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Tóquio 2020

Realistas, dirigentes condicionam Olimpíada à vacina

Paulo Wanderley, Bernard Rajzman, Andrew Parsons e Mizael Conrado pensam que só com a criação de uma proteção contra o coronavírus será possível realizar os Jogos

Dirigentes do esporte olímpico e paralímpico do país e do mundo conversaram sobre o futuro do esporte, em live organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil nesta segunda-feira (8). Bernard Rajzman, integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI), é direto sobre a realização dos Jogos no Japão. “Sem vacina não teremos Olimpíada”.

Em março, quando os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio foram adiados de forma oficial, a expectativa era que a pandemia fosse controlada ainda em 2020 em todo o mundo. Contudo, pela maneira que o coronavírus caminha no planeta, com cada país em um estágio diferente, o horizonte hoje é incerto.

Em países da Europa, como a Alemanha e Portugal, algumas atividades esportivas já retornaram. Já no Brasil não se sabe como e nem quando será o retorno.

Bernard COB Hall da Fama
Bernard Rajzman é o brasileiro há mais tempo no COI e vê os Jogos Olímpicos só acontecendo com uma vacina (Divulgação/COB)

Por conta dessa diferença de fases que cada um dos países vive no combate ao coronavírus, Bernard Rajzman, medalhista de prata com a seleção brasileira de vôlei na Olimpíada de Los Angeles em 1984 e membro do COI, é direto. “Se não tiver uma vacina até março é capaz que os Jogos Olímpicos sejam cancelados e não tenha mais. É um momento onde cada um vai ter que se reestruturar”.

-COB enviará atletas ao exterior

Levando-se em conta que, além do cerca de 10 mil atletas, cada vila olímpica recebe também treinadores, preparadores físicos, fisioterapeutas, voluntários e outros profissionais, Tóquio pode ter um problema. Para Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional, (IPC), a ideia de reunir essas pessoas dentro de um mesmo ambiente sem a garantia proteção é um sério risco.

Andrew Parsons, Presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), comenta sobre o fluxo de caixa após adiamento de Tóquio 2020
Andrew Parsons, Presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) (Facebook/IPC)

“Priorizar a saúde dos atletas e participantes em primeiro lugar. Logicamente que ninguém vai colocar a vida de competidores, imprensa e público em risco. A incerteza é o grande ingrediente desse momento. Colocar mais de 10, 15 mil pessoas juntas no mesmo lugar juntos sem a certeza de proteção é um perigo”.

Adiou… e agora?

Para os dirigentes presentes na live, a decisão do adiamento foi acertada. Durante o processo até o anúncio passaram-se cerca de quatro semanas em que COI e IPC mantiveram contato frequente com as partes envolvidas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

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Depois da escolha pelo primeiro adiamento olímpico da história, os representantes dos comitês e todos envolvidos na preparação para Tóquio tinham novas questões para resolver. Contratos de transmissão, estadia, acordos de patrocínio. Tudo precisaria ser repensado.

“A questão não foi só a decisão, mas conviver com o que a decisão pode ter causado de consequência. Era óbvio a escolha da alteração da data original, mas tudo que leva a acontecer é bem mais complexo. O mundo do esporte não está desconectado do planeta”, comentou Andrew Parsons.

Olhando para o Brasil, Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), vê a situação de outra forma. Depois de ter anunciado que alguns atletas do país seguirão para Portugal para treinar, Wnaderley vê que o momento é para organizar.

Paulo Wanderley, presidente do COB,(Crédito: Wander Roberto/COB)

“A questão agora é reorganizar, interna e externamente. Conseguimos socorrer algumas entidades, porque desde o início da minha gestão tínhamos a preocupação de criar uma reservas. Tivemos queda no valor repassado pelo governo, mas vamos seguir e pensar na preparação para Tóquio”.

Vale lembrar que o valor que o COB recebe de repasse do governo, citado por Paulo Wanderley, é proveniente das apostas feitas nas loterias federais pelo país. Com a pandemia, com a diminuição da quantidade de brasileiros apostando, o valor recebido pelo comitê cai.

É possível projetar?

Há pouco mais de um ano da nova data da Olimpíada normalmente se torna mais frequente as projeções dos resultados. Contudo, para Tóquio isso é ainda muito nebuloso. Com cada país em um estágio da onda da pandemia, como dizem os especialistas, não é saber em que condições os atletas de cada um dos países chegará ao Japão.

Mizael Conrado do Comitê Paralímpico
(Foto: Daniel Zappe/Exemplus/CPB)

“A expectativa para Tóquio 2020 era grande pois a nossa projeção é feita levando em consideração os Mundiais que antecedem a Paralimpíada e o Brasil foi bem nas edições de 2019. Mas agora, com essa alteração para 2021, nos deixa sem perspectiva e com muitas incertezas, dificultando qualquer projeção”, comentou Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Para o presidente do COB, mesmo com toda a mudança no cenário mundial e a dificuldade de se comparar com os atletas ao redor do mundo, o que dificulta uma projeção, a meta para o Japão é clara. “A projeção é difícil eu falar, mas tenho como meta, pelo menos, a mesma quantidade de medalha que o Brasil conquistou em 2016 (7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes)”, comentou Paulo Wanderley.

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