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Vela

Ana Barbachan enaltece 13 anos com Fernanda Oliveira após separação forçada

Dupla competiu em três Jogos Olímpicos na 470 feminina, mas não pode seguir junta após classe passar a ser mista. Mesmo assim, o ‘grilo falante’ ainda é parte da carreira da proeira

Ana Barbachan Fernanda Oliveira 470 vela 470 mista
(Richard Langdon/Sailing Energy/World Sailing)

É comum no mundo dos esportes jogados em duplas que elas se desfaçam com o tempo. No tênis, vôlei de praia, por exemplo, é bem frequente. Muitas vezes os atletas precisam de novos desafios, mudam os rumos da carreira, se aposentam. Os motivos são diversos, mas, via de regra, têm em comum a decisão interna, tomada por um dos dois, ou por ambos, algumas vezes fraternalmente, outras nem tanto. Ana Barbachan e Fernanda Oliveira desfizeram a parceira delas na vela, porém sem seguir esse roteiro. Foram forçadas por um fator externo, a mudança na classe 470, que deixou de ser feminina, e masculina, e passou a ser mista.

“A gente já estava amadurecendo essa ideia, porque já sabíamos que iria virar misto. Não era uma vontade nossa, mas não teve jeito”, conta Ana Barbachan, com um ar nostálgico, ainda transparecendo um certo inconformismo com o que o destino guardou para a parceira com Fernanda Oliveira. “Quando teve a postergação dos Jogos (Olímpicos de Tóquio), em função da covid-19, a nossa sensação foi ‘ai, que bom, ganhamos vai um ano juntas'”, revela. A proeira da dupla, Fernanda era a timoneira, conta que as regatas na capital japonesa foram bem especiais “não só por participar, estar até o último dia brigando por medalhas, mas também essa sensação – chega até a me arrepiar – de ser uma despedida dessa parceira de longo tempo e muito vitoriosa.”

Ana Barbachan Fernanda Oliveira 470 vela 470 mista
Proeira e timoneira em ação (Richard Langdon/Sailing Energy/World Sailing)

“A gente construiu várias coisas juntas e olhando para trás, o que eu mais prezo na nossa história, não só os resultados, que são bem legais, mas a relação que construímos. De amizade, de parceria, cumplicidade, companherismo. É uma pessoa que você convive diariamente, sabe tudo da tua vida, com quem você divide todos os os problemas, todas as alegrias, é muita coisa em jogo. Foi um momento de despedida.”

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Grilo falante

Ana Barbachan precisou seguir a vida na vela com outro timoneiro, Rodrigo Duarte, e a antiga parceira foi peça fundamental na definição do nome. “A amizade segue firme e forte, a gente segue se falando muito. Até na escolha do meu novo parceiro ela participou ativamente, me dando dica, falando o que achava. Por me conhecer muito, ela me ajuda, é um grilo falante, tem muita experiência. Ela começou com 19 anos a participar de Olimpíada e tem 40. Eu tenho 32. Estou me adaptando à mudança, é um novo desafio e todos os novos desafios nos trazem uma motivação diferente. É como começar um novo trabalho. Vai me exigir coisas novas. Ainda estou me adaptando, foi uma mudança bem grande, mas acho que vai ser legal.”

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Ana, à esquerda,e Fernanda (Richard Langdon/Sailing Energy/World Sailing)

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A nova dupla já começou a trabalhar junta, tem só algumas semanas no barco. Competiu pela primeira vez na Copa Brasil de Vela, em Ilhabela, em meados de outubro. Pela frente, muito, mas muito trabalho mesmo para buscar algo parecido com o que construíram Barbachan e Fernanda Oliveira. “Eu estava muito acostumada com a configuração antiga. Não só por velejar com uma outra mulher, que acho se entende melhor, mas por ser uma tripulação de muito tempo. Eu velejei 13 anos com a Fernanda. Então era muito cômodo para nós, era como um casamento. Depois de um tempo, você sabe quantas vezes por minuto a pessoa respira, aquele suspiro o que quer dizer. Muitas vezes não precisava falar, já se sabia o que passava na cabeça da outra. Quando uma tava mal, já logo identificava e conseguia ajudar. Era uma coisa bem sincronizada.”

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