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Vôlei

Como ‘vencer’ a crise e o impacto da pandemia? Técnicos opinam

Em mais uma reportagem da série especial, o Olimpíada Todo Dia conversou com Zé Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto sobre a situação do vôlei brasileiro

Os técnicos Zé Roberto e Renan comentaram sobre o atual cenário do vôlei brasileiro (CBV/Divulgação)

Como ‘vencer’ a crise e o impacto da pandemia? Técnicos opinam

A atual crise econômica chegou ao Brasil em 2014 e, de lá para cá, o PIB (Produto Interno Bruto) tem apresentado quedas contínuas e números negativos. O país continua em situação complicada e a chegada da pandemia do coronavírus só agravou o cenário. O esporte brasileiro foi afetado e o vôlei está inserido neste contexto. E o que pode ser feito neste momento? O Olimpíada Todo Dia foi atrás da posição dos técnicos José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto para comentarem sobre o tema.    

Além de treinarem a seleção brasileira, Zé Roberto e Renan, respectivamente, no feminino e no masculino, são referências do vôlei no país e no mundo. Então, o que é possível fazer para minimizar o impacto desse momento complicado com menos investimento e o coronavírus? “Não só o vôlei brasileiro, mas todas as modalidades esportivas vão sofrer muito com essa pandemia, o que é algo natural” disse Renan.

“Temos que nos readequar rapidamente, entender o momento, planejar e é preciso ter soluções para fazer muito com pouco. Neste momento, todos os setores vão sofrer com isso. Temos que ter paciência e esperar que a normalidade volte em breve”, completou o técnico da seleção masculina. Já Zé Roberto acrescentou aspectos governamentais. “Vejo o vôlei como um excelente mercado, com audiência qualificada e apaixonada”, apontou.

“O impacto do coronavírus será em todas as áreas e não só no vôlei. Temos um problema econômico no Brasil. Não concordo de termos perdido o Esporte como ministério. O Esporte não pode ser secretaria, a Cultura não pode ser secretaria, tem que ser ministério. Precisamos de dinheiro e não é só a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) que tem que fazer esse trabalho, isso também é governo”, afirmou o treinador da seleção feminina.

Jogos Olímpicos de Tóquio

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O vôlei brasileiro e a preparação para os Jogos Olímpicos (Ricardo Botelho/Inovafoto/CBV)

O fã de vôlei estava acostumado a um ritmo de jogos. Normalmente, entre setembro e abril acontecem os campeonatos dos times. Já entre abril e outubro é a vez das seleções entrarem em quadra. Com isso, em nenhum momento do ano, o público ficava sem assistir os ídolos em quadra. Contudo, a pandemia mudou tudo isso e, no Brasil, a CBV anunciou oficialmente que suas seleções não iriam se encontrar em 2020.

Em grande parte do mundo, as temporadas de clubes foram encurtadas e encerradas sem nenhuma equipe ser reconhecida como campeã. Já os torneios de seleções foram adiados ou cancelados de maneira oficial pelas entidades organizadora. Por conta disso, o OTD entrevistou Renan e Zé Roberto para tentar entender como eles veem este momento e o que projetam para 2021, em que está prevista a realização dos Jogos Olímpicos.

Zé Roberto entende a situação e busca olhar pelo prisma que é um mesmo problema para todos. “Estamos atentos ao cenário internacional. Poucas seleções conseguiram realizar treinamentos e jogos amistosos. Foram casos esporádicos. A pandemia afetou todos os países e, consequentemente, a preparação para os Jogos de Tóquio”.

Ligeira vantagem?

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O vôlei brasileiro de seleções não se reunirá em 2020 (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Diferente do Brasil, algumas seleções na Europa conseguiram passar alguns dias juntos para treinamentos e a Polônia disputou alguns amistosos visando a preparação para Tóquio. Apesar de se sentir um pouco atrás das equipes que conseguiram treinar, Renan não vê isso como um grande problema.

“Neste momento, claro, as equipes europeias que estão em atividade podem levar uma ligeira vantagem e, pelo que sabemos, só quem vai fazer amistosos que estão programados é a Polônia, por conta em risco deles. Mas, nós vamos ter tempo suficiente para que os atletas retornem aos seus clubes e depois cheguem bem a seleção, no ano que vem, quando teremos um calendário mais flexível para trabalharmos na temporada de seleção”.

