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Mesatenistas acusam confederação de perseguição, negligência e falta de transparência



Nove atletas paralímpicos denunciam perseguição, negligência e falta de transparência da CBTM. Confederação e CPB respondem às acusações.



Mesatenistas acusam confederação de perseguição, negligência e falta de transparência
Os nove atletas paralímpicos com suas medalhas do Elite São Paulo e Parapan. Foto: Juvenal Dias/ OTD

Até onde vai a insatisfação por se sentir desrespeitado? Bom, para nove atletas brasileiros, sete dos quais medalhistas paralímpicos, vai até onde for preciso para terem sua dignidade devolvida. Em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia, eles mostraram sua indignação com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). Eles reclamam de perseguição desde que publicaram e enviaram a Carta Aberta ao Ministério do Esporte e ao CPB relacionada a abusos da entidade em relação ao bolsa pódio e agora, em novo capítulo, denunciam também negligência com cuidados relacionados à saúde.

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Os nove atletas são Bruna Alexandre, Claudio Massad, Cátia Oliveira, Danielle Rauen, Jennyfer Parinos, Joyce Oliveira, Luiz Filipe Manara, Marliane Santos e Paulo Salmin. Juntos eles somam 16 medalhas paralímpicas e oito em Mundiais e prometem continuar unidos para melhorar o tênis de mesa paralímpico no Brasil.

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“Somos nós nove contra um sistema de 30 anos, de quando o presidente era Alaor, tem gente aqui que nem era nascido. Então são 30 anos de presidência e ele tem certeza que a Confederação é dele”, acusa Paulo Salmin. “São casos e casos de coisas que não estão certas e eles têm certeza de que nada vai acontecer. Uma coisa que está muito clara para todos nós é que não vamos parar, nós vamos até onde precisar para melhorar isso para todo mundo”, promete Luiz Filipe Manara. “Fomos medalhistas na maior competição do mundo e temos ainda que ficar ‘mendigando’ recursos? É por isso que estamos lutando”, completa Cláudio Massad.

O início do conflito com a Confederação de Tênis de Mesa

Claudio Massad Luiz Manara Foto: Alexandre Schneider/CPB
Claudio Massad e Luiz Manara foram bronze nos Jogos Paralímpicos de Paris (Alexandre Schneider/CPB)

O conflito com a CBTM começou, sobretudo, com a publicação, em julho, da carta assinada pelos nove mesatenistas, que reivindicavam até uma intervenção do Ministério do Esporte. “O foco da nossa carta foi justamente diminuir ou acabar com arbitrariedades da confederação, principalmente no que tange o Bolsa-Atleta. A confederação, sem legitimidade, fazia uma série de exigências para nós, atletas. Teríamos que utilizar o dinheiro com vários torneios internacionais, custeando-os. A lei (do Bolsa-Atleta) não fala nada disso, o dinheiro é para o atleta, exclusivamente como atleta, custear suas contas. Não é para desenvolver o tênis de mesa”, explica Cláudio Massad.

A carta teve grande repercussão na imprensa e o Ministério do Esporte enviou ofício à CBTM cobrando explicações. Segundo o que reportagem do Olimpíada Todo Dia apurou, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) também intercedeu para tentar resolver a situação. No fim da contas, a confederação voltou atrás e revogou as exigências. A vitória, inicialmente comemorada pelos atletas, se transformou em pesadelo. Os nove são unânimes em dizer que passaram a ser perseguidos desde então e a CBTM definitivamente parou de contribuir com os atletas.

Nove atletas denunciam perseguição após Carta Aberta

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Joyce Oliveira e Cátia Oliveira foram medalhistas de bronze em Paris-2024 (Alexandre Schneider/CPB)

“No começo do ano, eles investiram em mim, mas, a partir do momento em que enviamos a carta, tudo parou”, reclama Cátia Oliveira. “No começo do ano, a CBTM pagou todos os campeonatos que joguei, quatro ou cinco, se não me engano. A partir da carta, não pagou mais e só veio pagar agora o Elite e o Parapan, que foram em São Paulo”, lamenta Joyce Oliveira.

