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Pan Júnior - Cáli 2021

Bronze no Mundial sub-21, Luana Carvalho mira medalha no Pan Jr.

Em entrevista exclusiva para o OTD, Luana Carvalho conta sobre a sua trajetória e como se sente sendo uma das jovens promessas para os Jogos de Paris

Luana Carvalho Mundial Júnior judô medalha
(instagram/carvalhoo_luanaa)

Ser considerada umas das promessas do judô brasileiro não assusta Luana Carvalho, de 19 anos. Medalhista mundial sub-21 e campeã brasileira sub-21 na categoria até 70kg, Luana não se vê pressionada para seguir o caminho de judocas consagradas, como Mayra Aguiar e Ketleyn Quadros. “A pressão caminha lado a lado com o atleta de alto rendimento. Foi isso que minha sensei que me ensinou. Tem que aprender a lidar com a pressão, ela sempre vai estar com a gente.”, contou a atleta, que será um dos destaques da delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos da Juventude, que começam essa semana em Cali, na Colômbia.

Judoca do Umbra/Vasco da Gama, Luana começou no judô aos 10 anos e não largou mais. Ainda muito jovem, desde 2019 ela já mostra resultados importantes em categorias de base, o que lhe rendeu um passaporte como sparring, atleta apoio dos judocas olímpicos de Tóquio 2020. 

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Ela foi selecionada para dar suporte para Mayra Aguiar, que conquistaria medalha de bronze na categoria até 78kg na Olimpíada deste ano. Luana Carvalho esteve treinando com Mayra por quase um ano até a competição. “A convocação foi ao vivo e a gente tava vendo aqui em casa, aí quando falaram os apoios e falaram o meu nome, caraca, a gente começou a pular aqui em casa. Pra mim foi muito bom estar lá, eu não me sentia como apoio, eu estava treinando com elas, sempre a disposição das meninas. Elas sempre ajudavam a gente, davam dicas. Eu amadureci muito depois dessa experiência e me ajudou muito depois na minha conquista no Mundial.” relembra alegre a jovem.

Após a Olimpíada, Luana não teve tempo para respirar. Foi para o Mundial Sub-21 na Itália e voltou com uma medalha de bronze no peito. Ela se tornou apenas a segunda mulher brasileira a medalhar na categoria até 70kg em Mundiais Sub-21, antes dela apenas a própria Mayra Aguiar havia conquistado o feito. “Fiquei muito feliz. Eu nem sabia disso, a Mayra é uma pessoa que eu admiro muito.”, contou com um sorriso no rosto. 

Luana Carvalho e Mayra Aguiar são as únicas brasileiras medalhistas no Mundial Sub-21 de judô na categoria até 70kg. (Foto: Twitter/CBJ)

O bronze veio para Luana com gostinho de dever cumprido. Foi um pódio que lhe faltou em 2019, quando disputou o Mundial Sub-18 e caiu nas quartas-de-final. “Foi um baque muito forte pra mim. Eu era muito nova e não sabia lidar com aquilo. Tinha ido pro Mundial como favorita, eu não estava preparada pra perder. Tinha a repescagem, mas eu não consegui me preparar pra ela.”,recordou a atleta. 

Em 2021, Luana teve a chance de reescrever a sua história em campeonatos mundiais. “Eu queria muito ser campeã, mas não importava tanto a cor da medalha, eu queria muito ela, eu sabia que merecia muito ela. Durante a competição eu tava muito bem, eu só fui e lutei. Venci duas lutas e parei na terceira, nas quartas de novo. Mas eu tava com a cabeça boa”, relatou. Mais segura e determinada que na edição anterior, Luana conquistou o bronze, subindo ao pódio pela primeira vez.

Luana Carvalho Mundial Júnior judô medalha de bronze
Luana venceu a alemã Friederike Stolze na disputa do bronze (Foto: IJF)

Após a medalha no Mundial, Luana seguiu para o Brasileiro Sub-21 ainda mais confiante. “Tem gente que transforma o fato de ser medalhista como peso, e tem gente que transforma em motivação. Eu antigamente transformava em peso, mas aprendi a transformar em motivação. Eu cheguei no campeonato bem, não não fiquei pressionada, eu sabia que quem tava preocupada eram elas.” brincou Luana, que venceu suas quatro lutas e subiu ao lugar mais alto do pódio.

Um degrau de cada vez

Luana Carvalho mostra pé no chão ao falar sobre o seu futuro. “Eu costumo focar de competição em competição. São preparações para o que eu almejo de maior. O Mundial Júnior foi uma preparação para a Olimpíada. Eu saí de lá pensando no próximo Mundial.”, brincou a carioca. “Eu quero a medalha de ouro, quero estar lá, porque deu um gostinho de quero mais, de treinar mais, de saber que tenho condições de chegar lá.”

A experiência olímpica também despertou em Luana outra vontade. “Voltei com a sensação de ‘cara, eu vou voltar nessa competição, mas não como apoio, como atleta.’ Me despertou aquela chama aqui dentro, pra treinar mais pra chegar nesse nível de competir uma Olimpíada.”, conta Luana. 

Ela já está convocada para a Seletiva Nacional que já prepara os judocas brasileiros para a Olimpíada de Paris-2024. A competição é importante para classificar para a seleção principal, assim os atletas começam a competir e acumular pontos para o ranking mundial. “Vai ser uma competição muito dura, vão ter as melhores atletas da categoria de todo o Brasil. Então é treinar, se dedicar, dar o melhor, porque o sonho já começou.”, falou Luana.

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A carioca vai querer mostrar que pode ser mais que uma atleta de apoio para a seleção, mesmo que para isso tenha que lutar contra judocas já consolidadas, como Maria Portela, da mesma categoria de Luana. “Eu já vejo ela como adversária. Esse negócio de ser apoio já passou. Agora eu quero ir buscar a minha vaga, eu quero tomar o lugar delas, não importa quem seja.” afirmou determinada a judoca.

Apesar de já almejar um espaço na seleção principal de judô, Luana ainda deve disputar competições no circuito júnior, como o Pan-Americano de Cali e Mundial Sub-21 em 2022. O Pan de Cali, primeira edição da história, terá atletas de categorias de base vivenciando uma competição multiesportiva internacional aos moldes dos próprios Jogos Pan-Americanos e Olímpicos. “Tô focada, estou me preparando mais pra ganhar esse Pan. É uma competição muito importante que eu to indo buscar, não o melhor resultado, mas o ouro mesmo”, brincou a judoca.

O maior objetivo de Luana Carvalho é Paris-2024, mas antes a judoca pensa em pequenas metas mais próximas. “Eu penso primeiro nos objetivos mais próximos, como ser campeã dos Jogos Pan e da seletiva olímpica.”, concluiu.

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