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O que esperar da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020?

Tóquio 2020

Vingança do Pan separa Brasil da estreia no handebol masculino

Há um ano do início do handebol dos Jogos, seleção masculina ainda precisa superar um tropeço para estar lá

O que esperar da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020 caso ela consiga a vaga? (Instagram/cbhb1)

Vingança do Pan separa Brasil da estreia no handebol masculino

Os Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 foram históricos para o Brasil. Com tantas medalhas e tantos pódios na capital peruana, fica difícil eleger o momento mais emocionante naquela que foi a melhor participação brasileira na história dos Pans. A maior tristeza, entretanto, é fácil de destacar: a derrota da seleção masculina de handebol para o Chile nas semifinais, que tirou a oportunidade do Brasil de conseguir ainda no Peru uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020.

A partir dali, o Brasil precisaria de uma complicada combinação de resultados para que houvesse uma nova chance de disputar a Olimpíada. Felizmente ela aconteceu. Com isso, a equipe assegurou a participação no Pré-Olímpico mundial e, de quebra, trouxe a possibilidade de vingança contra os chilenos.

Se a vaga no pré-olímpico vier, a seleção masculina de handebol fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio daqui a exatamente um ano. O caminho até lá, no entanto, será longo. Como chegará a seleção para o pré-olímpico em março do ano que vem? Quem são os adversários? Uma vez no Japão, quais são as chances do Brasil de buscar uma inédita medalha? e quem são os principais adversários?

Para responder essas e outras perguntas, o Olimpíada Todo Dia conversou com Thiagus Petrus e Maik, dois ícones da seleção masculina de handebol e que serão peças-chave para levar o Brasil a Tóquio. Confira!

Torcendo no sofá

Para uma equipe que meses antes havia cumprido a melhor campanha da história em Mundiais, ao ficar em 9º lugar no torneio disputado na Alemanha, a derrota para o Chile nas semifinais do Pan foi um golpe muito duro. Impossibilitado de ir de maneira direta ao Japão, uma vez que somente o campeão continental – no caso, a Argentina – estaria garantida na Olimpíada, restou a seleção masculina de handebol torcer muito para ganhar outra chance de ir a Tóquio 2020.

A um ano da possível estreia da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020, o OTD mostra o que será preciso para obter a vaga nos Jogos e fazer história Brasil
Derrota para o Chile no Pan de Lima fez o Brasil torcer para ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio (Washington Alves/COB)

Era preciso uma combinação de resultados muito complicada. No sofá de suas casas, os jogadores da seleção masculina de handebol tiveram que torcer para que, no Campeonato Europeu, a vitória ficasse com AlemanhaCroáciaEspanha, FrançaNoruega ou Suécia. 

A mistura do Brasil com o Egito

Como todas as seis seleções citadas são extremamente fortes, a probabilidade do título europeu parar nas mãos de uma delas era alta, o que tornou a primeira parte do “milagre” para o Brasil ir a Tóquio um pouco mais fácil. Após a vitória da Espanha é que veio o momento decisivo para o futuro do Brasil.

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O segundo resultado necessário era o título do Egito no torneio continental africano. Apesar de ter um time forte que terminou o Campeonato Mundial na oitava colocação, uma posição acima da seleção, os egípcios teriam o grande desafio de bater a Tunísia, atual campeã do torneio à época e anfitriã do campeonato. Com as vibrações brasileiras e em um jogo disputado, o Egito venceu por 27 a 23, mantendo assim o sonho olímpico verde e amarelo vivo.

A um ano da possível estreia da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020, o OTD mostra o que será preciso para obter a vaga nos Jogos e fazer história
Seleção do Egito celebra a 8ª colocação do Mundial. País manteve viva a esperança do Brasil de ir a Tóquio-2020 (facebook/Egypt 2021 Men’s Handball World Championship)

A duas vitórias de Tóquio

Os dias decisivos para o Brasil ocorrerão no terceiro mês de 2021. A seleção masculina de handebol embarcará para a Noruega para a disputa do torneio pré-olímpico, marcado para ocorrer entre 12 e 21 de março. Além dos donos da casa, o Brasil enfrentará Coreia do Sul e Chile.