Nesta semana, por exemplo, sete brasileiros disputam a etapa Elite de Yvelines, na França, do circuito mundial. Deles, apenas Marliane Amaral faz parte do grupo de nove “rebeldes”, mas ela fez a viagem com recursos próprios. Os outros são Sophia Kelmer, Thaís Severo, Gabriel Antunes, Aline Ferreira, Lucas Carvalhal e Carlos Eduardo Moraes. O que se questiona não é a presença de um ou outro atleta, mas a definição clara e transparente dos critérios de convocação para os eventos.

Técnico sem poderes

Paulo Salmin compete no Elite de São Paulo
Paulo Salmin está fora da seleção apesar de ser o terceiro do mundo de sua classe (Alexandre Schneider/CPB)

Paulo Salmin revela que teve uma conversa com o técnico principal da seleção e consultor internacional, o croata Neven Cegnar durante o Elite de São Paulo, realizado no começo do mês. O mesatenista perguntou se o treinador achava justo ele estar fora da seleção brasileira mesmo estando nas três finais (simples, duplas e duplas mistas) no torneio e não teve resposta.

“Ele não sabia me responder porque não é ele quem monta os critérios e não é ele que decide quem vai estar ou não. Duas semanas antes desses campeonatos (Elite e Parapan), tinham atletas internacionais, tanto da Croácia como da França, treinando no CPB enquanto eu nunca tive um convite durante esse ano inteiro para estar aqui ou estar com o grupo. Também não recebi nenhuma mensagem perguntando sobre como estou trabalhando”, reclama.

Sem o investimento da CBTM, os atletas passam por dificuldades para conseguir encaixar competições no exterior dentro de seus orçamentos pessoais. Por conta disso, muitas vezes, acabam ficando sem a estrutura necessária para um atleta de alto rendimento. “Nós nos desgastamos mais para ir a uma competição e dividindo um custo que dê para nós pagarmos”, conta Luiz Filipe Manara. “Nos Estados Unidos, eu, Dani, Jennyfer e Paulinho, dividimos Airbnb para caber em nossos orçamentos”, explicou. Claudio Massad, por sua vez, teve um custo elevado para arcar sozinho. “Não tive a oportunidade de dividir Airbnb com ninguém nos Estados Unidos. Gastei só de hospedagem três mil dólares. Mais 7500 de passagem aérea”.

Relatos de dificuldade financeira e ausência de estafe

Marliane Santos
Marliane Santos nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 (Alessandra Cabral/CPB)

O pior acontece com os atletas que precisam de cuidados especiais como os cadeirantes. Joyce Oliveira conta o que aconteceu com ela nos Estados Unidos. “Me senti coagida a colocar dois torneios nos Estados Unidos na minha programação, pagando do próprio bolso e a CBTM não enviou nenhum estafe. Estávamos em quatro ou cinco cadeirantes, com tetraplégicos que dependem de estafe. Para subir no ginásio era uma rampa enorme, mas não tinha ninguém para nos ajudar. Precisávamos mandar mensagem antes para o técnico para pedir ajuda, para esperar e subir a rampa. O banheiro não era adaptado, fiquei no quarto com a Marliane e passamos um sufoco. Tinha um atleta que estava tomando banho no chão porque não tinha estafe para ajudar e não conseguia tomar banho na cadeira”, relata.

“Então, a Marliane e eu colocávamos um móvel de madeira, dentro do banheiro, para ir a uma cadeira e conseguir tomar banho. Precisava tomar banho rápido, porque tenho uma escara e se ficar muito tempo sentada, a escara abre. Jogamos dois campeonatos e, no segundo, que a Patrícia (Cavalheiro) – líder de seleções – chegou e Marliane a comunicou da situação. Ela foi no mercado e comprou uma cadeira, mesmo assim era um sacrifício. No final do campeonato, não aguentávamos mais passar de uma cadeira para outra para tomar banho. Estávamos sem forças”, finalizou.

Bruna Alexandre relata negligência após cirurgia

Bruna Alexandre
Bruna Alexandre foi a primeira brasileira a competir tanto na Olimpíada quanto na Paralimpíada (Lukas Kenji)

A maior medalhista paralímpica brasileira do tênis de mesa e, principalmente, a primeira atleta a competir nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, Bruna Alexandre, também não escapou de problemas, mesmo tendo que se ausentar por cirurgia. “Fiz cirurgia bariátrica em 4 de agosto, fiquei um mês de repouso e faz um mês que voltei a treinar. Avisei à CBTM, CPB, Ministério do Esporte, mas a Confederação não se importou ou perguntou se eu precisava de alguma coisa. Não olham nem nos meus olhos”.

