Quatro finalistas olímpicos, Rayssa Leal, Cordano Russell, Sky Brown e Augusto Akio, comentaram sobre as principais diferenças entre as Olimpíadas e o circuito STU. Entre regras, treinos, público e o papel social das pistas, os atletas concordam: cada formato tem sua importância.
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Liberdade de treinos vs. rotina regrada
Para muitos dos atletas, a distinção mais nítida está na rotina de treinos. Cordano Russell resume: “Nas Olimpíadas há muito mais estrutura. Você tem 45 minutos, uma vez por dia e é isso. No STU a gente pode treinar o dia inteiro, várias vezes.” Essa flexibilidade, dizem eles, permite “sentir” melhor o circuito e amadurecer linhas e manobras de forma mais natural.
Sky Brown reforça o argumento prático: ter treinos abertos no STU “me permite treinar muito mais e mostrar meu skate melhor, porque estou mais acostumada com as manobras”, disse. Para ela, essa liberdade se traduz em desempenho mais autêntico.
A pressão única das Olimpíadas e a força da torcida
Rayssa Leal, que foi medalhista em duas Olimpíadas, define a experiência como singular: descreve a primeira participação como “tranquila” por ainda não compreender o peso do evento, mas afirma que a vivência em Paris foi “algo muito único”, tanto pela qualidade técnica exibida quanto pela torcida. “Parecia que eu estava correndo no Brasil. Tinha muitos brasileiros.” Para Rayssa, o nível das Olimpíadas chegou a apresentar manobras nunca vistas antes em competição.
Pistas: legado, construção e uso público
Augusto Akio aponta outra diferença estrutural importante: a pista olímpica costuma ser construída para o mais alto nível competitivo, um reconhecimento e, em muitos casos, um legado técnico. Ele elogia a qualidade das pistas olímpicas: “Foi uma das melhores pistas que já andei.” Ao mesmo tempo, lamenta quando estruturas não permanecem: “Fiquei muito chateado quando soube que ela seria destruída depois das Olimpíadas.”
Em contrapartida, o STU costuma ocorrer em pistas mais democráticas e públicas. Augusto destaca que esses espaços recebem jovens, adultos, até pessoas com deficiência, usos que vão além do treinamento competitivo. Para ele, isso ajuda a preservar a criatividade no skate: “Quando tudo é muito voltado só para o alto nível, corre o risco de engessar o skate e tirar a autenticidade.”
Estilo, diversidade e a essência do skate
Os quatro finalistas também ressaltam a diversidade de estilos encontrada no STU. Augusto cita skatistas que não participam de circuitos olímpicos, mas que trazem propostas autênticas e inspiradoras, exemplos de como o evento amplia a visibilidade de diferentes formas de andar de skate. Essa pluralidade, para os atletas, é essencial para a saúde do esporte. Eles dizem que isso permite que cada praticante encontre sua própria expressão sem pressão para imitar um padrão.
Abordagem competitiva: sempre dar o máximo
Mesmo valorizando o ambiente mais livre do STU, Cordano lembra que ele encara cada evento com a mesma seriedade: “Há muitos eventos, então eu encaro o STU como encaro as Olimpíadas, sempre há outro campeonato, então vou para mostrar o meu melhor.” Rayssa e Sky, por sua vez, apontam que as experiências diferentes não diminuem a importância competitiva; ao contrário, cada formato exige adaptações mentais e técnicas que fazem parte da carreira de um atleta de ponta.
Pro Tou STU Rio 2025
O STU, ou Skate Total Urbe, é o principal circuito de skate do Brasil e um dos maiores da América Latina. Criado em 2018, ele reúne as principais competições nacionais de street e park, servindo como vitrine para novos talentos e palco para os maiores nomes do skate brasileiro e internacional. Além de pontuar para o ranking nacional, o evento se destaca pelo formato democrático: as etapas acontecem em pistas públicas, com treinos abertos e acesso ao público, o que reforça a conexão entre atletas e comunidade. A etapa do STU Rio, que encerra a temporada de 2025, acontece na icônica Praça Duó, na Barra da Tijuca.
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