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Bem-Estar Todo Dia

 

Por que você anda muito mais nas férias sem perceber?



Entenda por que viagens podem aumentar naturalmente seus passos e movimentos e conheça o conceito de NEAT, o gasto energético fora do exercício.



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Você viaja, passa o dia conhecendo lugares, entra em um museu, atravessa uma praça, procura um restaurante, visita uma loja e volta para o hotel no fim da noite.

Quando olha o celular, percebe que caminhou muito mais do que em um dia normal de trabalho.

Mas como isso acontece se você não fez nenhum treino?

A resposta está em uma diferença importante entre exercício e atividade física.

Nem todo movimento precisa acontecer dentro de uma academia, em uma corrida ou durante uma sessão planejada. Caminhar para conhecer um destino, subir escadas, carregar uma pequena bagagem ou atravessar uma estação também exige movimento e gasto de energia.

A Organização Mundial da Saúde considera caminhada, ciclismo, deslocamentos, lazer, tarefas domésticas e atividades do cotidiano como formas de atividade física. A entidade também destaca que substituir tempo sedentário por movimento de qualquer intensidade traz benefícios à saúde.

É por isso que uma viagem pode fazer o corpo se movimentar muito mais sem que a pessoa tenha a sensação de estar treinando.


Mais sobre treino

As férias mudam a maneira como você se desloca

Na rotina, muitas pessoas organizam o dia em torno de meios de transporte.

Carro, ônibus, metrô ou aplicativo podem levar alguém praticamente de porta em porta.

Em uma viagem, a lógica costuma mudar.

O hotel pode estar a algumas quadras do restaurante.

O ponto turístico pode exigir uma caminhada.

Uma estação pode ficar distante da atração.

O visitante pode decidir explorar uma rua que parece interessante ou caminhar até o próximo bairro.

Cada deslocamento acrescenta alguns minutos de movimento.

Separadamente, eles parecem insignificantes.

Somados, podem representar uma quantidade considerável de caminhada ao longo do dia.

O passeio vira atividade física sem parecer exercício

Certamente, esse é um dos aspectos mais fascinantes da rotina de viagens. Afinal, quando alguém sai de casa especificamente para correr, existe uma intenção deliberada de praticar um exercício. Por outro lado, durante um passeio turístico, a motivação principal é completamente diferente. Isso porque a pessoa deseja alcançar um museu, explorar uma praça, encontrar um restaurante ou caminhar por uma feira local. Nesse contexto, o movimento corporal surge como uma simples consequência da experiência. Portanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece esse tipo de deslocamento como atividade física legítima. Ou seja, o nosso organismo não diferencia a caminhada feita rumo a um ponto turístico daquela realizada apenas para se exercitar. Dessa forma, o gasto de energia e os benefícios para a saúde continuam acontecendo de forma natural.

É aí que entra o NEAT

Existe um conceito chamado NEAT, sigla em inglês para non-exercise activity thermogenesis, ou termogênese relacionada às atividades que não são exercício estruturado.

Ele engloba a energia utilizada em movimentos que não são dormir, comer ou realizar exercícios planejados.

Caminhar até o trabalho, realizar tarefas domésticas, ficar em pé, movimentar-se durante o dia e até alguns movimentos espontâneos entram nessa categoria.

Durante as férias, o NEAT pode ganhar espaço justamente porque a rotina muda.

A pessoa pode passar menos tempo sentada e mais tempo explorando o ambiente.

Não é necessário fazer uma sessão formal de exercício para que isso aconteça.

O turista costuma ficar menos tempo parado

Pense em um dia comum de trabalho.

A pessoa acorda, toma café, entra no carro ou no transporte público, passa várias horas trabalhando sentada, volta para casa e passa parte da noite novamente sentada.

Agora compare com um dia de férias.

Depois do café, ela sai do hotel.

Caminha até uma atração.

Fica algum tempo em pé.

Percorre corredores de um museu.

Anda até o almoço.

Continua o passeio.

Entra em uma loja.

Caminha novamente.

Volta para o hotel.

Mesmo sem um treino formal, o tempo total em movimento pode ser muito maior.

Isso também ajuda a explicar por que a sensação de cansaço físico pode aparecer no fim de um dia de turismo.

Os passos se acumulam

É comum pensar na caminhada como uma atividade que precisa ser feita de uma só vez.