Bruna Alexandre enviou um e-mail explicando que não poderia ficar concentrada para o Parapan no alojamento do CPB por causa de suas restrições alimentares. Ela conta que teve como resposta um pedido de reunião com o médico-cirurgião para encontrar uma forma dela ficar no CPB. Mas, uma semana depois, após consultar sua irmã, que é advogada, atleta enviou outro email, agora com fundamentos jurídicos, e teve seu pedido atendido.

“Tive que fazer o show para conseguir ficar na minha casa. Eles não respeitam nem minha saúde. Me esforcei muito para jogar o Parapan, não joguei o Elite. Foi bem difícil, mas consegui jogar. Não fiz a cirurgia só pelo tênis de mesa, mas também por minha saúde. É triste de ver, jogo há 23 anos, consegui tantas medalhas para eles também e eles não têm nenhum respeito. Espero que, um dia, eles nos vejam como seres humanos”.

Constrangimento durante o Parapan evidencia tensão entre atletas e dirigentes

Danielle Rauen no tênis de mesa dos Jogos Paralímpicos de Paris-2024
Daniele Rauen tem três bronzes paralímpicos na carreira (Alexandre Schneider/CPB)

Com tantas denúncias envolvendo a CBTM, houve ainda um episódio, no mínimo, constrangedor durante o Parapan. O Olimpíada Todo Dia foi o único veículo de comunicação presente a todos os dias durante a competição, que aconteceu no CT Paralímpico. Após conquistar a medalha de ouro, Danielle Rauen deu uma entrevista ao OTD em que, entre outros assuntos, abordou as dificuldades pelas quais passou este ano por ter que fazer uso de recursos próprios para competir.

A vitória ocorreu no dia 10 de outubro e tanto a reportagem quanto a postagem nas redes sociais foram para o ar na madrugada do dia 11. Na tarde desse mesmo dia, em um pedido que teria partido do secretário-geral da CBTM, Sandro José Abrão, a assessoria de imprensa tentou fazer com que o Olimpíada Todo Dia fizesse alterações nos textos, especialmente que fosse retirado o termo “com dinheiro próprio”. O pedido constrangedor foi negado, já que não havia erros de informação.

“Na declaração que eu dei, não falei absolutamente nenhuma inverdade, não falei nada de mentiroso. Os campeonatos aqui de São Paulo (Elite e Parapan) foram os primeiros do ano que eles pagaram para mim. Nunca tive um planejamento ou, se tive, foi mentiroso porque me obrigaram a colocar duas competições que pagariam para mim, coloquei e não fui. Vai ter o campeonato na França e no Egito e não me falaram nada. Falaram que pagariam as competições nos Estados Unidos e não pagaram”, explica Danielle Rauen, que tem três medalhas de bronze paralímpicas na carreira.

E o Mundial?

Todas as entrevistas que fazem parte desta reportagem aconteceram durante a disputa do Parapan, que aconteceu entre 9 e 12 de outubro em São Paulo. Os atletas brasileiros vencedores em suas classes garantiram vaga ao Mundial da modalidade, que será na Tailândia, em 2026. Porém, alguns desses atletas não sabem se efetivamente irão ao Mundial. “Hoje estou classificado para o Mundial, mas, de acordo com os critérios, eu teria que ir pagando para jogar o Campeonato”, aponta Luiz Filipe Manara, atleta da classe 8. No Parapan, derrotou seu compatriota, Jean Carlos Mashki na final, por 3 sets a 1.

“Estou saindo daqui com três medalhas de ouro e uma lesão, vaga classificatória para o Mundial e não sei como vai ser minha vida amanhã. Não sei que campeonatos teremos no ano que vem, não sabemos nada, estamos perdidos. Desde o momento em que enviamos a carta, nada aconteceu, tiraram tudo para nós”, lamentou Cátia Oliveira, segunda colocada no ranking mundial da classe 2.

