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Emanuel Rego fala de ouro olímpico, legado e futuro do esporte brasileiro



Em entrevista especial que encerra as comemorações de 10 anos do OTD, campeão olímpico relembra a carreira, fala sobre o peso de se tornar referência e detalha o trabalho atual como diretor-geral do COB



Poucos atletas brasileiros podem falar sobre os Jogos Olímpicos com a experiência de Emanuel Rego. Um dos maiores nomes da história do vôlei de praia, ele disputou cinco edições, conquistou três medalhas e chegou ao ponto mais alto do pódio em Atenas-2004. Duas décadas depois daquele ouro, a relação com o esporte continua, agora fora das quadras.

Em uma entrevista especial ao Olimpíada Todo Dia, que encerra as comemorações pelos 10 anos do portal, Emanuel conversou com Fernando Gavini e Gabriel Gentile sobre carreira, títulos, parcerias, aposentadoria e gestão esportiva. O atual diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil também falou sobre a responsabilidade que acompanha um campeão olímpico e definiu os Jogos como um ambiente especial.

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“Porque ser campeão olímpico é você ser exemplo o tempo inteiro, você tentar passar a sua experiência, você conduzir outros para ser campeão. Então, eu considero as Olimpíadas como se fosse um toque mágico, uma coisa que não é para todo mundo.”

A reflexão aparece logo no início da edição final da entrevista e resume uma das principais ideias da conversa: para Emanuel, a medalha representa mais do que o resultado conquistado dentro da quadra. Ela também traz responsabilidade sobre aquilo que o atleta passa a representar depois da vitória.

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Do início no vôlei ao ouro olímpico

A trajetória de Emanuel no esporte começou no vôlei de quadra. Ainda jovem, ele tentou uma convocação para a seleção brasileira de base, mas ficou fora da lista. A decepção acabou mudando o rumo da carreira.

Aos 19 anos, saiu de Curitiba para Vitória e decidiu investir de forma definitiva no vôlei de praia. Na entrevista, Emanuel identifica exatamente aquele episódio como a virada da carreira: “E ali essa decepção fez com que eu mudasse. Não, agora eu vou investir no vôlei de praia.”

A escolha o levou a acompanhar praticamente toda a transformação da modalidade. Emanuel viveu o período em que o vôlei de praia ainda buscava espaço no programa olímpico, participou da estreia em Atlanta-1996 e, oito anos depois, conquistou o ouro em Atenas ao lado de Ricardo Santos.

A parceria com Ricardo ocupa boa parte da conversa. Emanuel fala sobre a preparação para 2004, a construção de uma dupla duradoura e a capacidade de manter resultados durante vários anos. Em Pequim-2008, os dois voltaram ao pódio com o bronze.

Depois, ao lado de Alison Cerutti, Emanuel chegou à terceira medalha olímpica. A dupla conquistou a prata em Londres-2012 após uma final decidida nos últimos pontos.

Alison, aposentadoria e as relações construídas no esporte

A história com Alison também revela como a aposentadoria de Emanuel foi sendo adiada. Depois de Pequim-2008, ele já havia começado a se preparar para deixar as quadras. Estudava gestão, organizava a vida pessoal e planejava uma nova etapa profissional.

O convite de Alison mudou os planos. A parceria começou em 2010 e rapidamente produziu resultados. Em 2011, os dois conquistaram Mundial, Jogos Pan-Americanos, Circuito Mundial e Brasileiro antes de chegarem como favoritos aos Jogos de Londres.

Mesmo após a prata de 2012, Emanuel ainda tentou um último ciclo olímpico. Reuniu-se novamente com Ricardo e disputou a classificação para o Rio-2016. A vaga não veio, e ele decidiu encerrar a carreira aos 43 anos.

Outro trecho da entrevista passa pelas relações construídas ao longo de mais de duas décadas no alto rendimento. Emanuel recorda o que aprendeu com Zé Marco, Loyola, Ricardo e Alison. Para ele, cada parceria deixou ensinamentos que ainda utiliza atualmente na gestão esportiva.

A conversa também entra na vida pessoal. Emanuel fala da relação com a ex-jogadora de vôlei e atual senadora Leila Barros e brinca com o número de medalhas olímpicas dentro de casa. Juntos, os dois somam cinco pódios nos Jogos.

“Eu não quero ser considerado ex-atleta”

A transição para a gestão não começou apenas depois da aposentadoria. Emanuel contou que, ainda durante a preparação para Londres-2012, já cursava Marketing e buscava formação para a carreira seguinte.

A motivação era clara.“No momento que eu parar de jogar, eu não quero ser considerado ex-atleta.”

Segundo Emanuel, a intenção sempre foi construir uma segunda identidade profissional. Ele fez cursos oferecidos pelo COB, estudou Marketing e Educação Física, passou pelo Fluminense, trabalhou no Ministério do Esporte e seguiu acumulando experiências até chegar ao cargo de diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil.

No COB, Emanuel explica que o diretor-geral participa das políticas internas, da representação institucional, do relacionamento com as confederações e também da interlocução internacional com entidades como o Comitê Olímpico Internacional e a Panam Sports.

A mudança de perspectiva também alterou a forma como ele enxerga resultados. Na entrevista, Emanuel afirma que hoje não observa apenas a quantidade de medalhas, mas também a evolução dos atletas de um ciclo para outro.

Los Angeles-2028 e o futuro do esporte brasileiro

O futuro do esporte brasileiro também aparece na parte final da entrevista. Questionado sobre a renovação da geração que ganhou espaço a partir do ciclo do Rio-2016, Emanuel explicou que o COB acompanha resultados nacionais e internacionais de forma contínua.

Ao falar de Los Angeles-2028, evitou estabelecer uma meta fechada de medalhas. Segundo ele, a gestão trabalha com projeções e acompanhamento de desempenho, além de investimentos de longo prazo.

Emanuel também detalhou como funciona parte da distribuição de recursos recebidos pelo COB. De acordo com a explicação dada na entrevista, existe um piso para as confederações e critérios relacionados a governança e resultados esportivos. Há ainda programas específicos destinados a modalidades e atletas com projeção internacional.

Na reta final, o campeão olímpico resumiu o objetivo que pretende perseguir como dirigente. “Acho que essa é a minha missão também, fazer com que o atleta tenha o que ele merece e saber que tem gestores bons, capacitar gestores nas confederações, no próprio COB para que a gente possa entregar mais.” E completou: “Espero que a gente consiga ter mais resultados do que os anos anteriores.”

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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