Mas o organismo também responde ao movimento acumulado ao longo do dia.

Uma caminhada de dez minutos até um restaurante.

Mais quinze minutos até uma atração.

Outros vinte minutos durante um passeio.

Mais alguns minutos para chegar à estação.

Nenhum desses períodos parece um treino.

Juntos, eles formam uma quantidade relevante de atividade física.

A OMS ressalta justamente que a atividade física pode acontecer em diferentes contextos — transporte, lazer, trabalho e tarefas do cotidiano — e não apenas durante exercícios planejados.

E subir escadas também entra nessa conta

Viagens frequentemente colocam as pessoas em situações nas quais elas sobem mais escadas.

Estações de trem e metrô.

Mirantes.

Hotéis.

Museus.

Prédios históricos.

Atrações turísticas.

Quando existe elevador ou escada rolante, muitas pessoas escolhem a opção mais conveniente.

Mas, quando a escada é o caminho disponível, o corpo precisa realizar um esforço adicional.

Subir escadas normalmente exige mais esforço do que caminhar em uma superfície plana porque envolve elevar o corpo contra a gravidade.

Por isso, pequenos trechos de escada podem aumentar a intensidade do movimento durante um dia de passeio.

O destino também determina quanto você anda

Nem toda viagem produz o mesmo nível de movimento.

Uma viagem na qual o visitante permanece dentro de um resort e utiliza transporte para praticamente todos os deslocamentos será diferente de uma viagem em que a pessoa explora uma cidade caminhando.

O desenho urbano também influencia.

Cidades com atrações concentradas em determinadas regiões podem favorecer deslocamentos a pé.

Destinos nos quais as atrações estão muito distantes umas das outras podem exigir mais transporte.

O tipo de roteiro também conta.

Uma viagem de praia pode ter bastante movimento se envolver caminhadas pela orla, trilhas e atividades recreativas.

Uma viagem cultural pode envolver horas andando por centros históricos e museus.

Não existe uma quantidade universal de passos que toda viagem precisa alcançar.

Isso significa que caminhar nas férias substitui o exercício?

Não necessariamente.

Esse é um ponto importante.

Caminhar mais durante uma viagem pode aumentar a quantidade total de atividade física, mas isso não significa automaticamente que todas as necessidades de exercício estejam atendidas.

A OMS recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou uma quantidade equivalente de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana.

Uma viagem com muitas caminhadas pode contribuir para esse volume.

Mas a intensidade e a duração das caminhadas variam.

Além disso, o fortalecimento muscular continua tendo uma função própria.

Portanto, caminhar muito nas férias é positivo, mas não precisa ser tratado como substituto universal de todas as formas de atividade física.

E se a caminhada for leve?

Ainda assim existe movimento.

A OMS destaca que substituir comportamento sedentário por atividade física de qualquer intensidade proporciona benefícios.

Isso é especialmente interessante para quem passa muitas horas sentado.

Uma caminhada tranquila entre duas atrações pode não produzir o mesmo estímulo cardiovascular de uma corrida.

Mas ainda representa uma mudança em relação a permanecer sentado.

E, ao longo de um dia inteiro, diferentes períodos de movimento podem se acumular.

Por que o corpo pode sentir tanto no fim do dia?

Existe uma explicação simples: você provavelmente fez muito mais do que imaginava.

Quem está acostumado a passar grande parte do dia sentado pode perceber bastante diferença depois de horas caminhando.

Pés cansados.

Panturrilhas pesadas.

Pernas fatigadas.

Sensação de que o corpo precisa descansar.

Isso não significa necessariamente que algo esteja errado.

Pode ser simplesmente uma resposta ao aumento repentino do volume de movimento.

É semelhante ao que pode acontecer quando alguém que normalmente não caminha muito passa um dia inteiro visitando um destino turístico.

O turista também muda de posição constantemente

Não é apenas a caminhada.

Durante um passeio, a pessoa pode levantar e sentar várias vezes.

Entrar e sair de veículos.

Subir e descer escadas.

Ficar em pé em filas.

Abaixar-se para observar alguma coisa.

Carregar pequenas compras.

Caminhar por terrenos diferentes.

Todos esses movimentos fazem parte do gasto energético cotidiano.

O conceito de NEAT justamente chama atenção para esse conjunto de atividades que normalmente não classificamos como exercício, mas que participam do gasto energético diário.

