Os esquis são meios de transporte desde a pré-história. A partir do século XIX, especialmente na Noruega, a prática passou a ser organizada também como esporte. No cross-country, os atletas percorrem longas distâncias na neve, enfrentando subidas e descidas. Em comparação com os esportes de verão, a modalidade se assemelha a uma corrida de rua, mas disputada sobre a neve.
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Estilos do esqui cross-country
As provas de esqui cross-country são divididas em dois estilos, cada um com técnicas específicas.
No estilo clássico, os atletas devem manter os dois esquis paralelos durante todo o percurso, com o movimento das hastes sendo feito de forma simultânea.
Já no estilo livre, os esquiadores podem alternar as pernas e usar diferentes angulações. Essa técnica também é chamada de skating, por lembrar os movimentos da patinação no gelo.
As provas individuais do cross-country olímpico
Nos Jogos Olímpicos de Inverno, os atletas disputam quatro provas individuais.
No sprint, todos fazem uma tomada de tempo em um percurso entre 1 km e 1,5 km. Os 30 melhores avançam para baterias eliminatórias até a definição do campeão.
Na prova individual, os atletas percorrem 10 km, largando de forma alternada, geralmente a cada 30 segundos. O esquiador com o menor tempo total conquista a medalha de ouro.
Esquiatlo e a maratona da neve
O esquiatlo é uma prova de 20 km, em que os atletas percorrem metade do trajeto no estilo clássico e a outra metade no estilo livre.
Já a largada em massa, disputada em 50 km, é a prova mais longa do programa olímpico e exige extrema resistência física. Considerada a maratona da Olimpíada de Inverno, ela tem seu pódio realizado durante a Cerimônia de Encerramento, assim como acontece com a maratona nos Jogos Olímpicos de Verão.
Provas por equipes
Além das provas individuais, o esqui cross-country conta com disputas por equipes.
No revezamento 4×7,5 km, cada país escala quatro atletas que se revezam para completar um percurso total de 30 km.
Já o sprint por equipes é disputado em duplas, com os atletas se alternando em voltas em um circuito curto, o mesmo utilizado no sprint individual.
O esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno
O esqui cross-country esteve presente em todas as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno desde 1924. As mulheres passaram a competir a partir de Oslo-1952.
Em Milão-Cortina 2026, haverá um marco importante: homens e mulheres disputarão as mesmas distâncias em todas as provas, promovendo igualdade no programa olímpico da modalidade.
As grandes potências do cross-country
Os países nórdicos dominam historicamente o esqui cross-country olímpico. A Noruega é a maior potência da modalidade, com 129 medalhas: 52 ouros, 43 pratas e 34 bronzes.
A Finlândia soma 86 medalhas, sendo 22 de ouro, enquanto a Suécia aparece logo atrás, com 84 pódios e 32 títulos olímpicos.
A maior medalhista olímpica da história dos esportes de inverno vem justamente do cross-country: a norueguesa Marit Bjørgen, dona de 15 medalhas olímpicas (oito ouros, quatro pratas e três bronzes).
O Brasil no esqui cross-country
O Brasil participa do esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno desde Salt Lake City-2002. Naquela edição, Franziska Becskehazy terminou em 57º lugar nos 10 km femininos, enquanto Alexander Penna ficou na mesma posição nos 50 km masculinos.
Quatro anos depois, surgiu um dos nomes mais importantes da história olímpica brasileira: Jaqueline Mourão. A atleta é a brasileira com mais participações em Jogos Olímpicos, somando oito edições, sendo cinco de inverno e três de verão. Multiatleta, Jaque competiu também no ciclismo mountain bike e no biatlo, mas construiu sua principal trajetória no esqui cross-country, tornando-se a maior atleta do país na modalidade.
O desenvolvimento do esporte no Brasil
Sem neve em território nacional, o esqui cross-country se desenvolveu no Brasil por meio do rollerski, versão do esporte praticada com esquis de rodinhas no asfalto ou no concreto.
O rollerski foi fundamental para a formação de atletas olímpicos. Leandro Ribela, que disputou Vancouver-2010, criou o projeto Ski na Rua, em São Paulo. Foi nesse projeto que Victor Santos iniciou sua trajetória até chegar aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang-2018.
Brasil em Milão-Cortina 2026
Nos últimos anos, o Brasil tem apresentado evolução no cenário internacional do esqui cross-country. Em Milão-Cortina 2026, o país será representado por três atletas: duas mulheres e um homem.
Eduarda Ribera e Manex Silva, que já estiveram em Beijing-2022, retornam aos Jogos Olímpicos. A novidade é Bruna Moura, que quase disputou a última Olimpíada, mas sofreu um grave acidente de carro a caminho do aeroporto. Após a recuperação, ela obteve bons resultados em competições na Europa e garantiu a vaga olímpica.
Os craques do esqui cross-country
O grande nome da modalidade na atualidade é o norueguês Johannes Klæbo. Ele já soma sete medalhas olímpicas (cinco ouros, uma prata e um bronze) e chega como um dos favoritos em Milão-Cortina 2026. Klæbo é pentacampeão geral da Copa do Mundo e dominou o Mundial de 2025, vencendo as seis provas disputadas.
No feminino, o principal nome da Noruega é Therese Johaug, dona de seis medalhas olímpicas e 23 medalhas em Campeonatos Mundiais. Suas principais rivais na Olimpíada incluem Jessie Diggins (EUA) e as suecas Frida Karlsson e Ebba Andersson.