Para carimbar o passaporte para a Olimpíada, em teoria, basta o Brasil ganhar da Coreia do Sul, como já fez no Mundial de 2019, e conseguir uma doce vingança contra o Chile. A Noruega, pelo histórico recente no esporte (é a atual vice-campeã mundial) e por jogar em casa, é a favorita a uma das duas vagas distribuídas para o Japão, mas pode ser surpreendida, de acordo com o experiente goleiro Maik.

“A expectativa, sendo bem realista, é lutar para ganhar do Chile e da Coreia do Sul, que são as equipes que a gente bate de frente. Não que a gente não bata de frente com a Noruega, mas ela já tem uma força construída ao longo dos anos. Podemos ganhar de qualquer time, mas precisamos estar preparados para vencer esses dois jogos (Chile e Coreia do Sul) e garantir a nossa vaga para a Olimpíada”, disse Mike ao Olimpíada Todo Dia.

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Maik, goleiro da seleção de handebol, será fundamental na possível classificação aos Jogos Olímpicos de Tóquio. (Reprodução/Instagram)

Estreia pode ser decisiva

Thiagus Petrus acredita que uma vitória contra a Noruega, a primeira adversária, poderá ser fundamental para dar mais tranquilidade nos últimos dois jogos.

“Temos que jogar bem contra a Noruega e, se derem mole, ganhar para darmos um passo importante para a classificação. Se perdermos, nós teremos que conseguir motivação para o jogo chave no qual, se perdermos, estaremos fora. Ganhamos da Coreia no último Mundial, mas eles estavam com time bem jovem e reformulado. São jogadores rápidos e uma equipe bem intensa e que pode nos colocar em apuros”, avaliou o jogador em live com o Olimpíada Todo Dia.

Rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio: jogadores da seleção brasileira de handebol comemoram a vitória sobre o time da Coreia e a classificação no Mundial de 2019 (Crédito: IHF)

A boa notícia é que a seleção masculina de handebol não chegará “fria” no torneio pré-olímpico. A equipe terá um início de ano agitado em 2021. Logo no início do ano, o Brasil disputará o Mundial de 2021, no Egito, e dois meses depois, decide seu futuro para os Jogos de Tóquio. Se conseguir a vaga, terá mais ou menos três meses de preparação para a Olimpíada.

Mais fácil do que em 2012

A situação do Brasil em 2021 será semelhante a de 2012. Na ocasião, o país perdeu a vaga direta para os Jogos Olímpicos de Londres na final do Pan de Guadalajara-2011 para a Argentina e foi disputar um torneio pré-olímpico mundial.

Diferentemente do que ocorreu dessa vez, o sorteio do torneio de 2012 não ajudou a seleção masculina de handebol, que teve de enfrentar três fortes seleções europeias – Suécia, Hungria e Macedônia.

Na ocasião, o Brasil acabou sendo derrotado pelas duas primeiras e ficou fora da Olimpíada. Oito anos depois, os adversários – Chile e Coreia do Sul – são, em teoria, mais fracos, sem considerar o fato de que a evolução do Brasil no handebol masculino dá ao país condições de encarar de frente a anfitriã e favorita Noruega.

Os possíveis adversários em Tóquio-2020

Em caso de classificação para Tóquio-2020, o Brasil enfrentará outras 11 seleções. Até o momento, seis países estão classificados: Japão (país sede), Dinamarca (campeã mundial em 2019), Argentina (campeã pan-americana em 2019), Bahrein (classificado no torneio asiático de 2019), Egito (classificada pelo torneio africano em 2019) e Espanha (campeã europeia em 2020).

As outras quatro equipes em Tóquio-2020 muito provavelmente serão europeias. França, Croácia e Portugal brigam por duas vagas em um pré-olímpico, enquanto Alemanha, Suécia e Eslovênia duelam pelas duas últimas no outro.

Rumo a Tóquio-2020: Alemanha foi bronze no Mundial de 2019 (Instagram/dhb_teams)

Se os Jogos de Tóquio-2020 contassem somente com os seis países já classificados, seria difícil imaginar uma final que não fosse entre Espanha e Dinamarca.

Reis da Europa sob comando de um velho conhecido

A Espanha foi a última a vencer uma grande competição – o campeonato europeu em 2020, repetindo o feito de 2018.