Uma viagem pode revelar o quanto sua rotina é sedentária

Esse talvez seja um dos efeitos mais interessantes.

Durante as férias, uma pessoa pode perceber que consegue passar horas se movimentando.

Depois, ao voltar ao trabalho, retorna para uma rotina na qual permanece sentada durante grande parte do dia.

A diferença pode ser surpreendente.

O problema não é passar algum tempo sentado.

Sentar faz parte da vida cotidiana.

A questão é acumular longos períodos de comportamento sedentário.

A OMS recomenda limitar esse tempo e substituí-lo, sempre que possível, por atividade física de qualquer intensidade.

As férias podem mostrar, na prática, que existem muitas oportunidades de movimento escondidas na rotina.

O celular pode ser um aliado nessa descoberta

Aplicativos de smartphones e relógios inteligentes conseguem registrar passos, distância percorrida e outras métricas.

Durante uma viagem, acompanhar esses dados pode ser uma maneira interessante de perceber a quantidade de movimento que normalmente passa despercebida.

A pessoa pode sair do hotel imaginando que fez apenas um passeio turístico e terminar o dia com uma quantidade de passos muito maior do que costuma registrar.

Mas é importante não transformar esse número em uma meta universal.

Não existe uma quantidade de passos que determine sozinha se um dia foi saudável.

O contexto individual importa.

Mais movimento não significa ignorar o descanso

Também é importante não cair no extremo oposto.

Uma viagem não precisa ser uma competição para descobrir quantos passos o celular consegue registrar.

Descanso também faz parte da experiência.

Depois de um dia longo, dormir bem e recuperar-se pode ser mais importante do que insistir em completar determinado número de passos.

O objetivo não é transformar férias em treinamento.

É perceber que movimento pode acontecer naturalmente quando a rotina oferece oportunidades.

Como aproveitar esse movimento sem transformar a viagem em treino?

Não é necessário planejar cada caminhada.

Algumas escolhas simples podem aumentar naturalmente o movimento:

  • caminhar quando o destino estiver próximo;
  • explorar regiões turísticas a pé quando for seguro e viável;
  • usar escadas quando isso fizer sentido;
  • fazer pequenas caminhadas durante períodos de espera;
  • escolher atividades que envolvam movimento;
  • alternar períodos de passeio com momentos de descanso.

A ideia é aproveitar as oportunidades que já existem no roteiro.

O turismo pode colocar o corpo em movimento

Essa é uma das características mais interessantes das viagens.

Você não precisa necessariamente procurar uma academia no destino para se movimentar.

Conhecer uma cidade pode significar caminhar.

Visitar um parque pode significar percorrer trilhas.

Conhecer um centro histórico pode envolver horas andando.

Explorar uma região litorânea pode incluir caminhadas pela orla.

Tudo isso pode aumentar a quantidade de atividade física acumulada ao longo do dia.

A OMS reconhece que atividade física acontece justamente em diferentes dimensões da vida, incluindo lazer e transporte.

O corpo não sabe que você está de férias

Para o organismo, não importa se a caminhada aconteceu porque você decidiu fazer exercício ou porque estava procurando uma cafeteria.

O músculo contrai.

As articulações se movimentam.

O coração aumenta sua atividade conforme a intensidade.

Energia é utilizada.

A diferença está na intenção.

Durante um treino, o movimento é planejado.

Durante uma viagem, ele pode simplesmente acontecer.

E talvez seja justamente essa uma das melhores características do turismo esportivo e ativo: o movimento pode fazer parte da experiência sem precisar ocupar o lugar de protagonista.

Talvez você não esteja fazendo mais exercício — esteja simplesmente se movimentando mais

No fim, aquela sensação de ter caminhado muito durante as férias tem uma explicação.

A viagem altera a rotina.

Você pode passar menos tempo sentado, caminhar mais para se deslocar, subir escadas, permanecer em pé e explorar lugares a pé.

Esse conjunto de movimentos aumenta a atividade física cotidiana e pode contribuir para o gasto energético diário. O conceito de NEAT ajuda a explicar justamente essa parcela de movimento que acontece fora do exercício estruturado.

Por isso, uma das melhores maneiras de enxergar as férias talvez seja esta:

você não precisa transformar a viagem em treino para fazer o corpo se movimentar mais.

Às vezes, basta sair do hotel, escolher um caminho diferente e deixar que o próprio destino faça parte da atividade física.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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