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remo claudia santos paralímpico

Tóquio 2020

Seleção de remo paralímpico treina em SP na água e com simulador de barco

Primeiro encontro da seleção de remo paralímpico após a interrupção das atividades causada pela pandemia de Covid-19 dura até dia 3 de março

A remadora Cláudia Santos, da classe PR1, durante treino da Seleção Brasileira na raia da USP (Ale Cabral/CPB)

Seleção de remo paralímpico treina em SP na água e com simulador de barco

A Seleção Brasileira de remo paralímpico foi mais uma equipe nacional a retornar ao Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, para a realização da primeira fase de treinamentos no local após a interrupção das atividades causada pela pandemia de Covid-19 no ano passado. Os remadores ficarão concentrados no CT até o próximo dia 3 de março.

Para o período, foram convocados 12 atletas que têm cumprido um cronograma de treinos que contemplam duas sessões no período da manhã na raia olímpica do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP), com distâncias de até 20 km, e treinos de musculação três vezes por semana.

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Além do desempenho nos treinos na água, a comissão técnica brasileira tem realizado avaliações em um aparelho chamado remoergômetro, que simula a prática do remo em um barco e é utilizado para verificar a capacidade fisiológica dos atletas.

“Os campeonatos não aconteceram em 2020 devido à pandemia, e o remo paralímpico carece bastante de competição. Estamos com uma equipe com atletas que compõem todas as classes da modalidade e, com isso, temos conseguido estimular simulações de competições entre eles. Acreditamos, assim, que vamos elevar o nível de competitividade no geral da equipe”, explicou Guilherme Soares, coordenador técnico da Confederação Brasileira de Remo (CBR).

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Para ele, este e os próximos períodos de atividades no CT Paralímpico vão ser importantes para colocar os atletas brasileiros em condições de disputar medalhas com os principais países concorrentes nos Jogos de Tóquio, como Inglaterra, Austrália, França, Itália e Holanda.  

O atleta do remo paralímpico Michel Pessanha, de pele negra e cabelo curto, barba e bigode, veste camiseta regata verde da delegação brasileira e calça e tênis pretos, além de relógio branco e anel dourado no braço esquerdo; ele está sentado no aparelho remoergômetro enquanto faz puxada de alça frontal para simular movimento do remo; atleta está na academia de musculação do CT Paralímpico e ao fundo tem duas portas de madeira e três janelas de vidro, com cadeiras brancas e tatames vermelho e azul ao lado
O atleta Michel Pessanha, da classe PR2, realiza treino no remoergômetro no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo (Ale Cabral)

“Musculação é muito importante para os atletas do remo paralímpico. É um esporte que trabalha o corpo todo e que é bem desgastante. Por isso, valências como força, resistência e potência precisam estar sempre sendo desenvolvidas para os atletas estarem aptos a enfrentar as condições encontradas na água e até do vento contrário, já que é uma modalidade praticada ao ar livre”, completou.   

Até agora, o Brasil tem duas vagas já asseguradas no remo para Tóquio: uma vaga no barco single skiff masculino pela classe PR1 (formada por remadores que possuem somente mobilidade de ombros e braços) e outra no misto double skiff misto pela classe PR2 (para remadores que possuem somente mobilidade nos troncos e nos braços), sendo um homem e uma mulher, ambos com assento fixo.

O país ainda disputa vaga no barco single skiff feminino pela classe PR1 e o quatro com misto PR3 (para remadores com deficiência visual ou deficiências leves e que possuem mobilidade nas pernas, troncos e braços), formado por dois homens, duas mulheres e um timoneiro.

Michel Pessanha, 41 anos, da classe PR2, é um dos remadores que está no CT e pretende estar em Tóquio. Campeão brasileiro, sul-americano e mundial de remo indoor, além da sétima colocação nos Jogos do Rio 2016, o atleta carioca apontou a importância da Seleção Brasileira reunida novamente para a sua preparação individual.

“Essa infraestrutura do CPB ajuda muito nós, atletas do alto rendimento. No clube, a gente trabalha mais o aspecto individual. Mas, no CT Paralímpico, com o suporte de todos os profissionais, a gente consegue trabalhar mais o lado coletivo, de equipe. Estar aqui nos mantém motivado em sonhar com uma medalha paralímpica”, afirma Michel Pessanha, que perdeu movimentos da sua perna direita devido a uma poliomielite na infância.

“A raia da USP é mais pesada, que exige mais força do atleta. Já a Lagoa de Freitas, no Rio de Janeiro, por exemplo, é mais leve, o barco flutua mais. Mas, como diz o ditado popular, mar calmo nunca fez bom marinheiro. Então, é bom estarmos adaptados a todos os tipos de condições para chegarmos ao Japão preparados para todas as situações”, finalizou Michel, que ainda tem no currículo uma medalha de prata no double skiff misto PR2, ao lado de Josiane Dias, na segunda etapa da Copa do Mundo, na Áustria, em 2018.

Confira a relação dos atletas do remo convocados para este período de treinos no CT Paralímpico:

Ana Paula Souza (PR3 feminino) – Clube Náutico Martinelli
Angel Santos (PR3 feminino) – Flamengo
Cláudia Santos (PR1 feminino) – Pinheiros
Diana Barcelos (PR3 feminino) – Flamengo
Erik Lima (PR3 masculino) – Náutico
Gessyca Guerra (PR2 feminino) – Flamengo
Jairo Klug (PR3 masculino) – Pinheiros
Joselma Mendes (PR3 feminino) – Náutico
Jucelino Silva (timoneiro) – Clube de Regatas Guanabara
Keizy Bonine (PR3 masculino) – Remo Adaptar
Michel Pessanha (PR2 masculino) – Flamengo
Valdeni Silva (PR3 masculino) – Clube de Regatas Aldo Luz

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