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Em meio à execução fiscal da Confederação Brasileira de canoagem, Ana Sátila, Pepê Gonçalves e Isaquias Queiroz querem união pelo bem da modalidade

Canoagem Slalom

Atletas pregam por união em meio à execução fiscal da Confederação

Com dívida “impagável” de mais de R$5 milhões, CBCa esclarece situação e atletas pedem união em prol da canoagem

(Gaspar Nóbrega/COB)

Atletas pregam por união em meio à execução fiscal da Confederação

Na semana passada, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) comunicou o encerramento de suas atividades administrativas e a demissão do quadro de funcionários em meio a uma execução judicial que irá bloquear as contas da entidade. Em meio à crise, a entidade realizou uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20), em que esclareceu a situação e contou com a presença de Isaquias Queiroz, Ana Sátila, Pepê Gonçalves e Fernando Rufino, os principais nomes da modalidade atualmente, pregando por união entre os atletas e todos os envolvidos.

O processo em questão é relacionado ao não-recolhimento de ISS (Imposto Sobre Serviços) na obtenção de recursos através de leis de incentivo pela entidade (entenda melhor sobre o caso abaixo). E além deste, já executado, a Confederação Brasileira de Canoagem aparece como executada em outras 13 ações semelhantes. O valor gira em torno dos R$6 milhões, montante impagável pela entidade, que não recebe recursos públicos por causa da dívida e também não tem patrocínio privado.

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“Situação muito difícil. Confesso que foi um choque muito grande. Me entristece que seja nesse momento tão importante da canoagem, de tantos resultados, clubes crescendo. Mas acho que a união vai fazer a diferença nesse momento. A gente continuar junto, trabalhando pelo bem da canoagem entre os clubes e os próprios atletas… Falta essa união, de todos trabalharem juntos pelo bem e não o contrário. A canoagem já passou muita coisa, sobreviveu a muitas tempestades e precisamos focar. Tenho esperança que a gente vai conseguir sair dessa”, pontuou Ana Sátila.

“A gente está no auge da canoagem brasileira. Temos um poder nas nossas mãos de não só fazer campeões, mas de motivar a nova geração. Só que tudo isso fica mais difícil com tudo o que está acontecendo. É algo que foi feito errado lá atrás. Tem que pagar, mas a gente quer também que seja justo. É um pouco mais difícil agora colocar a cabeça no travesseiro sem ter uma perspectiva se daqui três meses a gente vai ter um centro de treinamento para treinar por conta disso. Então é o momento de a gente se unir, presidência, atletas e até a mídia. A gente só quer entrar na água, motivar a nova geração e fazer com que a canoagem brasileira cresça e consiga alcançar o lugar que sempre mereceu estar”, completou Pepê Gonçalves.

Vale lembrar que canoagem vem de recentes conquistas históricas, quando Isaquias Queiroz conquistou o primeiro ouro olímpico da modalidade em Tóquio, e Fernando Rufino foi campeão paralímpico e Mundial.

Preocupação com a base

A situação da CBCa, no entanto, não deve afetar os atletas de elite, que já eram bancadas, em grande parte, pelos comitês Olímpico e Paralímpico do Brasil. Em contato com a reportagem do OTD, o COB disse que “está em contato com a Confederação Brasileira de Canoagem para avaliar de que forma pode seguir contribuindo com a preparação dos atletas brasileiros e com a manutenção das ações esportivas relacionadas ao planejamento estratégico da entidade”.

Desta forma, a maior preocupação de Jonatan Maia, presidente da entidade máxima da canoagem, é com a base. “Minha preocupação é com a base. Precisamos ter novos atletas e eles precisam ser fomentados. A canoagem brasileira tem prejuízo, mas há tratativas com o Comitê Olímpico e Paralímpico para a manutenção. Logicamente, eles têm foco no alto rendimento. Mas não adianta chegar daqui a dois ou três ciclos olímpicos e não ter formado novos atletas. Essa é uma grande preocupação”.

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A CBCa, inclusive, já anunciou o adiamento do Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e a Copa Brasil de Paracanoagem. Já o Campeonato Brasileiro de Canoagem Slalom, marcado para os dias 08 a 10 de outubro em Três Coroas (RS), ainda será reavaliado. Mas Isaquias Queiroz ainda quer dar um jeito de realizar a competição.

“É muito triste ver a canoagem desse jeito, ainda mais depois dos resultados que tivemos nos Jogos. Espero que isso acabe logo para que nós atletas possamos treinar, com tranquilidade. Acredito que alguém possa ajudar a canoagem, patrocinadores, empresas privadas a quitar essa dívida. Estamos vendo algum jeito de realizar o Campeonato Brasileiro para poder que os atletas possam ter suas medalhas, serem campeões e garatirem suas bolsas [atleta] para os atletas mais novos, da base não perderem o incentivo para eles ficarem no esporte”.

Entenda o caso

As dívidas em questão são oriundas da captação de recursos via bingos no passado, quando atividade era autorizada no Brasil. Assim, entre o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, algumas confederações, como a da canoagem, recebiam parte dos lucros de algumas dessas casas de aposta em forma de patrocínio, através de seu CNPJ.

Segundo o atual presidente da CBCa, Jonatan Maia, o bingo tinha uma administradora, que deveria fazer o processo de gerencimento da casa de aposta, com seus devidos recolhimentos de impostos. A Confederação, no entanto, foi notificada que havia um processo em 2005, em que os recolhimentos de ISS não foram pagos pelo bingo. E de lá para cá, a entidade vem respondendo por esse processo, em que o valor está em quase R$ 6 milhões.

Com a execução do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, as contas da CBCa serão congeladas em um futuro próximo, mas sem data definida. Por isso, a entidade decidiu desligar seu quadro de funcionários para poder pagar os devidos direitos trabalhistas e não gerar dívidas com os comitês Olímpico e Paralímpico enquanto os recursos ainda estão disponíveis.

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