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Tifanny reforça luta por fim de carreira digno e não “expulsa da quadra”



A oposta Tifanny, do Osasco, não quer sair do vôlei sendo “proibida” e “jogada na sarjeta”. Ela participou do lançamento da Superliga 2026/27 e comentou sobre o desejo de concluir sua trajetória nos próprios termos e não sendo expulsa



Tifanny esteve na festa de lançamento da Superliga e defendeu aposentadoria com dignidade (Foto: Gabriel Gentile/OTD)
Tifanny esteve na festa de lançamento da Superliga e defendeu aposentadoria com dignidade (Foto: Gabriel Gentile/OTD)

Aos 41 anos, Tifanny vive um momento de incerteza sobre a sequência de sua carreira no vôlei. Representando o Osasco São Cristóvão Saúde na festa de lançamento da Superliga 2026/27, realizada nesta quinta-feira (1º/10), durante a COB Expo 2026, a oposta falou sobre o desejo de disputar sua última temporada e encerrar a trajetória construída ao longo de uma década dentro das quadras. Para a atleta, o fim precisa acontecer por uma decisão própria, e não por ser retirada do esporte a força.

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“Tanto a torcida que estava aqui presente, os atletas, as comissões técnicas, todas as equipes, fui muito bem recebida e todos me dando apoio num momento tão difícil. Recebo esse apoio com muito amor e carinho. Como falei já em outros eventos, eu quero terminar minha temporada, pois não fiquei dez anos à toa. Foram dez anos lindos e que inspirei muitas pessoas, muitas atletas que me viram jogar, compartilham a quadra comigo e falam que fui inspiração delas. E quero poder terminar minha carreira de atleta com o pé direito e digna de uma aposentadoria”, afirmou Tifanny ao Olímpiada Todo Dia (OTD) após o fim do evento.

“Digna de falar assim: comecei, terminei, inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora da quadra. Não quero que acabe assim expulsa, não assim proibida, não assim jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido. Então, eu espero que algo possa mudar. Se não for por uma boa conversa, de bom acordo, que seja na justiça e que a justiça possa estar ao meu lado, porque eu não faço nada de errado. Eu só estou trabalhando”, completou Tifanny aos jornalistas presentes na COB Expo.

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“Vou lutar até o final”

Na sequência, Tifanny também falou sobre o impacto pessoal provocado pela possibilidade de não conseguir continuar jogando. Ela afirmou que gostaria de estar em quadra representando o esporte. “Eu poderia estar aqui sorrindo e representando o meu esporte, mas estou lutando para ser quem eu sou e lutando para estar presente dentro de quadra novamente. É muito difícil porque são sonhos, mas vou lutar, sim. É complicado também porque mudaram toda a estratégia e patrocinadores de alguns clubes não saíram (na foto). Não puderam sair na foto principal por causa de mim. Para mim é claramente tentando me silenciar. Mas vou lutar, vou lutar até o final para que a história de Tifanny Abreu não termine desse jeito”, afirmou a oposta.

De acordo com ela, a briga seguirá e vai além dela. “Quero que a história de pessoas trans não terminem desse jeito. Porque eu continuo inspirando pessoas. Mas, quando eu terminar de jogar e já tiver ocupando outro espaço, atletas no futuro falam assim: eu me inspirei em Tifanny, que foi atleta e se aposentou com dignidade, não expulsa da quadra”, ressaltou Tifanny. A jogadora reforçou que pretende continuar buscando uma solução para a situação. Na entrevista, ela mencionou a possibilidade de diálogo e também de recorrer à Justiça caso não haja um acordo.

A participação de Tifanny no lançamento da Superliga aconteceu em um momento em que a nova temporada nacional se aproxima. Por enquanto, a jogadora está proibida de participar de competições nacionais por determinação da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que aderiu política do Comitê Olímpico Internacional (COI) e Federação Internacional de Volleyball (FIVB). De acordo com a nova norma, a elegibilidade para as competições da categoria feminina estão limitadas exclusivamente às “atletas do sexo biológico feminino”, com a exigência de testagem e triagem do gene SRY.

*Colaboração Rafael Zito

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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