Lucas Pinheiro Braathen, de 25 anos, é um dos principais nomes do Brasil nos esportes de inverno e esperança de medalha para o país nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina-2026, que acontecerá de 6 a 22 de fevereiro. O atleta da modalidade esqui alpino é filho do norueguês Bjorn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro, nascida no estado de São Paulo. Após alguns anos competindo pela Noruega, ele optou pela mudança de nacionalidade e debutou representando o time brasileiro na temporada 2024/25.
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Em sua temporada de estreia na Copa do Mundo de Esqui Alpino representando o Brasil, Lucas Braathen finalizou na 6ª colocação no geral, sendo 5º no slalom gigante e 6º no slalom. Em 23 provas disputadas, o brasileiro subiu ao pódio em cinco oportunidades. Ele somou três medalhas de prata (slalom gigante, em Beaver Creek, nos Estados Unidos; slalom gigante, em Adelboden, na Suíça; e no slalom gigante, em Kranjska Gora, na Eslovênia) e duas de bronze (slalom, em Kitzbühel, na Áustria; e slalom, em Hafjell, na Noruega).
Entrevista após o primeiro ano representando o Brasil
O atleta recebeu a imprensa em sua visita ao Brasil, em São Paulo (SP), e abordou diversos assuntos. Entre eles, Lucas Braathen comentou sobre a experiência vivenciada em sua primeira temporada representando o Brasil e revelou sua relação com outros esportes quando não está competindo profissionalmente no Esqui Alpino, em períodos de lazer, com tempo livre no Brasil. Ele citou modalidades como futebol, skate e, principalmente, o surfe. Sobre esse último, ele mostrou interesse ainda maior e se aventurou na companhia de grandes nomes.
“Esse ano eu fiz surfe, no Rio de Janeiro, com o Pedro Scooby e Lucas Chumbo. No ano passado, encontrei também o Ítalo Ferreira. Fiquei nervoso porque estava surfando com os melhores surfistas do mundo, como Scooby, Carlos (Burle), Chumbo, mas estava no mar e sentindo de novo essa conexão com os esportes agora que minha temporada acabou. E a neve só é a água que é gelada, então só trocou o clima e tentei entrar com a mesma mentalidade e espírito”, afirmou Lucas Braathen.
“Eu tive ajuda dos treinadores e surfistas melhores do mundo e só fiz o que eles disseram que era para fazer e deu tudo certo”, completou o esquiador, que voltou a falar sobre o surfe quando questionado se pensa, em algum dia, voltar a morar no Brasil. “Sim, algum dia eu venho. Não sei quando. Não posso falar Rio de Janeiro porque minha família vai ficar com raiva, mas quero viver perto do mar, fazer surfe todo dia. Sempre vou querer viver uma vida esportiva, perto da natureza. A natureza é algo muito importante para mim”, destacou Lucas Braathen.
Confira abaixo todos os trechos da entrevista de Lucas Braathen
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Orgulho de representar o Brasil:
Sinto muito orgulho desta primeira temporada representando o Brasil. Foi uma temporada muito louca em vários sentidos. Foi difícil, pesado, legal. Tive uma experiência complicada porque foi uma mudança grande. Este projeto é uma mudança que nunca aconteceu antes nesse esporte. Foi uma temporada com muitas coisas difíceis que a gente, dentro do time, precisou arrumar e trabalhar. Mas a gente estava aprendendo muito. Então, com ajuda da minha equipe e do Time Brasil, a gente começou no ranking 41 e terminou a temporada em quinto lugar. Foi uma temporada muito legal. Eu sinto muito orgulho e estou muito feliz.
Diferenças entre competir por Brasil e Noruega:
É muito diferente por causa da infraestrutura. Eu estava em uma organização grande e claro que tive muito suporte, estrutura, vários ex-atletas, mas com isso também vem um ônus. Eu sou uma pessoa que adoro minha vida com liberdade. Quero fazer as coisas do meu jeito. Eu quero trazer uma mudança para essa indústria do esqui alpino. Quero ser fonte de inspiração para as pessoas que estão assistindo essa jornada, me acompanhando. Então, agora estou vivendo uma vida muito bacana porque estou viajando o mundo fazendo a coisa que amo. Eu pude fazer do meu jeito, em colaboração com a equipe da Confederação Brasileira. Hoje em dia eu sou conectado muito com meu propósito e isso é uma coisa linda.
