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Los Angeles 2028

 

Gui Khury e Luigi Cini se reencontram no Park e projetam LA-2028



Após tirarem a maior nota de suas vidas, com direito a recorde mundial, Gui Khury e Luigi Cini vão medir forças no Park do STU Rio



Na imagem, Luigi (de branco), conversando com Gui Khury no STU Vert de São Paulo.
Luigi (de branco), conversando com Gui Khury no STU Vert de São Paulo. Foto: Pablo Vaz/ STU

Nesta quinta-feira (13), começa as competições do STU Rio, com as primeiras baterias do street masculino, park masculino e mini ramp. Dois dos principais nomes da competição no bowl do park se enfrentaram há menos de uma semana, no STU Vert de São Paulo, com atuações magistrais. Agora, Gui Khury e Luigi Cini vão dropar em suas baterias por um lugar nas semifinais da modalidade que é olímpica.

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Os amigos Gui Khury e Luigi Cini já conhecem as datas das competições em Los Angeles-2028. Então, o Pro Tour STU Rio pode ser uma prévia, ainda que distante, do que poderá ser visto dos skatistas no local que berço do esporte daqui dois anos e meio, caso eles se classifiquem. Em 2024, houve dobradinha brasileira com Luigi como campeão e Gui como vice.

A quarta-feira (12) foi um dia em que o Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou o calendário completo dos Jogos de Los Angeles-2028. Assim, as provas do street começam no dia 18 de julho (terça-feira) e vão até o dia 20 (quinta-feira). Por outro lado, as do park são na semana seguinte, do dia 25 a 27.

De volta às origens

O skate surgiu pela primeira vez por volta de 1950 na Califórnia, nos Estados Unidos, quando os surfistas, procurando algo para fazer enquanto as ondas estivessem planas, prenderam patins em suas pranchas. Um dos esportes que entrou recentemente no programa olímpico, parece que veio para ficar em definitivo. É um dos que mais rapidamente esgotam-se os ingressos e tem grande apelo com o público jovem, um dos objetivos que o COI buscava.

Ou seja, em 2028, a maior celebração dos esportes estará no berço dos skatistas com os olhos do mundo inteiro voltados para o Valley Complex. No STU Vert de São Paulo, Gui Khury, Luigi e mais skatistas comentaram dessa volta às origens nos Jogos Olímpicos.

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“Ainda é muito cedo para falar em Olimpíada, mas eu fui muito bem na última etapa do Mundial. Na verdade, nesse ano foi muito bom para mim ir para o park. Se eu seguir esse caminho, tenho todas as chances de ir para a Olímpiada. Vamos torcer, por enquanto, está tudo certo, estou focado nisso. Logo mais, um dia desses estarei lá”, afirmou Gui, que é campeão mundial de vertical.

“Estou muito feliz com o jeito que estou andando de skate, estou me sentindo saudável. Antes de Paris-2024, sofri um acidente fazendo wakeboard, isso me prejudicou bastante no ano olímpico. Poder voltar com tudo, saudável e dando meu máximo nos campeonatos tem sido muito bom. Estou muito animado, meu foco continua no park e vamos com tudo na corrida para Los Angeles, vai ser irado demais, vou dar meu máximo para chegar na melhor condição e representar o Brasil da melhor maneira.” Luigi foi finalista na França, porém terminou com a sétima colocação.

Empolgação brasileira

Na imagem, pódio do STU Mini Ramp de São Paulo, com Raicca Ventura (2ª), Dora Varella (1ª) e Yndiara Asp (3ª).
Pódio do STU Mini Ramp de São Paulo, com Raicca Ventura (2ª), Dora Varella (1ª) e Yndiara Asp (3ª). Foto: Julio Detefon/STU

Não é só Gui e Luigi que começam a fazer planos para 2028. “Los Angeles é o lugar que todo skatista sonha em conhecer quando começa a andar de skate, minha primeira viagem internacional foi para lá. E é o paraíso do skate. Agora, o Brasil está parecido, com várias pistas, mas inspiradas nas pistas de lá. Foi onde tudo começou, devemos muito, principalmente, no skate de transição. Realmente, estou muito ansiosa para competir lá, espero me classificar e dar meu máximo”, comentou Dora Varella. A skatista é a única brasileira que esteve nas duas finais do park, com o sétimo lugar em Tóquio-2020 e quarto lugar em Paris-2024.

“A Olimpíada de Los Angeles tem tudo para ser bem épica, é onde tudo começou no skate, nas piscinas vazias, principalmente, na modalidade que pratico, o park. Vem dass piscinas, os bowls, o half pipe. Hoje competimos no park, então, espero muito conseguir estar lá, representar o Brasil. Nosso skate é muito bonito, é muito forte, temos muita garra e muita gente boa aqui. Que consigamos estar lá, conseguir uma medalha para o Brasil seria incrível”, enalteceu Yndiara Asp. Foi finalista no Japão e ficou com a oitava colocação.