Segundo Cláudio Massad, os critérios para ir ao Mundial custeados pela CBTM beiram o inviável. “Antes de começar a competição (Parapan), saiu uma nota oficial falando dos critérios que a Confederação teria para custear os atletas classificados para o Mundial. Entre eles, o atleta deveria estar como top-10 Mundial. No meu caso, para estar top-10 Mundial individual, teria que disputar um monte de torneios internacionais, isso é dinheiro. De onde que vou tirar?”, questiona o atleta.

Atletas questionam falta de transparência com uso de recursos públicos

Claudio Massad do tênis de mesa paralímpico - atleta cobra transparência da CBTM
Cláudio Massad cobra informações de CBTM desde abril (Alexandre Schneider/CPB)

Semifinalista de sua classe no Parapan, Cláudio Massad continua com as indagações. “Por que, quando os dirigentes da Confederação viajam representando a entidade, é tudo custeado pela CBTM e nós, atletas representando a Confederação e o Brasil e trabalhando, temos que gastar do nosso dinheiro para representar o País? Foram divulgadas matérias, que nem sabíamos, relacionadas ao TCU (Tribunal de Contas da União) e premiação dos dirigentes. Eles (CBTM) falam que não têm dinheiro para investir em atletas, mas têm dinheiro para pagar dirigentes, o que é ilegal. Infrações no Código Tributário Nacional, de Lei Pelé, Lei Geral do Esporte, Constituição Federal”.

Muito antes da denúncia feita pelo UOL sobre o pagamento de premiações aos dirigentes, Cláudio Massad já tinha feito o pedido para ter acesso às informações financeiras da CBTM. “Quando a Confederação nos informou que não teria recursos suficientes (de planos esportivos), eu, no dia 1º de abril, enviei um e-mail para a confederação, solicitando todos os projetos, na íntegra, que existem entre CBTM e CPB. Até agora, não tivemos resposta”, afirmou Massad.

“Não quero saber só o quanto entra de dinheiro, nós queremos saber como são esses projetos, quem eles estão custeando, com o que estão utilizando os recursos, quem são os atletas que estão sendo contemplados. Todo esse detalhamento que nós temos o direito de saber por sermos cidadãos, munícipes e por ser uma Confederação que recebe dinheiro público federal. Confederação que deve prezar pela imparcialidade, transparência, economicidade, eficiência, moralidade e legalidade”, completou.

Respingos no CPB

Apesar do conflito ser diretamente relacionado à confederação, os atletas reclamam da falta de respaldo do Comitê Paralímpico Brasileiro. “Precisamos do fundamental: o apoio de uma Confederação que recebe recursos públicos e do Comitê Paralímpico também. Não é só dar o espaço e abrir as portas do CT, precisamos do apoio, de acolhimento. Não é porque temos uma Confederação que o Comitê pode falar: ‘vocês têm Confederação, então vocês se virem’. Quando são Jogos Parapan-americanos e Jogos Paralímpicos, o Comitê está junto conosco porque precisa das nossas medalhas para o quadro geral. Mas, agora que precisamos de ajuda, eles não nos ajudam”, reclama Bruna Alexandre.

“Vale adicionar que, nós nove, juntos com as pessoas que nos assessoram, estamos sozinhos nessa empreitada. Passamos por ouvidoria, por CPB, pelo Ministério. O Secretário da Pessoa com Deficiência (do estado de São Paulo) deu uma oportunidade ter uma reunião com o CPB, com o presidente e o vice participando. O CPB se comporta com arbitrariedade e diz que não têm responsabilidade sobre isso. Mas isso acontece no Centro Paralímpico, um espaço da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência. Não é da CBTM e nem do CPB”, acrescentou Paulo Salmin.

Até onde vai?

Com tudo o que foi apurado pela reportagem, a paz no tênis de mesa paralímpico brasileiro está longe de acontecer. Os atletas garantem que não vão baixar a guarda. “O que nós esperamos como atletas e como cidadãos, é que eles respeitem o esporte, respeitem os atletas, respeitem os técnicos e árbitros, respeitem o esporte, de modo geral. Respeitem as leis e que possamos ter dignidade. Nosso objetivo é ter um esporte que possamos falar para as pessoas: ‘se dediquem, batalhem e lutem, vocês podem conquistar resultados e ter dignidade’. Lutamos para que um atleta chegue no patamar que chegamos com respeito. Não é só bater no ombrinho quando ganhamos medalha e, depois, ser jogado de lado. Queremos ver o tênis de mesa do Brasil no topo”, finalizou Cláudio Massad.

