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Tóquio 2020

Entre lágrimas e esperança, Jane Karla garante que Tóquio não foi seu último ato

Eliminação precoce atinge em cheio Jane Karla, mas ela segue mirando o topo. Desistir nunca foi uma opção!

Jane Karla acena antes da disputa no tiro com arco dos Jogos de Tóquio (Fotos: Helano Stuckert/rededoesporte.gov.br)

Entre lágrimas e esperança, Jane Karla garante que Tóquio não foi seu último ato

De Tóquio – Jane Karla tenta falar e não consegue. Uma longa pausa tem início. A voz não sai, mas lágrimas escorrem do rosto. A arqueira tinha acabado de ser eliminada no tiro com arco dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “Dói muito”, diz de repente. Ela respira, uma longa pausa dolorida se estende até emendar: “Não vou desistir nunca!” O peso sai de seus ombros e a esperança a envolve. A paralimpíada não foi seu último ato como atleta.

“Eu queria muito, muito mesmo vencer aqui. Mas simplesmente não foi o meu dia. Ela foi muito bem e mereceu”. Realmente, a italiana, nas oitavas de final, teve o melhor desempenho de sua vida contra a brasileira. Tanto que estabeleceu o novo recorde paralímpico, 146 pontos de 150 possíveis.

“Foi um jogo bem atípico para mim. Estava com muita adrenalina e soube controlar durante a disputa. A falta de eventos também me prejudicou, fiquei muito tempo sem poder competir”, ressaltou Jane Karla.

Batalhadora

Logo após a derrota em Tóquio, a frustração tomou conta, algo natural. Toda a carga emocional de cincos anos do ciclo paralímpico e de toda uma vida dedicada ao esporte explodiu em lágrimas. Só que o esporte é assim mesmo, derrotas e vitórias. Esta foi a quarta paralimpíada de Jane Karla, duas atuando no tênis de mesa e duas no tiro com arco.

“Eu lutei muito para estar aqui e me preparei da forma como foi possível. Não deu, mas só tem uma coisa a fazer, voltar e treinar, treinar e treinar mais”.

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Isso sem falar todas as dificuldades para treinar durante a pandemia. “Eu arranjei um jeito de treinar em casa, mesmo só com 6 m para o alvo – a distância na paralimpíada é de 70 m -, então foi bem complicado. Também aluguei um local no meio do nada, nem água perto a gente tinha, um vizinho que nos ajudou com água e energia elétrica”, conta a arqueira que mora em Portugal.

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Jane Karla em ação no tiro com arco dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 (Fotos: Helano Stuckert/rededoesporte.gov.br)

Ela se mudou para Almeirim, que fica a cerca de 1h30 de carro de Lisboa. Lá, Jane Karla comprou um terreno, onde conseguiu montar um campo para treinar tiro com arco e uma casa-móvel, daquelas com rodas que podem ser rebocadas de um lugar a outro, para morar. “Foi um tremendo sacrifício, mas valeu a pena, sempre vale”.

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Insistir sempre

Ao relatar toda sua trajetória até sua segunda participação em uma edição dos Jogos Paralímpicos, Jane Karla foi redescobrindo o quão vencedora é. Aos poucos, o sorriso foi retornando ao rosto, a fala ficou mais tranquila e os olhos já começaram a mirar nos próximos desafios.

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JANE KARLA E LETHICIA LACERDA JUNTAS NA VILA DOS ATLETAS JOGOS PARALÍMPICOS TÓQUIO 2020
(Fernando Gavini)

Mais do que isso, a arqueira se deu conta de quão especial os Jogos Paralímpicos de Tóquio foram para ela. “Pude ter a companha da minha filha – Lethicia Lacerda, do tênis de mesa -, foi a realização de um sonho mesmo.”

Chegar para os Jogos Paralímpicos de Tóquio já foi uma vitória. O final poderia ter sido um pouco menos amargo, é claro, mas Jane Karla vai seguir mirando no alvo, mesmo que ele esteja distante e fora da mira. “Sou brasileira, não desisto nunca!”

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