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Tóquio 2020

Por pódio, Alison dos Santos espera baixar dos 48s nos 400 m com barreiras

Alison dos Santos coloca como meta correr abaixo dos 48s para chegar na medalha em Tóquio. No Mundial de 2019, os dois atletas que fizeram isso na final foram ouro e prata: Karsten Warholm, da Noruega, com 47s42, e Rai Benjamin, dos Estados Unidos, com 47s66.

Wagner do Carmpo/CBAT

Por pódio, Alison dos Santos espera baixar dos 48s nos 400 m com barreiras

Alison Brendom Alves dos Santos, conhecido como Piu no meio atlético, é a maior revelação do atletismo nos últimos anos. O representante do Pinheiros (SP), de 20 anos, atleta dos 400 m com barreiras, conquistou diversos títulos importantes no adulto e agora entra numa fase decisiva de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 ansioso por competir. “A vontade é imensa”, disse. “Minha meta para os Jogos é fazer meu melhor tempo. Eu quero quebrar a barreira dos 48s e correr para 47s nesta temporada. Estou treinando para isso e sei que sou muito capaz disso”.

Se conseguir alcançar a meta, a chance de medalha de Alison dos Santos vai ser muito grande em Tóquio. No Mundial de Doha, ele terminou em sétimo lugar com 48s28, melhor marca de sua carreira e 0s25 atrás de Abderrahman Samba, que conquistou o bronze. As medalhas de ouro e prata ficaram para os atletas que correram abaixo de 48s: Karsten Warholm, da Noruega, com 47s42, e Rai Benjamin, dos Estados Unidos, com 47s66.

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Sem competir desde o Mundial de Doha, em setembro de 2019, quando terminou em sétimo lugar na final, façanha para um atleta tão jovem, Alison quer sentir na pista a evolução física e técnica depois de tanto tempo só de treinamento. “Eu tenho sorte porque treino tática de prova e tenho companheiros excelentes na pista, no Núcleo de Alto Rendimento (NAR), em São Paulo”, comentou, referindo-se a Lucas Carvalho (FECAM-PR), campeão brasileiro dos 200 m e 400 m, e aos velocistas Derick Souza e Jorge Henrique Vides. “Treinamos juntos, um puxa o outro”, sinalizou.

Alison participou do Camping Nacional de Treinamento de Provas Individuais, de 16 a 20 de fevereiro, no Centro Nacional de Desenvolvimento do Atletismo (CNDA), em Bragança Paulista (SP), para atletas e treinadores qualificados para a Olimpíada de Tóquio, de 23 de julho a 8 de agosto. “No próximo camping previsto para Chula Vista, na Califórnia, em março, terei a oportunidade de participar de algumas competições, enfrentar atletas de alto nível, que estarão nos Jogos Olímpicos. Este longo período sem competir foi muito frustrante, é preciso cuidar da cabeça. Estava treinando bem em 2020. Poderia ter conseguido bons resultados, encaixado bons tempos. Sabia que em algumas competições poderia ir bem, mas a pandemia não deixou.”

Paulista de São Joaquim da Barra, o atleta, que está qualificado para a Olimpíada, ganhou em 2019 a medalha de ouro dos 400 m com barreiras nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, e foi finalista da prova no Campeonato Mundial de Doha, no Catar, entre muitas outras conquistas na sua categoria, como o Sul-Americano de Cáli, Colômbia, e o Pan-Americano de San José, Costa Rica.

Orientado pelo técnico Felipe de Siqueira da Silva, o atleta nascido no dia 3 de junho de 2000 quebrou sete vezes o recorde sul-americano até 19 anos nos 400 m com barreiras, terminando a temporada 2019 na liderança no Ranking Mundial da World Athletics da categoria, com 48.28. Essa marca garantiu também o primeiro lugar nos Rankings Brasileiro e Sul-Americano Adulto.

Depois da evolução enorme de 2019, Alison teve a expectativa de fazer uma temporada boa em 2020. Ele fez bons treinos no início do ano, nos Estados Unidos, e participou do camping de Portugal. “Acho que seria um ano muito bom. Estava muito bem, poderia melhorar minha marca, mas não deu”, lembrou. 

Alison pretende melhorar também seu tempo nos 400 m rasos, cujo recorde pessoal é de 45.78, obtido no Sul-Americano Sub-20 de Cáli, em junho de 2019. “Não treino específico para os 400 m, mas é preciso para melhorar o chão da minha prova com barreiras. O foco principal, claro, são as barreiras nos Jogos de Tóquio. Quero melhorar minha marca nos 400 m neste início de temporada. Vou correr os rasos e tentar bom resultado. Caso o Brasil leve o 4×400 m masculino para Tóquio, quero estar junto. Infelizmente no misto não dá por causa do calendário”, disse o atleta, medalha de ouro no revezamento misto no Mundial Sub-18 de 2017 no Quênia.

“Vou tentar uma vaga no 4×400 m já para o Campeonato Mundial de Revezamentos de Silésia, no início de maio, na Polônia”, comentou Alison, que terá de obter uma boa classificação no Ranking Brasileiro até março para garantir a convocação.

O mesmo vale para a Olimpíada de Tóquio. Ele não poderá participar dos 4×400 m misto, já qualificado para os Jogos, por causa do calendário e pela prioridade nos 400 m com barreiras. Mas nos 4×400 m masculino, que serão disputados após sua prova individual será possível, desde que o Brasil assegure qualificação.

Para o treinador Felipe de Siqueira, a intenção é sair do Brasil em março, sempre dependendo das condições sanitárias no mundo. “É muito importante o Alison voltar a competir. Está treinando muito, mas precisamos ver a sua evolução física e técnica, depois de tanto tempo sem entrar na pista oficialmente.”

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No início da quarenta era tudo uma incógnita. “Estávamos bem nos Estados Unidos e na semana antes dele competir, tudo parou. Voltamos para o Brasil e ficamos três meses longe um do outro. Ele em São Joaquim e eu em São Paulo. Alison é um menino novo, achei melhor ele não enfrentar dificuldades como entrar nos países e ser barrado nos aeroportos por causa da pandemia”, comentou. “Mas no meio da pandemia toda, ele conseguiu amadurecer como pessoa e treina agora para suportar o treino”, observou.

Márcio Teles – Outro representante qualificado para a Olimpíada nos 400 m com barreiras é o carioca Marcio Teles, que também participou do Camping de Bragança Paulista. O atleta da Orcampi, de 27 anos, tem objetivos focados na Olimpíada. “Quero pegar ritmo no Troféu Brasil e no Sul-Americano deste ano e participar de mais dois campings internacionais. Aí quero competir fora, em alto nível, mesmo sem estar preocupado com marca”, prosseguiu. “O importante é chegar bem à Olimpíada tanto física como mentalmente. As marcas são consequência do trabalho do dia a dia”, completou o barreirista, orientado por Evandro Lazari, em Campinas (SP).

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