Expectativa de medalhas:
Esse é o meu sonho. Quero mostra aos brasileiros que a gente pode fazer tudo. Brasil é um país que tem pessoas que você acha em todos os lugares do mundo. E eu queria trazer essa bandeira para um esporte de inverno, como o esqui alpino. Ainda mais com essa oportunidade de fazer sucesso no país onde cresceu meu amor pelo esporte por causa do futebol. Para mim, é um momento completo. Pude trazer esse sucesso ao país que me iniciou e onde recebi essa introdução dos valores do esporte. Então, sinto muito orgulho de hoje em dia defender essa bandeira competindo em um esporte que amo. Então, acho que esse é um projeto que representa uma mudança. E eu quero representar a próxima geração, que cresceu do mesmo jeito que eu, se sentindo diferente, errado. Quero representar essas pessoas e mostrar que tudo é possível.
Conquistas de recordes pelo Brasil:
Quero é trazer uma nova história, com novos resultados esportivos, com outra mensagem. E o Brasil me dá essa oportunidade. E isso é uma coisa linda. Eu acordo todos os dias com uma nova inspiração e conectado com meu propósito. Estou correndo todos os dias até meus sonhos serem realizados. Estou me sentindo em casa. Venho ao Brasil e sinto amor das pessoas. Hoje em dia tem situações em que as pessoas nas ruas me param e perguntam como fiz essa loucura de esqui representando o Brasil. Tem sempre pessoas me abraçando, falando obrigado por nos representar. Este amor é um tipo de amor que só existe aqui no Brasil. Então, sinto muita gratidão por representar e defender essa bandeira.
Dança nova quando conquistar medalha:
Não estou preparando nada porque essa experiência, quando você obtém sucesso na frente de milhões de pessoas assistindo, não dá para preparar. Esse é um momento muito pessoal e individual. E é uma interação com todos os fãs que estão lá assistindo e dividindo essa experiência com você. Então, quando faço minhas danças e celebrações, isso é uma coisa pura. A dança em minha primeira competição representando o Brasil foi uma coisa tão pura que nem me lembro como foi. Eu só fiz. Então, eu não sei o que vai acontecer, mas não acho que foi a última dança.
Relação com a música brasileira:
Muito forte. A introdução foi por intermédio da minha mãe. Sempre tive música em casa, muito samba e bossa nova. Então, a minha introdução na música brasileira foi a bossa nova. Meu primeiro amor criativo foi por meio da música e da dança. Eu adorei o Michael Jackson quando estava crescendo. Mas, eu não tive confiança para dançar nessa idade, pois vocês sabem bem como funciona quando você homem. Eu era jovem e todo mundo na escola ia falar que isso não era coisa para menino.
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Nessa época, não tive essa confiança para praticar meus sonhos. Demorou de 18 para 19 anos para explorar minhas curiosidades com coisas criativas. Mas sempre adorei música, especialmente a brasileira. Eu uso a música muito em minhas competições também. Eu uso para encontrar minha intensidade. Se estou calmo e preciso levantar, eu uso hip hop ou eletrônica. Se preciso baixar e estou nervoso, eu uso bossa nova, com música que fala de coisas que não são sérias, que não são de competição, tópicos de amor e muito pessoais, que te desconecta do momento.
Surpresa com os torcedores brasileiros:
Ainda me lembro da primeira competição que estava representando o Brasil. Estava encontrando os fãs e só via pessoas com cores brasileiras, com bandeiras, com pintura no rosto. Me lembro de um fã que pediu para a mãe dele fazer brigadeiro para trazer para mim como forma de sorte antes dessa temporada representando o Brasil. Então, essa jornada, a primeira temporada representando o Brasil, foi de experiências lindas. Interações com pessoas especiais. Com pessoas batendo papo e contando suas histórias.
Agora tem um novo jeito que eles me vêem e pude mostrar que não importa de onde você é, seu sotaque, sua roupa, só seus sonhos é que importam. Que você pode fazer tudo. Que tudo é possível. Têm pessoas que me encontram e falam que os ajudei de algum jeito. Isso significa muito para mim, é o meu propósito. Quero terminar a carreira um dia, no futuro, sabendo que fiz essa diferença. Então foi uma temporada muito especial para mim.