Com dois grandes goleiros – Gonzalo Vargas e Rodrigo Corrales – e um elenco com fortes jogadores, como Jorge Maqueda e Alex Dujshebaev, costuma ter resultados expressivos ao enfrentar as outras equipes do velho continente.

O time espanhol é comandado por um velho conhecido brasileiro. Jordi Ribera comandou o Brasil no ciclo olímpico de Pequim-2008 e Rio-2016, levando a seleção brasileira a inédita sétima colocação há quatro anos no Rio de Janeiro.

A um ano da possível estreia da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020, o OTD mostra o que será preciso para obter a vaga nos Jogos e fazer história Brasil
Tóquio-2020: Seleção espanhola de handebol é atual bicampeã da Europa (Divulgação/IHF)

Atuais campeões olímpicos, mundiais e com o melhor do mundo

O problema para os espanhóis é que quando as competições são de nível mundial, a performance não é a mesma. Nesse quesito, a Dinamarca leva vantagem. A atual campeã olímpica não teve uma boa performance no Mundial de 2017, é verdade, mas se redimiu dois anos depois, em casa, ao levar o título.

O destaque da equipe é o campeão olímpico Mikkel Hansen, último jogador a ser eleito como o melhor do mundo, em 2018, e o MVP na Rio-2016. Deve ser um dos grandes destaques em Tóquio-2020.

A um ano da possível estreia da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020, o OTD mostra o que será preciso para obter a vaga nos Jogos e fazer história Brasil
Tóquio-2020 Dinamarca é a atual campeã mundial de handebol masculino (Instagram/Mikkelhansen24)

Vizinhos em evolução

Há anos, a Argentina vem sendo, juntamente com o Brasil, a grande potência do handebol sul-americano. Apesar de ter conseguido a vaga direta para Tóquio na vitória contra o Chile, na final do Pan de Lima, os argentinos não têm feito grandes apresentações contra as grandes forças europeias. O resultado mais expressivo foi um empate com a Hungria no Mundial 2019.

Apesar de ter conseguido a vaga para tóqui-2020 de maneira direta, Argentina não vem apresentando grandes resultados contra os grandes europeus (Instagram/cahandball)

O Egito, grande responsável pela classificação brasileira ao pré-olímpico mundial ao lado da Espanha, vem crescendo e começa a incomodar os grandes. Como dito, terminou na 8ª colocação no último mundial, deixando a Argentina para trás, inclusive. Na ocasião, venceu grandes forças europeias como Suécia e Hungria e quase surpreendeu favoritos como a Noruega.

Japão e Bahrein estão em um degrau abaixo dos demais, mas podem dar trabalho e tirar pontos dos favoritos na fase de grupos. Os japoneses, entretanto, não serão saco de pancadas. No Mundial de 2017, por exemplo, perderam por uma pequena diferença de dois gols para o Brasil.

O ciclo olímpico do Brasil

Após uma heróica 7ª colocação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o já consolidado time do Brasil tinha tudo para seguir evoluindo para, quem sabe, repetir o título mundial da seleção feminina de handebol em 2013, conquistado na Sérvia. A má administração da gestão do handebol, entretanto, acabou atrapalhando o caminho do país ao topo da modalidade.

Dois “quase” nos Mundiais

Mesmo com os problemas extra-quadra, a seleção masculina fez bonito nos dois mundiais que disputou no ciclo olímpico, passando perto de chegar entre os oito melhores por duas vezes.

No Mundial de 2017, disputado na França, a seleção caiu em um grupo muito forte, mas conseguiu a vaga nas oitavas de final com o 4º lugar. O adversário seria a forte Espanha, uma das favoritas ao título. Em um jogo pra lá de eletrizante, o Brasil caiu por 28 a 27 e acabou na 16ª colocação.

Rumo a Tóquio-2020: Brasil comemora vitória no Mundial de 2017 (arquivo)

Dois anos depois, na Alemanha/Dinamarca, o Brasil conseguiu seu melhor resultado em Mundiais na história. Sob um novo formato de disputa, deixou Rússia, Sérvia e Coreia do Sul para trás, classificando-se para a segunda fase. Esta etapa contaria com as 12 melhores seleções divididas em dois grupos de seis. Na sequência, não conseguiu ir às semifinais, apesar de ter vencido dois dos três jogos.

