O esqui estilo livre, também conhecido como esqui freestyle, surgiu nos Estados Unidos no início do século XX, a partir de shows de acrobacias com esquis. Foi apenas na década de 1960 que a modalidade começou a se organizar como esporte competitivo, dando origem ao formato que hoje faz parte do programa olímpico.
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As provas do esqui estilo livre
O esqui estilo livre conta atualmente com sete provas diferentes nos Jogos Olímpicos de Inverno.
O aerials é disputado em uma rampa, onde os esquiadores realizam saltos e executam manobras no ar. Já no moguls, os atletas descem uma pista cheia de morrinhos, chamados de moguls, alternando curvas, manobras e saltos. Nessa prova, a pontuação leva em conta a velocidade e a execução técnica.
A novidade para Milão-Cortina 2026 é o dual moguls, formato em que dois atletas competem lado a lado em baterias eliminatórias.
O esqui cross funciona como uma corrida, com vários atletas largando juntos. Após uma fase classificatória, eles disputam baterias eliminatórias até a definição do campeão.
Park & Pipe: halfpipe, slopestyle e big air
As outras três provas do esqui estilo livre fazem parte do grupo conhecido como park & pipe: halfpipe, slopestyle e big air. Essas modalidades têm forte influência do skate.
No halfpipe, os atletas descem uma pista em formato de meia-lua, semelhante ao skate vertical, realizando manobras aéreas de grande dificuldade.
No slopestyle, os esquiadores descem a montanha executando manobras em obstáculos que lembram o skate street, seguidos por uma sequência de grandes saltos.
Já no big air, os atletas utilizam uma rampa gigante para realizar uma única manobra aérea. Nas provas de park & pipe, os competidores são avaliados por juízes, e vence quem obtiver as maiores notas.
O esqui estilo livre nos Jogos Olímpicos de Inverno
O esqui estilo livre apareceu pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno como esporte de demonstração em Calgary-1988, com as provas de moguls, aerials e o hoje extinto esqui-ballet.
Nos Jogos seguintes, o moguls entrou oficialmente no programa olímpico em 1992, seguido pelo aerials em 1994. A partir de 2010, foram incorporadas as provas inspiradas no snowboard, como halfpipe, slopestyle, big air e esqui cross.
As potências do esqui estilo livre
A América do Norte domina historicamente o quadro de medalhas do esqui estilo livre.
O Canadá lidera em ouros, com 12 medalhas douradas, além de 12 pratas e seis bronzes, totalizando 30 pódios. Já os Estados Unidos somam 33 medalhas: 11 ouros, 13 pratas e nove bronzes.
Outros países de destaque na modalidade são China (17 medalhas), França (15) e Suíça (13).
O Brasil no esqui estilo livre
Os primeiros brasileiros no esqui estilo livre participaram de competições internacionais de esqui cross entre 2009 e 2010.
Para os Jogos de Sochi-2014, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) iniciou um projeto para classificar atletas no aerials, inspirado no modelo australiano que utilizava atletas oriundas da ginástica artística. As ex-ginastas Josi Santos e Laís Souza, olímpica em Atenas-2004 e Pequim-2008, integraram a seleção brasileira.
Em janeiro de 2014, Laís Souza sofreu um grave acidente nos Estados Unidos, ao descer uma montanha após um treino, que a deixou tetraplégica. Josi Santos seguiu para a Olimpíada e se tornou a primeira brasileira da história a disputar o esqui estilo livre, terminando na 22ª colocação.
As últimas participações do Brasil
A segunda representante brasileira foi Sabrina Cass, no moguls. Com dupla cidadania, ela iniciou a carreira defendendo os Estados Unidos e foi campeã mundial júnior em 2019. Posteriormente, passou a competir pelo Brasil e disputou os Jogos Olímpicos de Beijing-2022, terminando em 23º lugar.
Atualmente, os principais representantes do Brasil na modalidade são os irmãos Dominic e Sebastian Bowler, que competem no halfpipe, slopestyle e big air. Ambos enfrentaram problemas com lesões ao longo do ciclo olímpico e não conseguiram se classificar para Milão-Cortina 2026.
As estrelas do esqui estilo livre
O maior nome do esqui estilo livre na atualidade é a chinesa Eileen Gu. Em Beijing-2022, ela foi o grande destaque da Olimpíada ao conquistar três medalhas na mesma edição: ouro no halfpipe, ouro no big air e prata no slopestyle.
No esqui cross, o principal nome é a sueca Sandra Näslund, atual campeã olímpica, tricampeã mundial e cinco vezes campeã geral da Copa do Mundo.
Entre os homens, o domínio no moguls é de Mikaël Kingsbury. O canadense alcançou recentemente a marca histórica de 100 vitórias em etapas da Copa do Mundo, soma 10 títulos mundiais e possui um ouro e duas pratas olímpicas.
Milão-Cortina 2026 também marcará o retorno do britânico Gus Kenworthy, vice-campeão olímpico do slopestyle em Sochi-2014 e uma das figuras mais influentes dos esportes de ação, conhecido também por sua representatividade fora das pistas.