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“Não vou me calar”: Tifanny critica CBV e se emociona após jogo do Osasco



Jogadora afirma que medida representa retrocesso para atletas trans e promete tomar medidas para defender sua permanência no esporte



Tifanny em jogo do Osasco contra o Pinheiros pelo Paulista de Vôlei Feminino (Foto: @Carol_Fotografia)

Tifanny Abreu se pronunciou após o jogo do Osasco e fez um forte desabafo sobre a situação envolvendo a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e a participação de atletas trans no esporte. Visivelmente abalada, a jogadora falou para um grupo de jornalistas presentes no ginásio José Liberatti em Osasco, incluindo Rafael Zito, do Olimpíada Todo Dia. Ela leu um depoimento no qual afirmou que não pretende se calar e que tomará “todas as medidas possíveis” para continuar defendendo seu direito de atuar no vôlei.

A atleta começou a manifestação explicando que decidiu escrever o que gostaria de dizer por causa do impacto emocional da situação. Tifanny destacou sua trajetória de dez anos no voleibol feminino e afirmou que sua história dentro das quadras envolve também clubes, torcedores, patrocinadores e pessoas que se inspiram nela.

“Eu estou muito abalada ainda com tudo que aconteceu, então acabei escrevendo algumas coisas e vim falar aqui nesse depoimento, porque não foi fácil. Foi uma noite muito difícil para mim. É uma história que não é uma história pequena, de dez anos dentro das quadras”, declarou após a derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 a 2 pela abertura do Campeonato Paulista Feminino.

Entenda o caso que envolve a participação de jogadoras trans no vôlei

O Comitê Olímpico Internacional havia anunciado em março deste ano o retorno dos chamados testes de feminilidade, que existiam no esporte feminino até 2000. Desta vez, será um teste que determina a presença ou não do gene SRY e valerá por toda a vida, se a atleta for considerada elegível. Em casos específicos, haverá exceções. 

Durante o pronunciamento, Tifanny inclusive chegou a comparar a situação atual com esses procedimentos utilizados no esporte décadas atrás. “Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam os atletas nos anos 1960 e 1970. Nós estamos em 2026, não podemos ter esse retrocesso jamais”, comentou.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou nesta sexta-feira, dia 14, que iria adotar o mesmo sistema, afirmando estar seguido os padrões do COI e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Já neste sábado, a Federação Paulista de Vôlei (FPV) afirmou que não mudaria as regras do Campeonato Estadual e portanto, permitindo a participação de Tifanny.

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“O voleibol é a minha vida”

Tifanny ressaltou que não considera sua trajetória uma construção individual.

“É uma história que eu carreguei não sozinha. Carreguei com uma torcida, com patrocinadores, com um clube, com muitos fãs, com muitas pessoas que se inspiraram, que se inspiram em mim. Então eu decidi fazer um textinho para eu poder falar nesse momento tão difícil.”

Na sequência, Tifanny direcionou as críticas à CBV. A jogadora afirmou que o voleibol representa tanto sua profissão quanto uma parte central de sua vida e ressaltou novamente o período em que vem atuando na modalidade feminina.

“O voleibol é a minha vida, é o meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. São dez anos do voleibol feminino, não comecei ontem”, afirmou.

Tifanny diz que lutará por direito se seguir jogando

Para a atleta, os efeitos da situação não ficam restritos à sua carreira. Tifanny citou o Osasco, os patrocinadores, os torcedores e outras pessoas trans ao abordar o alcance que atribui à medida.

“Mas isso não afeta somente a mim. Afeta meu clube, a torcida, os patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim, o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão de todas as pessoas no esporte”, declarou.

A jogadora terminou o depoimento afirmando que pretende buscar alternativas para permanecer no esporte e continuar sua luta por inclusão e visibilidade. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, a inclusão e a prática do esporte não tenha sido em vão. Meus dez anos não foram em vão e eu vou lutar por eles e por todos vocês”, completou.

Tifanny encerrou a manifestação projetando seu retorno às quadras: “Obrigado e nos vemos novamente no próximo jogo”.

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

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