Com argumentos fortes, seis dos principais skatistas nacionais do skate de transição fazem coro para que o vertical se torne olímpico. Durante o Pro Tour STU Vert de São Paulo, o OTD entrevistou Gui Khury, Luigi Cini, Rony Gomes, Dora Varella, Raicca Ventura e Yndiara Asp para entender o que falta para que a modalidade entre no programa olímpico. Além de tudo, seria mais uma grande possibilidade de medalhas para o Brasil.
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As respostas vão desde problemas locais de falta de pista aos que acreditam que não falta mais nada, por cumprir todos os quesitos. Porém, sobrou até para a World Skate, entidade máxima do esporte, que indica as modalidades para o Comitê Olímpico Internacional. Ao mesmo tempo que aparenta ser uma realidade que poderia aparecer em Melbourne-2032, é uma esperança que motiva os skatistas brasileiros.
O mais enfático foi Luigi Cini, segundo lugar no STU Vert de São Paulo. O skatista fez uma apresentação que igualaria o recorde de nota anterior de Gui Khury, com 98 pontos. Contudo, viu o compatriota estipular um recorde ainda maior na sua apresentação. Ao final, apresentou seus argumentos para o vertical entrar nos Jogos Olímpicos.
“Falta a World Skate fazer o seu trabalho direito, como a CBSK, o STU e os órgãos brasileiros fazem, que são exemplo e a World Skate não consegue chegar no mesmo nível e prejudica o esporte. É a mesma razão que o paraskate não estava nas últimas Olimpíadas, por culpa da Associação Internacional. Mas eu acredito que tudo pode melhorar, sendo conversado, e que eles podem fazer um trabalho melhor,” apontou Luigi.
Futuro de possibilidades abertas
Luigi ainda deixou um ar de mistério do que está por vir na cena mundial de skate já na próxima temporada. “Não posso falar o que vai rolar ainda, mas ano que vem vai melhorar. E o skate brasileiro vai fazer grande parte disso. Vocês vão ter que esperar para ver, não vou falar agora, se não a galera vai ficar brava comigo, mas vai vir muita coisa boa”, declarou.
O vertical não é olímpico desde quando o skate entrou no Programa Olímpico, já com duas edições em sequência (Tóquio-2020 e Paris-2024). A modalidade é uma das mais tradicionais e ajuda muito, sobretudo, para skatistas do chamado skate de transição. Quem anda nos bowls do Park, umas das modalidades olímpicas, bebe muito na fonte do Half Pipe, ou compete nas duas frentes.
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É o caso de Gui Khury, que foi campeão mundial de vertical em Roma 2024 e campeão do STU, com a nota recordista de 99 pontos. O prodígio foi um dos que se pronunciou a favor da modalidade e falou da atuação da entidade máxima.
“Não falta muita coisa, tem várias pessoas andando de vertical. O que falta é ter um pouco mais de eventos no vertical, ter mais mundiais, que acontece uma vez a cada dois anos. O skate feminino está indo muito forte e ter mais eventos, isso ajuda bastante. Falta a World Skate querer colocar o Half na Olimpíada também”.
Outros nomes que já são olímpicos como Dora Varella e Yndiara Asp reforçaram o “lobby”, por assim dizer, do vertical Olímpico. Há ainda aqueles que sonham em carregar a alcunha de ser um atleta olímpico e que veem na tradicional modalidade seu maior potencial. É o caso de Rony e Raicca.
A voz dos skatistas
“Falta mais pistas para a prática, temos poucas pistas de vertical públicas. Lá na minha cidade (Florianópolis), por exemplo, não temos. Falta pistas de qualidade. A Prefeitura de São Paulo construiu um Half Pipe que é um dos melhores do mundo, dá para ver o reflexo disso com todos os skatistas que andam lá. É uma modalidade que não tinha tanto público feminino praticando. Eu venho para São Paulo só para andar nesse Half. Ter mais pistas para praticar e formar mais skatistas femininas e ter quantidade suficiente para chegar na Olimpíada”, explicou Yndiara, terceira no STU Mini Ramp.
“Falta a Olimpíada querer colocar. Se você ver, no vertical, o Gui Khury, skatista brasileiro que é o melhor do mundo, também está ‘arregaçando’ no Park. Se eles colocassem o vertical na Olimpíada seria muito bom, eu adoro o Vert, amaria ir para a Olimpíada pelo Vert. Quem sabe na próxima?”, questionou Raicca, segunda no STU.
“Mais visibilidade e campeonatos como esse faz com que a Mini Ramp vire olímpica. O vertical está com um pé lá na Olimpíada. Merece demais, nível altíssimo entre homens e mulheres e espero que chegue em breve, porque está pesado demais de assistir e competir”, brincou Dora, campeã no STU.
“Para ser sincero, não falta nada. Eu acho que o vertical é uma modalidade ampla, é muito legal para quem assiste e para quem anda. O cara que anda no Park hoje precisa do vertical. Quanto mais o vertical crescer, mais vai ajudar todas as outras modalidades. Tem em todos os países, Ásia, Oceania, Europa, as meninas estão andando muito. Então, já passou da hora. Acho que, desde a primeira Olimpíada já poderia ter incluído o vertical”, comentou Rony Gomes, terceiro colocado no STU e vencedor de quatro medalhas nos X Games.