Fã clube brasileiro na Europa:
O esporte não é nada sem os fãs. O esporte é para os fãs, pois são eles que trazem energia, indústria, dinheiro, e oportunidades para pessoas como eu fazer esportes. Então, sinto gratidão por todos os fãs, mas especialmente fãs iguais a Darka e meu fã clube, que estão sempre colocando bandeiras brasileiras nas pistas com meu rosto, meu nome, trazendo corações e energia. Isso é o que vem com essa mudança para o Brasil, essa energia. Essa foi uma mudança para a indústria do esqui alpino, trouxe uma nova cultura, a nossa cultura, nossas sensações, nossa atmosfera e isso tem dado para sentir. Você está viajando por muitas montanhas, em todos os lugares, está frio para caramba, mesmo assim você vê as cores brasileiras em todos os lugares, as pessoas estão dançando, sempre tem música. Sinto muito orgulho vendo isso.
Lazer no tempo livre no Brasil:
Sempre vou fazer skate com meu primo e claro que sempre jogo futebol com amigos e com meus primos. Acabei de fazer surfe, no Rio de Janeiro, junto com o Pedro Scooby. No ano passado encontrei com o Ítalo Ferreira aqui também. Estive com o Lucas Chumbo também no Rio de Janeiro. E, claro, que vou para baladas. Esse ano não fui em nenhum jogo de futebol, mas, no ano passado, fui ao Morumbi para ver o São Paulo, meu time, mas esse ano não deu tempo. Eu quis ficar com meus primos. A gente estava junto no Rio de Janeiro, aluguei um apartamento para a gente se reconectar de novo e agora quero ir para a minha família em Campinas.
Avaliação como surfista:
Eu fiquei muito nervoso porque estava surfando com os melhores surfistas do mundo, como Scooby, Carlos, Chumbo, mas estava lá no mar, no Rio de Janeiro, e sentindo essa conexão com os esportes de novo agora que acabou minha temporada. E a neve só é a água que é gelada, então só trocou o clima e tentei entrar com a mesma mentalidade e espírito. Eu tive ajuda dos treinadores e surfistas melhores do mundo e só fiz o que eles disseram que era para fazer e deu tudo certo. Em poucos dias, acho que a Red Bull vai publicar o meu nível no surfe, então vocês vão ver logo, em breve.
Ser porta-bandeira do Brasil na Olimpíada:
Acredito que pode ser, acho que pode ser, sim. Eu tenho sonhos grandes e não tenho medo de falar isso. Se eu não quisesse me tornar em um esquiador extraordinário, eu nunca começaria.
Morar no Brasil:
Sim, em algum dia eu venho. Não sei quando. Não posso falar Rio de Janeiro porque minha família vai ficar com muita raiva, sabe? Mas quero viver perto do mar, fazer surfe todo dia. Sempre vou querer viver uma vida esportiva, perto da natureza. A natureza é algo muito importante para mim. Na Noruega e no Brasil sempre estive conectado com natureza, então, para mim, é muito importante. Sempre foi meu sonho poder morar no Brasil um dia, só que minha carreira não me deixa porque esse trabalho é muito pesado, difícil.
Meu patrocinador está na Europa e nos Estados Unidos. Agora está ganhando espaço aqui no Brasil também, mas muitos dos meus projetos criativos e esportivos estão na Europa. Então, também quando não estou competindo, preciso estar na Europa para fazer trabalhos de mídia e dos meus projetos criativos com meus patrocinadores, que estão me ajudando nestes projetos. Portanto, enquanto estiver esquiando, eu vou precisar morar na Europa. Mas vai chegar o dia que só vou querer comer brigadeiros, pão de queijo e beber guaraná todos os dias.
Ser reconhecido no Brasil:
Está melhorando. Aconteceram quatro ou cinco vezes neste ano aqui no Brasil, então no próximo ano serão dez e, depois, vinte. É uma jornada. Então, foi muito bacana. Fiquei um pouco no Rio de Janeiro, em um lugar tão tropical, e encontrei pessoas que me perguntaram se eu era o esquiador. Fiz algumas fotos. São encontros muito especiais porque são experiências que representam a mudança que estou tentando trazer. Isso é uma coisa incrível.