“Como falta bastante tempo para a Olimpíada, ficamos um pouco mais tranquilas. Mas não deixamos de treinar, porque, enquanto estamos paradas, as outras estão andando. Estamos tendo bastante campeonatos, teve o mega park, vertical, mini ramp, vai ter o STU de park, não ficamos paradas. Dá um ânimo muito grande ser lá em Los Angeles, vai ser muito ‘dahora’, onde nasceu o skate. Já fui bastante para lá para treinar, tem muitas pistas, vai ser muito legal a Olimpíada lá”, garantiu Raicca Ventura. Competiu em Paris e ficou com o 12º lugar.

Crescimento do esporte

Um skatista compatriota de Gui e Luigi, mas que não é necessariamente um concorrente à vaga para Los Angeles, é Rony Gomes. Um atleta mais identificado com vertical, mega park, mega rampa, contudo é extremamente ativo para a promoção do esporte. É uma voz relevante no meio, já que conquistou muitos campeonatos importantes, medalhista de X Games. E traz uma visão macro entre o cenário brasileiro crescente e a visibilidade que os Estados Unidos vão trazer para a modalidade.

“O Brasil está se tornando um dos maiores países do skate, tanto em termos de skatistas bons, como pistas, campeonatos. Sempre nos espelhamos muito nos Estados Unidos, na cultura que eles têm de skate (que é muito legal). Mas o Brasil vem tomando conta, mostrando a nossa força. Sou brasileiro, amo estar nos Estados Unidos, porém luto muito pelo nosso país. Um lugar que sofre com tantas coisas pode ter essa alegria com o skate, é demais. Um esporte que transforma, de inclusão. Para a Olimpíada ainda tem uns anos, o Brasil vai continuar indo forte”.

E completa: “Vejo o skate com o potencial para ser um dos maiores esportes do mundo. Crescemos muito, mas ainda tem muito mais para crescer. Se comparar hoje com futebol, basquete, tênis, o skate tem um caminho gigante pela frente. A Olimpíada acontecendo nos Estados Unidos vai levantar ainda mais o skate, é isso que espero, estamos todos trabalhando para isso. É só o começo, um futuro brilhante para o esporte que eu amo e o que eu puder fazer para ajudar, vou fazer!”

Competição carioca

O STU não é uma competição que vale pontos para a corrida olímpica, mas a edição que ocorre até o próximo domingo (16) pode começar a traçar parâmetros. Isso porque Gui Khury e Luigi enfrentarão skatistas de estadunidenses, europeus e asiáticos, sem contar outros fortes nomes nacionais. Além disso, os dois vêm de feitos espetaculares na competição de vertical que teve em São Paulo, mostrando excelente técnica e que estão em ótimas condições físicas.

Gui Khury fez três das quatro apresentações na final com notas “9 gang” e de forma crescente. Partiu de 94, para 97 e concluindo em 99 pontos. Enquanto Luigi acertou uma volta tão complexa que os juízes precisaram de um tempo revendo para dar 98 pontos. Essa foi a mesma pontuação do antigo recorde mundial, que Gui Khury estabeleceu em 2024.

“Estou muito feliz com minha evolução. Meu foco sempre foi o Park, mas nos últimos meses tenho me dedicado bastante ao half também e é muito legal ver que consigo entregar um nível cada vez melhor. Nesse evento mesmo em São Paulo fiz uma volta inédita pra mim, com uma manobra que só eu e um japonês fizemos. Eu giro um 540 com o corpo e o skate gira um 900 de rotação lateral. Então, é uma técnica, um ‘kick stale 540’, uma forma mais simples de explicar”, explicou Luigi.

O evento ocorre na Praça Duó, na Barra da Tijuca, com as competições de street abrindo o dia, às 11h25. Em seguida, o park começa às 14h05, com Gui Khury já na primeira bateria, contra o português Thomas Augusto, o italiano Ivan Frederico e o holandês Jason Lijnzaat. O campeão de 2024, Luigi Cini, está na bateria 5, com seu compatriota Augusto Akio e os norte-americanos Alex Sorgente e Chris Russell.

Jornalista formado em 2013, mas que atuo desde 2008, quando ingressei na Universidade P. Mackenzie, Trabalhei por seis anos no Diário Lance!. Passei por Punteiro Izquierdo, Surto Olímpico, Torcedores e Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo. Entrei no OTD em Abril de 2023.

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