono.

Ele pode ocorrer antes de dormir, ao acordar e em momentos de baixa atividade. Por isso, durante muito tempo, pesquisadores associaram o comportamento principalmente à sonolência.

Mas o fenômeno é mais amplo.

O bocejo também pode aparecer durante mudanças no nível de alerta, em situações de tédio e em determinados momentos de tensão. Uma revisão clássica sobre o tema concluiu que as evidências não sustentam uma explicação simples baseada apenas em sonolência ou oxigenação.

Ou seja, bocejar não é simplesmente o corpo avisando que está na hora de dormir.

É verdade que bocejamos para colocar mais oxigênio no corpo?

Essa é provavelmente uma das explicações mais conhecidas — e também uma das que perderam força.

Durante muito tempo, acreditou-se que o bocejo acontecia porque o organismo precisava de mais oxigênio ou precisava eliminar dióxido de carbono.

As pesquisas, porém, não encontraram evidências suficientes para sustentar essa hipótese como explicação principal.

Uma revisão publicada no Neuroscience & Biobehavioral Reviews destacou justamente que as teorias respiratórias não apresentam evidências convincentes para explicar a função do bocejo.

O movimento envolve uma inspiração profunda, mas isso não significa que sua principal função seja “oxigenar o cérebro”.

E a história de que o bocejo esfria o cérebro?

Essa é uma das hipóteses mais interessantes.

Pesquisadores propuseram que o bocejo poderia participar da regulação da temperatura cerebral. A ideia é que a inspiração profunda e o movimento associado ao bocejo contribuam para alterações na temperatura e no estado de alerta.

Alguns experimentos encontraram resultados compatíveis com essa hipótese. Um estudo com 120 pessoas, por exemplo, observou diferenças na frequência de bocejos conforme a temperatura ambiente, resultado interpretado pelos autores como compatível com uma possível função de termorregulação.

Mas é importante não transformar essa hipótese em fato definitivo.

A função exata do bocejo continua sendo debatida, e revisões diferentes chegaram a conclusões distintas sobre a força das evidências para a explicação termorregulatória.

O bocejo também envolve o cérebro

O movimento não acontece de maneira aleatória.

A revisão de 2025 descreve o envolvimento do hipotálamo e do tronco cerebral na regulação do comportamento, além da participação de diferentes neurotransmissores.

Durante um bocejo, vários músculos trabalham simultaneamente, incluindo estruturas da face, mandíbula e região do pescoço.

Por isso, apesar de parecer um movimento extremamente simples, ele envolve uma sequência coordenada de ações.

Por que o bocejo é contagioso?

Aqui está uma das partes mais curiosas.

Ver alguém bocejar pode fazer outra pessoa bocejar.

Ouvir falar sobre bocejo pode até ser suficiente para despertar a sensação — e talvez você esteja começando a bocejar enquanto lê esta matéria.

Pesquisas com neuroimagem já mostraram que observar um bocejo provoca atividade em regiões cerebrais associadas ao processamento de sinais sociais.

O chamado bocejo contagioso é observado em humanos e também em outros animais sociais.

Uma revisão de 2022 encontrou evidências de que pessoas podem apresentar bocejo contagioso até diante de estímulos de diferentes espécies.

Isso significa que o bocejo revela empatia?

É preciso ter cuidado com essa conclusão.

Uma hipótese bastante divulgada relaciona o bocejo contagioso à empatia e à capacidade de compartilhar estados emocionais.

Entretanto, as evidências não são suficientes para afirmar que uma pessoa que boceja depois de outra necessariamente é mais empática.

Uma análise publicada na Neuroscience & Biobehavioral Reviews apontou que a relação entre contágio emocional e bocejo contagioso não está estabelecida de maneira sólida e que atenção e capacidade de perceber o bocejo podem ter papel importante.

Portanto, não dá para usar o bocejo contagioso como um “teste de empatia”.

Por que bocejamos quando estamos entediados?

Essa também é uma situação frequente.

Uma reunião longa, uma aula monótona ou um momento de espera podem ser acompanhados por bocejos.

A relação provavelmente está ligada às mudanças no nível de alerta.

O bocejo pode aparecer durante períodos em que a pessoa passa de um estado de maior atenção para outro de menor ativação. A revisão de 2025 cita justamente alerta, sonolência e outros estados comportamentais entre os fatores relacionados ao fenômeno.

Isso ajuda a explicar por que o bocejo pode surgir mesmo quando não estamos necessariamente com sono.

E durante o esporte?

O fenômeno também pode aparecer antes ou durante atividades físicas.

Um atleta pode bocejar enquanto se prepara para uma competição, durante uma espera ou em um momento de concentração.

Isso não significa automaticamente cansaço ou falta de preparo.

O contexto importa.

Se a pessoa está descansada e o bocejo acontece ocasionalmente, ele pode simplesmente fazer parte do funcionamento normal do organismo. Já bocejos excessivos associados a sonolência intensa ou outros sintomas merecem atenção.

Quando o bocejo pode ser sinal de alguma coisa?

Bocejar é normalmente um comportamento fisiológico.

Entretanto, a frequência excessiva pode aparecer associada a determinadas condições clínicas. A revisão publicada em 2025 observa que o bocejo excessivo pode estar relacionado a condições neurológicas ou sistêmicas e, quando é persistente ou acompanhado de outros sintomas, pode justificar investigação médica.

Isso não significa que um dia de muitos bocejos seja motivo para preocupação.

Sono insuficiente, rotina cansativa e mudanças no horário de descanso podem influenciar a frequência do fenômeno. O Ministério da Saúde destaca que sono insuficiente e alterações do sono podem ter diferentes causas e consequências para a rotina.

Afinal, por que bocejamos?

A resposta mais honesta é: a ciência ainda não sabe completamente.

Existem evidências relacionando o bocejo a mudanças no estado de alerta, ao ciclo sono-vigília, à termorregulação e a mecanismos sociais. Entretanto, nenhuma dessas explicações, isoladamente, responde a todas as situações em que bocejamos.

Talvez seja justamente isso que torne o fenômeno tão interessante.

Um movimento que fazemos dezenas de vezes ao longo da vida continua escondendo perguntas para a ciência.

E existe uma última curiosidade: se você chegou até aqui sem bocejar, provavelmente está em uma minoria — porque falar sobre bocejo pode ser suficiente para fazer o cérebro lembrar que ele existe.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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