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Blog da Lyanne Kosaka

Mattias Falck, surpreendente finalista no Mundial de 2019

Honrando a tradição da Suécia, em 2019 o mesatenista sueco Mattias Falck foi o primeiro a chegar a uma decisão do Mundial desde o título de Waldner em 1997

O sueco Mattias Falck em ação
Mattias Falck (Rémy Gros/ITTF)

Na lista dos finalistas dos 5 últimos mundiais, um nome destoa: o do mesatenista sueco Mattias Falck. Ou seja, o vice-campeão na edição de 2019 em Budapeste, Hungria, é um “intruso” nesta lista dominada por mesatenistas chineses. E honrando a tradição do país escandinavo, Falck foi o primeiro sueco a chegar numa decisão do Mundial desde 1997 – quando Jan-Ove Waldner subiu ao lugar mais alto do pódio em Manchester, Inglaterra.

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O mesatenista sueco chegou no top 100 em outubro de 2015. E em junho de 2019 ele aparecia no Top 10, o que é especial. E no ranking mais recente (semana #46), apenas 3 não-asiáticos figuram entre os 10 melhores do mundo: Hugo Calderano (5º), D. Ovtcharov (8º) e o próprio Falck (em 10º lugar).

Portanto, não é pouca coisa o que conseguiu o sueco Falck. Um diferencial no estilo dele é o uso de pino curto no forehand, combinado a uma borracha lisa no backhand. Sobre este e outros temas, reproduzo abaixo parte da entrevista que o mesatenista deu à Compass neste ano antes de Tóquio-2020, cuja versão em inglês pode ser encontrada aqui.

Pontos de melhoria

Mattias Falck, o que busca aperfeiçoar no seu jogo? “Há muitas melhorias a fazer. Sou bom em trocas de bolas, mas como uso pino baixo no forehand, minha primeira bola de ataque às vezes é lenta, o que torna um pouco mais fácil para meus oponentes contra-atacarem. É por isso que tento melhorar meus ataques iniciais de forehand. Levei algum tempo para amadurecer e me adaptar ao tênis de mesa adulto. Meu ponto forte sempre foi colocar a bola com segurança na mesa. Para me firmar entre os maiores, tive que me tornar mais agressivo e jogar com mais intensidade, mas ao mesmo tempo com uma boa dose de regularidade. Com meu sistema de jogo, não posso buscar apenas a regularidade. Tenho que correr riscos, mas é claro que cometendo o mínimo de erros possível.”

O mesatenista sueco Mattias Falck diante do chinês Ma Long
O mesatenista sueco Mattias Falck encara o tricampeão mundial (2015, 2017 e 2019), o chinês Ma Long (foto: Rémy Gros/ITTF)

Top 10

Você chegou ao Top 10 com quase 28 anos. Acha que poderia ter estado lá antes? “Acho que cada um tem sua jornada e sempre há muitas coisas que influenciam nossas carreiras. Me considero sortudo por ter tido bons técnicos em todas as fases da minha carreira no tênis de mesa na Suécia – em Lyckeby, onde comecei, em Köping, onde estudei, e em Halmstad, onde tenho estado nos últimos dez anos. Ou seja, sempre tive pessoas ao meu redor que me apoiaram e acreditaram em mim, além da minha esposa, é claro. Algo que lamento é ter começado tarde o treinamento físico com pesos. Ainda tenho muito a melhorar nesta área.”

Uma coisa é chegar ao Top 10, outra é ficar lá. Você tem se mantido entre os melhores por dois anos até agora… como consegue? “Meu material e meu estilo de jogo são uma grande vantagem para mim, isto é: com pino baixo no forehand e uma borracha lisa no backhand. Bem poucos usam esta combinação. Ainda que eu seja mais estudado pelos meus adversários, eles ainda têm que jogar muito contra esse material e tipo de jogo para se acostumarem. E não há no tênis de mesa muitos no meu estilo. Portanto, ainda é muito desconfortável para os adversários que a bola saia do meu backhand com efeito e quique “normalmente”, mas muito mais baixa e com efeito contrário quando sai do forehand. Eles estão acostumados a um ritmo completamente diferente.”

Adversários chineses e a bola de plástico ABS

Mattias Falck, a bola de plástico ABS é uma vantagem ou desvantagem para você? “É uma vantagem. Para ser honesto, estou um pouco surpreso que não haja mais atletas que usem pino baixo no tênis de mesa masculino. A primeira bola de plástico quicava muito plana, tornando muito difícil a devolução das bolas quando os oponentes jogavam topspins baixos no meu forehand. Como meus pinos têm menor aderência em comparação às borrachas lisas, não posso contra-atacar com o topspin. Eu conseguia mais ou menos colocar a bola na mesa. Já a bola de plástico ABS quica um pouco mais alto e gira menos. Isso permite que eu já saia atacando, ou seja, jogando de maneira mais forte e agressiva.”

E o que tem a dizer sobre os chineses? “Eles são os favoritos e claro que são muito bons. Mas venci Xu Xin no ano passado (no WTT Macau) e tive um set point para levar o jogo para o sétimo e decisivo set contra Ma Long. Acho que eles me respeitam. Tenho que ficar sempre firme na mesa e pressioná-los.”

Tóquio-2020 e Campeonato Europeu

Em junho deste ano, o mesatenista sueco Mattias Falck chegou às semifinais do Campeonato Europeu de Tênis de mesa, onde foi eliminado pelo eventual campeão Timo Boll.

Em Tóquio-2020, sua segunda participação olímpica, Falck perdeu entre os 16 na chave individual para o egípcio Omar Assar. No evento por equipes, a Suécia venceu os EUA na 1ª rodada, mas caiu diante do Japão nas quartas-de-final.

E por fim, uma curiosidade: por que Mattias Karlsson adotou “Falck”, o sobrenome da esposa? Em entrevista à ITTF, ele explicou: “É que minha esposa tinha o sobrenome da mãe, que morreu há dois anos de Alzheimer. Então eu mudei para honrar a mãe dela, e desde então tenho jogado muito bem como Falck… então acho que este sobrenome é muito melhor!”

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