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Supersérie na musculação: quando juntar dois exercícios economiza tempo e quando atrapalha



Juntar dois exercícios em sequência pode deixar o treino mais rápido e dinâmico, desde que a técnica não seja sacrificada



Treino dividido ou corpo inteiro- o que funciona melhor?

Na musculação, uma das queixas mais comuns é a falta de tempo. Entre aquecimento, séries, pausas, troca de aparelhos e espera por equipamentos, o treino pode ficar mais longo do que o planejado. É nesse contexto que muita gente passa a usar a supersérie, uma estratégia que junta dois exercícios em sequência, com pouco ou nenhum descanso entre eles.

A ideia é simples: em vez de fazer uma série, descansar e repetir o mesmo exercício, a pessoa faz um exercício e emenda outro logo depois. Só então descansa. Isso pode economizar tempo, aumentar a sensação de intensidade e deixar o treino mais dinâmico.

Mas supersérie não é mágica. Ela pode ajudar em alguns casos e atrapalhar em outros. Quando mal escolhida, pode piorar a técnica, aumentar a fadiga rápido demais e fazer a pessoa treinar pior, não melhor.

O que é supersérie?

Supersérie é quando dois exercícios são feitos em sequência, com pausa pequena ou sem pausa entre eles. Depois dos dois movimentos, a pessoa descansa antes de repetir a combinação.

Um exemplo comum é fazer rosca bíceps e, em seguida, tríceps na polia. Outro exemplo é combinar supino com remada, cadeira extensora com mesa flexora, ou elevação lateral com abdominal.

Existem diferentes formas de montar uma supersérie. Uma delas junta músculos opostos, como bíceps e tríceps, peito e costas, quadríceps e posterior de coxa. Outra junta exercícios do mesmo grupo muscular, aumentando bastante a fadiga local. Também há combinações entre membros superiores e inferiores, usadas para deixar o treino mais fluido.

O ponto principal é que os dois exercícios precisam fazer sentido juntos. Não basta emendar qualquer coisa.

Quando ela ajuda

A supersérie pode ser útil quando o objetivo é economizar tempo sem abandonar o treino. Para quem tem uma janela curta na academia, juntar exercícios complementares pode reduzir o tempo parado e manter a sessão mais eficiente.

Ela também pode ajudar quem gosta de treinos mais dinâmicos e perde ritmo com pausas longas. Em exercícios mais simples, controlados e com carga moderada, a estratégia costuma funcionar melhor.

Combinar músculos opostos pode ser uma boa saída. Enquanto um grupo trabalha, o outro descansa parcialmente. Bíceps e tríceps, por exemplo, costumam funcionar bem nessa lógica. O mesmo pode valer para uma puxada e um empurrão, desde que a carga e a técnica estejam sob controle.

Outra possibilidade é usar supersérie em exercícios acessórios, no fim do treino. Depois dos movimentos principais, como agachamento, supino, remada ou levantamento terra, a pessoa pode juntar exercícios menores para ganhar tempo.

Quando pode atrapalhar

A supersérie começa a atrapalhar quando a pressa passa por cima da técnica. Se a pessoa termina o primeiro exercício muito cansada e já começa o segundo sem controle, o risco de compensar aumenta.

Isso é especialmente importante em exercícios pesados ou técnicos. Agachamento livre, levantamento terra, supino pesado, remadas muito exigentes e movimentos que dependem de muita estabilidade talvez não sejam boas escolhas para superséries em pessoas iniciantes.

Também pode atrapalhar quando dois exercícios disputam demais a mesma musculatura. Fazer um movimento até a exaustão e emendar outro do mesmo grupo pode ser interessante em treinos avançados, mas pode ser desnecessário para quem ainda está aprendendo.

Para iniciantes, o mais importante é dominar os exercícios, respirar bem, controlar a amplitude e entender o esforço. Se a supersérie deixa tudo apressado, ela não está ajudando.

Como escolher boas combinações

Uma boa supersérie deve preservar qualidade. Uma regra simples é juntar exercícios que não prejudiquem demais um ao outro.

Músculos opostos são uma combinação clássica: bíceps e tríceps, peito e costas, parte da frente e de trás da coxa. Outra opção é combinar um exercício de membros inferiores com um de membros superiores, como leg press e desenvolvimento, desde que o objetivo não seja levantar cargas máximas.

Também dá para juntar um exercício principal com um movimento leve de mobilidade ou ativação, mas sem transformar isso em um circuito cansativo demais.

O ideal é evitar combinações em que o primeiro exercício destrói a execução do segundo. Se depois de uma série de agachamento pesado a pessoa vai para outro movimento sem conseguir se posicionar direito, a combinação não vale a pena.

Quanto descansar?

Na supersérie, o descanso costuma vir depois dos dois exercícios. Ainda assim, ele não precisa desaparecer. Pausa curta demais pode derrubar o desempenho e transformar o treino em uma sequência de movimentos mal feitos.

A duração da pausa depende do objetivo, da carga e do nível de condicionamento. Para exercícios leves ou moderados, descansos menores podem funcionar. Para combinações mais pesadas, talvez seja necessário descansar mais.

O sinal mais importante é a técnica. Se a respiração ainda está completamente descontrolada ou a postura começa a falhar, vale esperar um pouco mais antes da próxima rodada.

Supersérie não é obrigação

Muita gente usa supersérie como se ela fosse sinal de treino avançado. Mas um treino tradicional, com séries e pausas bem feitas, continua sendo eficiente. A supersérie é apenas uma ferramenta.

Ela faz sentido quando ajuda a treinar melhor dentro do tempo disponível. Não faz sentido quando vira pressa, bagunça a execução ou impede a progressão de carga em exercícios importantes.

No fim, juntar dois exercícios pode ser uma boa estratégia para economizar tempo e deixar a musculação mais dinâmica. Mas a pergunta principal deve ser sempre a mesma: essa combinação melhora meu treino ou só me deixa mais cansado? Se a técnica cai, a resposta já apareceu.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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