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Hidratação no treino: como beber água antes, durante e depois sem exagerar

O papel da hidratação na prevenção de fadiga e lesões

Beber água parece uma das partes mais simples do treino. Mas, na prática, muita gente fica em dúvida: precisa tomar muita água antes de começar? É melhor beber durante ou esperar terminar? Suor significa desidratação? E quando uma bebida com sais minerais faz sentido?

A resposta depende do tipo de atividade, da duração, da intensidade, do clima e do próprio corpo. Uma caminhada leve de 30 minutos em um dia ameno não exige a mesma estratégia de uma corrida longa no calor ou de um treino intenso em ambiente fechado. Por isso, a hidratação no treino deve ser prática, mas não automática.

O objetivo não é beber o máximo possível. É chegar bem ao exercício, repor parte do que se perde pelo suor e terminar a atividade sem sinais de desidratação ou desconforto.

Antes do treino

A hidratação começa antes da atividade física. Isso não significa virar uma garrafa de água minutos antes de treinar. Beber muita água de uma vez pode causar desconforto, sensação de estômago cheio e vontade de ir ao banheiro bem na hora do exercício.

O melhor caminho é manter uma ingestão regular ao longo do dia. Para treinos comuns, em intensidade leve ou moderada, isso costuma ser mais importante do que tentar “compensar” tudo logo antes de começar.

Uma boa referência prática é observar sede e urina. Sede intensa, boca seca e urina muito escura podem indicar que o corpo precisa de mais líquidos. Já urina completamente transparente o tempo todo, acompanhada de idas muito frequentes ao banheiro, pode ser sinal de excesso para algumas pessoas.

Durante o treino

Durante o exercício, a necessidade de água varia bastante. Em atividades curtas e leves, muitas pessoas não precisam beber grandes quantidades enquanto se movimentam. Um gole antes e outro depois pode ser suficiente.

Já em treinos mais longos, intensos ou feitos no calor, a reposição durante a atividade ganha importância. A ideia é beber em pequenos goles, conforme a sede e a tolerância, em vez de esperar ficar muito desconfortável ou tentar tomar um grande volume de uma só vez.

O suor é uma pista, mas não conta a história toda. Algumas pessoas suam muito e perdem mais líquido. Outras suam menos. Roupas pesadas, ambiente abafado, umidade alta e pouca ventilação também aumentam a sensação de desgaste.

Por isso, a regra não deve ser igual para todo mundo. Quem treina por mais tempo, corre longas distâncias, pedala por horas ou pratica esporte em calor intenso pode precisar de uma estratégia mais planejada, especialmente se perde muito suor.

Depois do treino

Depois do exercício, a hidratação ajuda o corpo a voltar ao equilíbrio. Para a maioria das pessoas, água e uma refeição normal ao longo do dia dão conta da recuperação após treinos leves ou moderados.

Em atividades mais intensas ou longas, pode ser necessário repor líquidos com mais atenção. Um jeito simples de perceber a perda é comparar como o corpo se sente: sede persistente, dor de cabeça, tontura, cansaço fora do normal e urina escura depois do treino merecem atenção.

Também vale lembrar que hidratação não vem só da água. Frutas, leite, iogurte, sopas, água de coco e refeições com alimentos ricos em água contribuem para o total de líquidos do dia. Mas bebidas alcoólicas não são boa estratégia de recuperação, especialmente após esforço físico e calor.

Quando precisa de isotônico?

Bebidas esportivas podem fazer sentido em treinos longos, muito intensos, com suor abundante ou em ambientes quentes, porque ajudam a repor líquidos, carboidratos e eletrólitos. Mas elas não são necessárias para todo treino.

Para uma caminhada curta, uma sessão leve de musculação ou 30 minutos de bicicleta moderada, água costuma ser suficiente para a maioria das pessoas. O problema é transformar isotônico em bebida de rotina sem necessidade, já que muitas versões têm açúcar e calorias.

Quem tem restrição de sódio, pressão alta, diabetes, doença renal ou usa medicamentos que alteram equilíbrio de líquidos deve seguir orientação profissional antes de usar bebidas esportivas com frequência.

Também dá para exagerar na água

Falar de hidratação não é mandar todo mundo beber água sem limite. Em situações raras, especialmente em provas longas ou atividades de endurance, beber água demais pode diluir o sódio no sangue e causar um quadro perigoso chamado hiponatremia.

Isso é incomum em treinos cotidianos, mas reforça uma ideia importante: hidratar-se bem não é competir com a garrafa. É prestar atenção ao corpo, ao clima, à duração do exercício e à sede.

No fim, uma boa hidratação no treino é aquela que ajuda a pessoa a se movimentar melhor, sem peso no estômago, sem sede extrema e sem exageros. Água antes, durante e depois pode ser suficiente para muita gente. O segredo está em ajustar a quantidade ao treino real, e não a uma regra pronta que vale para todo mundo.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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