O último furo do tênis de corrida costuma ficar vazio. Posicionado um pouco mais atrás dos demais, ele permite fazer a chamada trava de calcanhar, também conhecida como “runner’s loop” ou “heel lock”.
A técnica aproxima a parte superior do tênis do tornozelo e pode reduzir o movimento do calcanhar dentro do calçado. Isso ajuda quando o pé desliza para a frente, a parte traseira fica solta ou surgem atritos e bolhas durante a corrida.
A amarração, porém, deve melhorar um ajuste que já está próximo do adequado. Quando o tênis é curto, estreito, largo demais ou possui um formato incompatível com o pé, mudar o caminho do cadarço não resolve completamente o problema.
Para que serve o furo extra do tênis?
Muitos tênis possuem um último par de ilhoses próximo ao tornozelo. Eles permitem criar duas pequenas alças com o próprio cadarço.
Ao passar uma ponta pela alça do lado oposto e puxá-la, a tensão se concentra na parte superior do calçado. Com isso, o calcanhar tende a ficar mais firme, sem exigir que toda a região do peito do pé seja apertada.
A REI explica que muitos modelos incluem espaço e comprimento de cadarço justamente para permitir essa configuração. A técnica também pode evitar que os dedos deslizem repetidamente em direção à frente do tênis.
Como fazer a trava de calcanhar
O processo pode ser feito em poucos passos:
- amarre o tênis normalmente até o penúltimo furo;
- passe cada ponta do cadarço pelo último furo do mesmo lado;
- deixe uma pequena alça entre os dois últimos furos;
- cruze as pontas;
- passe cada ponta por dentro da alça do lado oposto;
- puxe os cadarços para cima e para trás;
- faça o laço normalmente.
A tensão deve firmar o calcanhar sem causar dor ou comprimir excessivamente o tornozelo. Antes de correr, caminhe por alguns minutos e observe se o pé continua confortável.
Caso apareçam dormência, formigamento, dor ou pressão intensa, desfaça a trava ou reduza a tensão.
Calcanhar firme não significa cadarço muito apertado
Apertar todos os cruzamentos ao máximo pode criar outro problema. A língua do tênis e o cadarço pressionam a parte superior do pé, região por onde passam tendões, vasos e estruturas sensíveis.
Pequenos estudos de laboratório mostram que a quantidade de furos utilizados e a tensão dos cadarços alteram a pressão sobre o pé, a sensação de estabilidade e alguns parâmetros biomecânicos durante a corrida. As pesquisas, porém, envolveram poucos participantes e não permitem afirmar que uma técnica previna lesões de forma isolada.
O objetivo é distribuir a pressão. O tênis deve permanecer firme no meio do pé e no calcanhar, mas sem impedir o movimento dos dedos ou criar um ponto doloroso.
Amarração em janela alivia o peito do pé
Quando existe pressão em uma área específica da parte superior do pé, a chamada amarração em janela pode ajudar.
Nesse método, o corredor identifica os furos próximos ao incômodo. Em vez de cruzar os cadarços naquele trecho, passa cada lado diretamente para o furo seguinte, formando uma área sem cruzamento sobre o ponto sensível. Depois, retoma a amarração convencional.
A técnica não exige deixar todo o tênis frouxo. Ela apenas retira pressão de uma região localizada.
Para pés com o peito mais alto, uma adaptação semelhante pode ser feita no meio do tênis. Já quem possui a parte dianteira mais larga pode deixar os primeiros cruzamentos mais soltos ou utilizar menos furos naquela área.
O cadarço não deve apertar os dedos
Os dedos precisam de espaço para se movimentar e acomodar o aumento natural do volume do pé durante corridas mais longas. Se eles encostam constantemente na frente, o problema pode estar no tamanho ou no formato do tênis, e não apenas na amarração.
A trava de calcanhar pode reduzir o deslizamento para a frente. No entanto, ela não aumenta o comprimento interno do calçado. Unhas doloridas, bolhas recorrentes, pressão nas laterais ou dedos comprimidos indicam que o ajuste geral precisa ser revisto.
A Asics também apresenta técnicas que criam mais espaço no antepé ou diminuem a pressão sobre os dedos, mas destaca que essas mudanças não corrigem um tênis inadequado para o tamanho e o formato do pé.
Teste a amarração antes da prova
Uma nova configuração deve ser experimentada em treinos curtos. Durante a corrida, observe se o cadarço permanece firme, se o calcanhar deixou de escapar e se surgiu pressão em outro ponto.
Também vale ajustar cada pé separadamente. Pequenas diferenças de tamanho e volume entre os lados são comuns, e o mesmo nível de tensão pode não funcionar nos dois tênis.
Ao terminar, confira se ficaram marcas profundas, áreas avermelhadas ou dormência. A amarração adequada deve aumentar a segurança e o conforto, e não apenas deixar o calçado mais apertado.
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Sugestão de imagem: Corredor sentado antes do treino, fazendo a trava de calcanhar com o último furo do tênis em destaque.
Legenda da imagem: A trava de calcanhar usa o último par de furos para reduzir o movimento do pé dentro do tênis.
Texto alternativo: Pessoa faz a trava de calcanhar no cadarço de um tênis de corrida.
Referências
Asics. Guia de técnicas de amarração para tênis de corrida.
REI. Guia de trava de calcanhar e amarração em janela.
HAGEN, Marco et al. Estudos sobre padrões de amarração, pressão e biomecânica durante a corrida.
TEDESCHI, Roberto. Revisão sobre técnicas de amarração, conforto e mecânica dos pés. Applied Sciences, 2024.



