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Cansado, mas não vai dormir? Entenda por que você prolonga tanto a noite



Adiar voluntariamente a hora de deitar pode reduzir o tempo de descanso e criar um ciclo de cansaço, arrependimento e novas noites prolongadas.



Telas à noite- o guia simples para reduzir estímulos e dormir melhor

Você já percebeu que está exausto, sabe que precisa acordar cedo, mas ainda assim abre outro vídeo, começa mais um episódio ou continua rolando a tela do celular? Esse comportamento pode ser um exemplo de procrastinação do sono: o adiamento voluntário da hora de ir para a cama, mesmo quando não existe um impedimento externo importante.

Pesquisadores descrevem o fenômeno como a dificuldade de cumprir o horário pretendido para dormir. Em geral, a pessoa reconhece que o descanso seria a melhor escolha, mas mantém atividades que oferecem prazer imediato, distração ou sensação de liberdade. No dia seguinte, porém, chegam o cansaço e a promessa de deitar mais cedo — que muitas vezes não se concretiza.

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Procrastinação do sono não é o mesmo que insônia

A principal diferença está no momento em que o problema acontece. Na insônia, a pessoa tenta dormir, mas encontra dificuldade para iniciar ou manter o sono. Na procrastinação, ela ainda nem começou essa tentativa: permanece acordada por decisão própria, embora saiba que já deveria estar na cama.

Isso não significa que o comportamento seja sempre totalmente consciente ou fácil de controlar. No fim do dia, depois de uma rotina cheia de tarefas, cobranças e escolhas, pode ser mais difícil interromper atividades agradáveis. Vídeos, redes sociais, jogos e séries oferecem recompensas imediatas e acabam vencendo a intenção de dormir.

A procrastinação também não acontece apenas por causa do celular. Arrumar a casa, adiantar uma tarefa, ler, assistir à televisão ou iniciar qualquer atividade sem um ponto claro de encerramento pode prolongar a noite.

Por que é tão difícil encerrar o dia?

Um dos motivos é a sensação de que a noite representa o único período realmente livre. Quando o dia foi dominado por trabalho, estudos, cuidados com a casa ou outras obrigações, permanecer acordado pode parecer uma forma de recuperar tempo pessoal.

Esse comportamento ficou conhecido popularmente como “procrastinação vingativa do sono”. O nome, porém, não corresponde a um diagnóstico médico. Ele descreve a tentativa de preservar momentos de lazer e autonomia, ainda que isso reduza o tempo disponível para descansar.

Outro fator é a ausência de uma transição clara entre as atividades do dia e o sono. Sem um horário de encerramento, uma tarefa leva à seguinte. O celular intensifica esse processo porque oferece estímulos contínuos e não possui um ponto natural de parada.

A pessoa pode até estabelecer um horário para dormir, mas não define quando precisa começar a se preparar. Assim, quando percebe que já deveria estar na cama, ainda precisa tomar banho, guardar objetos, escovar os dentes ou organizar o dia seguinte.

Como quebrar o ciclo sem depender apenas da força de vontade

A primeira medida é tornar o horário de dormir mais concreto. Em vez de pensar apenas “preciso deitar cedo”, vale definir quando começa o encerramento da noite. Esse período pode incluir guardar o computador, reduzir as atividades, organizar o que será usado pela manhã e escolher algo tranquilo para fazer.

Também ajuda diminuir o número de decisões perto da hora de dormir. Deixar o carregador longe da cama, programar o modo noturno do aparelho ou estabelecer previamente qual será o último episódio cria limites antes que o cansaço aumente.

Outra estratégia é reservar algum lazer mais cedo. Quando todo o tempo pessoal fica concentrado no fim da noite, dormir pode parecer uma perda. Pequenos intervalos agradáveis ao longo do dia reduzem a sensação de que aquele é o único momento disponível para descansar ou se divertir.

Por fim, a mudança precisa ser realista. Antecipar o sono em 15 ou 20 minutos pode funcionar melhor do que tentar transformar toda a rotina de uma vez. O objetivo é repetir um ritual simples até que ele se torne o sinal de que o dia terminou.

Caso a dificuldade apareça mesmo depois de deitar, ocorra com frequência ou venha acompanhada de ronco intenso, pausas na respiração ou sonolência excessiva durante o dia, é importante procurar avaliação profissional. Nesses casos, pode existir um problema de sono diferente da procrastinação.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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