Decepção no Peru e demissões

Meses depois, veio a decepção no Peru. A CBHb decidiu então demitir o técnico Washinton Nunes, que havia comandado o Brasil nas campanhas dos Mundiais de 2017 e 2019.

Washington Nunes handebol
O técnico Washington Nunes, da Seleção Brasileira masculina de handebol, foi demitido antes de tentar levar o Brasil aos Jogos de Tóquio-2020 (Cinara Piccolo/Photo&Grafia)

Três meses depois, a CBHb contratou Daniel Gordo para comandar o Brasil no Mundial de 2021 e no pré-olímpico. Apresentado no final de novembro de 2019, Daniel comandou a equipe e apenas uma competição, o Centro-Sul-Americano da modalidade, disputado em janeiro, no Paraná. Na ocasião, a seleção ficou com o vice-campeonato após uma derrota apertada para a Argentina.

Retorno polêmico

Na sequência, mais polêmicas. Manoel Luiz Oliveira voltou a assumir a presidência da entidade por decisão judicial, após ter sido afastado em abril de 2018. No comando desde 1989, o sergipano tomou cono primeira ação depois do retorno ao cargo demitir Daniel Gordo.

Daniel Gordo seria o técnico responsável para tentar levar o Brasil aos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas foi demitido cinco meses após ser contratado (arquivo)

A volta de Manoel não agradou os jogadores. Em live com o Olimpíada Todo Dia, Thiagus Petrus foi assertivo quando questionado sobre a volta de Manoel ao cargo.

“Achei bem ruim, mas a Justiça determinou que fosse assim. No ano que vem teremos eleição e poderemos tentar colocar outro presidente. Ele falou que não vai tentar se reeleger e espero que seja verdade. Um terço do colégio eleitoral pertence aos atletas e acho isso importante, pois se dependesse das federações nunca teríamos esse poder. Vão ter que nos escutar por bem ou por mal”, destacou o atleta. Ele é um dos líderes do grupo ‘Atletas pelo Handebol’, junto com Duda Amorim, Babi Arenhart e Felipe Borges.

Com a demissão de Daniel Gordo, a seleção masculina está sem um treinador, há um ano da possível estreia em Tóquio-2020 . Algo preocupante e que pode prejudicar muito a equipe.

Seleção forte

Mesmo com os problemas administrativos extra-quadra e mesmo sem um comandante, o elenco da seleção masculina de handebol é considerado muito forte. Um fator que contribui muito é que quase todos os jogadores atuam nas principais ligas de handebol do mundo. Para se ter uma ideia, apenas dois dos 16 convocados ao Mundial de 2019 atuavam no Brasil.

O sistema defensivo do Brasil segue sendo um dos pilares da equipe. Surgido nos anos em que Jordi Rivera assumiu a equipe, o conceito defensivo do Brasil intimida muito os defesas europeias e é uma das razões que levou o Brasil ao 7º lugar na Rio-2016. O principal destaque defensivo é Thiagus Petrus, um dos candidatos a melhor jogador defensivo da última Champions League, principal liga do mundo. Thiagus joga em uma das principais equipes do mundo, o Barcelona.

Candidato a melhor defensor da Champions, Petrus exalta o Barcelona
Thiagus Petrus defendendo o Barcelona na última temorada (Instagram/Thiagus Petrus)

Novo companheiro de Petrus no Barça, Haniel Langaro é um bom nome da nova geração do handebol brasileiro. No Mundial de 2019, foi o artilheiro dos três jogos do Brasil na segunda fase e deve ajudar muito no pré-olímpico.

José Guilherme Toledo, Felipe Borges, Fábio Chiuffa, Guilherme Valadão, Alexandre Pozzer e outros, se destacam nas principais ligas da Europa e formam um conjunto muito forte, que tem tudo para vencer a Coreia, se vingar do Chile e carimbar a vaga para Tóquio-2020.