Pandemia sem controle no Brasil

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Zé Roberto e Renan Dal Zotto são os técnicos da seleção brasileira (CBV/Divulgação)

Em reunião entre os dirigentes da CBV e os dois treinadores da seleção ficou definido que não haverá período de treinos em 2020 devido ao coronavírus. A pandemia traz ainda incertezas na volta aos treinos dos clubes e das competições. Esse cenário atrasado do Brasil no controle da doença pode prejudicar a preparação do Brasil, tanto no naipe masculino quanto no feminino, visando a Olimpíada?

“Hoje o Brasil luta para vencer o vírus com diferentes estágios nas regiões do país. Gostaríamos de nos reunir, mas estamos cientes que ainda não é o momento. Nossa comissão médica detectou riscos e estamos zelando pela saúde de todos os envolvidos no processo. Seguimos o monitoramento das jogadoras e em contato com os profissionais da comissão técnica”, ressaltou Zé Roberto.

“É algo que foge ao nosso controle. É claro que gostaríamos de nos reunir em Saquarema, manter a chama olímpica acesa e o grupo unido, mas a prioridade, claro, é a saúde e segurança de todos. Temos que trabalhar de acordo com a nossa realidade”, destacou Renan que, como jogador, fez parte da “Geração de Prata”, grupo que conquistou o vice-campeonato olímpico em Los Angeles-1984.

Saída atrativa

Pandemia e crise econômica causaram o êxodo do vôlei brasileiro (Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Além da questão de saúde, o Brasil terá uma temporada diferente em 2020/2021 por conta da questão financeira. Com a moeda nacional desvalorizada em relação as estrangeiras, o mercado no exterior passou a ser mais atrativo para parte dos jogadores que atuaram pelas seleções nacionais nas últimas temporadas. Por outro lado, as saídas podem abrir espaço para o surgimento de atletas jovens.

No masculino, apesar da volta de Bruninho, ocorreu a saída de Wallace e Lucarelli, nomes que fazem parte da seleção brasileira há alguns anos, além de Flávio e Lucas Lóh, que são lembrados constantemente sob comando de Renan. Com esse cenário, o treinador da equipe masculina é realista sobre todos os aspectos que podem acontecer.

“Wallace e Lucarelli são duas peças já confirmadas e vão jogar no exterior, mas tem o retorno do Bruninho, que vai abrilhantar a Superliga. Perde de um lado e ganha do outro. Há uma questão de mercado, pela alta do dólar, envolvida nessa saída de atletas. Diante disso, ficou atrativo ir para a Europa. Isso vai abrir um espaço interessante para os mais jovens, o que é bom para nós, que estamos sempre atentos a renovação”, disse Renan.

Nova geração na Superliga

A saída de alguns jogadores abre espaço aos jovens do vôlei brasileiro (Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

No feminino a situação é um pouco diferente. Apesar de Natália e Gabi se manterem jogando no exterior, grande parte dos nomes constantemente chamados por Zé Roberto seguem atuando no país. Além disso, o técnico da seleção feminina viu com bons olhos o fato de grande parte dos times da Superliga ter conseguido, de uma forma ou de outra, manter a maior parte da base de seus elencos.

“A situação econômica já era um problema antes da pandemia. Alguns times conseguiram manter uma base forte se comparado a temporada passada. Vejo também de forma positiva a possibilidade de jovens atletas disputarem a Superliga. Essa nova geração precisa jogar e ter oportunidade crescer como atletas”.

Por falar em jovens, Zé Roberto está otimista com cenário do feminino. “Vejo uma geração promissora surgindo no vôlei brasileiro. O material humano para os dois próximos ciclos olímpicos é muito bom. A busca pelo incentivo na área social, na base e na formação, é muito importante. Eu vou lutar sempre por isso. Acredito que ter um time adulto é importante, mas ter a base para formar o adulto é fundamental”, finalizou Zé Roberto.

Na mesma linha, Renan comemora os resultados da base. “Retomamos a hegemonia do vôlei sul-americano. O Brasil venceu em quase todas as categorias de base no Sul-Americano e isso é um sinal importante. Indica que o trabalho vem sendo desenvolvido de forma satisfatória. Claro que não é suficiente, por isso, estamos atentos ao que está acontecendo, em especial nos clubes, já que são eles que formam atletas”, concluiu Renan.

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