A um ano da possível estreia da seleção masculina de handebol em Tóquio-2020, o OTD mostra o que será preciso para obter a vaga nos Jogos e fazer história Brasil
Seleção masculina de handebol tem tudo para conseguir vaga aos Jogos Olímpicos de Tóquio

Medalha olímpica é “mais fácil” que a do mundial

Caso consiga a classificação e chegue na Olimpíada, a seleção masculina deve ter em mente que conquistar uma medalha é muito difícil, mas não totalmente impossível. Mas tudo vai depender de uma série de fatores.

Vale lembrar que diferentemente do Mundial, o torneio de handebol nos Jogos Olímpicos é mais curto. As 12 equipes são divididas em dois grupos de seis, com as quatro primeiras avançando à segunda fase. Nela, as seleções cruzam com o outro grupo nas quartas de final e o vencedor já entra automaticamente na briga por medalhas.

A melhor alternativa para o Brasil é pegar um “grupo da morte” e conseguir vencer pelo menos três jogos para passar entre os dois primeiros. (Vale lembrar que os primeiros colocados de um grupo enfrentam os quartos do outro e os segundos enfrentam os terceiros). Dessa maneira, a seleção enfrentaria um adversário teoricamente mais fraco.

Foi o que quase aconteceu na Rio-2016. Em casa e com imenso apoio da torcida, a seleção masculina venceu duas seleções europeias de ponta – Alemanha e Polônia – e conseguiu inédita classificação para as quartas de final na terceira colocação do grupo.

O problema foi que o adversário teoricamente mais fraco nunca veio. A França, favorita ao ouro olímpico à época, foi surpreendida em uma partida e acabou na segunda colocação no outro grupo. Ao enfrentar a atual campeã olímpica e mundial, a seleção brasileira acabou caindo, mas terminou em sétimo lugar.

O retrospecto nos Jogos e a expectativa para Tóquio

Se conseguir a classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, será a sexta participação do Brasil em Jogos Olímpicos. A estreia ocorreu em Barcelona-1992, com a equipe perdendo todos os cinco jogos.

Quatro anos depois, o Brasil não saiu de quadra com a derrota pela primeira vez na história. Em Atlanta-1996, no último jogo da primeira fase, a seleção empatou em 20 a 20 com a Argélia. Na sequência, na extinta disputa do 11º lugar, a primeira vitória chegou. Diante do Kuwait, o time de José Ronaldo, Rodrigo Hoffelder, Milton Pelissari, dentre outros, venceu por 31 a 24.

O handebol crescia em popularidade no país. E começava a ser amplamente disputado nas escolas. Um duro revés acabou por retardar o crescimento da modalidade, entretanto. Na final dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg-1999, o Brasil caiu na disputa dos sete metros para Cuba e ficou de fora de Sydney 2000.

Evolução e frustração

Em Atenas-2004, o Brasil voltou a participar dos Jogos Olímpicos. Liderados por Bruno Souza e com grandes atuações de Tupan, a equipe venceu o Egito e teve melhores apresentações contra os europeus, perdendo de pouco para a Hungria e Grécia. Na disputa do nono lugar, o país acabou perdendo para a Islândia, mas obteve sua melhor participação até ali.

Quatro anos depois, em Pequim-2008, o time de Bruno Souza, Zeba, Maik, Felipe Borges e cia obteve campanha semelhante à de Atenas, vencendo apenas uma partida e terminando na décima colocação.

Com a Argentina em ascensão na América do Sul, o Brasil acabou ficando novamente de fora da edição de Londres-2012.

Jogadores na Europa e melhor resultado na história

Mesmo de fora da Olimpíada, o nível do handebol brasileiro continuava a subir. Com mais jogadores disputando os principais torneios europeus, o jogo da seleção cresceu em intensidade e, como dissemos, fez história.

Para Thiagus Petrus, se a vaga olímpica vier, a intenção é repetir o feito de 2016 ou conseguir algo melhor. Para o atleta, já não é mais a hora do Brasil entrar apenas para participar.

“Quero chegar nos Jogos Olímpicos de Tóquio para lutar e ter chance de brigar por medalha. Não quero só estar lá. Quero ir para disputar a Olimpíada. Se for para passear, eu prefiro comprar passagem e assistir aos jogos”, ressaltou Petrus.

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