Resposta da CBTM

Durante o Parapan, a reportagem do OTD ofertou o mesmo espaço de resposta à Confederação a que os atletas tiveram para entrevista. Contudo, a CBTM, em seu direito de escolha, preferiu escrever respostas às perguntas enviadas por e-mail. Segue o posicionamento oficial:

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) esclarece que todos os projetos conveniados são publicados em canais oficiais, como o Diário Oficial da União ou sites, de acordo com a exigência de cada entidade, e que o assunto também foi respondido por meio de contato com a Comissão de Atletas da confederação.

Toda e qualquer convocação para as equipes nacionais é feita por indicação das respectivas comissões técnicas, em concordância com os líderes de seleções. A validação das equipes passa pelo Comitê Executivo para fins de estratégia e descentralização de orçamento, o que está em total conformidade com o estatuto da CBTM.

Acerca da Bolsa Atleta do governo federal, a confederação informa que publicou nota técnica após manifestação do Ministério do Esporte.

Dirigentes da CBTM, consultores e colaboradores viajam por motivos institucionais inerentes aos cargos, de forma legítima e de acordo com o estatuto. No caso dos atletas, faz-se importante enfatizar que o tênis de mesa é uma modalidade em sua essência individual, vide o ranqueamento, e a confederação arca com parcela significativa dos custos de atletas que compõem suas seleções, a exemplo do que ocorre em inúmeras outras instituições que compõem o Movimento Olímpico brasileiro – a CBTM ainda assegura amplo acesso a estrutura de treinamento e oferece apoio da equipe multidisciplinar que mantém. A CBTM não “reembolsa” atletas.

Em tempo, todos os critérios de investimento em torneios internacionais para a temporada 2026 serão divulgados no último bimestre de 2025.

Relatos de problemas em eventos internacionais que chegaram ao conhecimento da liderança da CBTM foram transformados em relatório oficial e repassados às respectivas organizações como forma de melhoria para o futuro, o que é a praxe. Reitere-se que a inspeção e realização são responsabilidades do órgão executor (como a WTT ou a ITTF, por exemplo), e não da confederação.

Por fim, em relação à atleta Bruna Alexandre, a CBTM afirma que solicitou mais detalhamento médico para entender a situação factual dela, o que é legítimo, e que liberou-a sem lhe causar qualquer prejuízo.

Resposta do CPB

Segue o posicionamento do CPB sobre os temas nos quais foi citado:

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) esclarece que as confederações são as entidades responsáveis pela gestão técnica, médica e administrativa de suas respectivas modalidades. O CPB tem papel de coordenação, fomento e apoio institucional, mas não possui competência legal para interferir em decisões internas de confederações ou em procedimentos médicos relacionados a atletas. O CPB só assume responsabilidade direta quando o atleta está convocado e sob sua gestão em competições oficiais, como os Jogos Parapan-Americanos ou os Jogos Paralímpicos.

O Comitê também reforça que não tem poder de intervenção sobre confederações, que são entidades autônomas conforme prevê a legislação esportiva brasileira. Situações de insatisfação ou divergências internas entre atletas e confederações devem ser tratadas dentro do próprio âmbito da modalidade. Mesmo assim, o CPB mantém diálogo permanente com confederações e atletas para garantir padrões adequados de segurança, ética e bem-estar, e está sempre disposto a colaborar de forma orientativa, dentro dos limites que a lei permite.

Por fim, o CPB lembra que os recursos repassados às confederações são vinculados a planos de trabalho e metas específicas. A execução técnica das atividades, no entanto, é de responsabilidade das confederações beneficiadas.

Jornalista formado em 2013, mas que atuo desde 2008, quando ingressei na Universidade P. Mackenzie, Trabalhei por seis anos no Diário Lance!, passei por Punteiro Izquierdo, Surto Olímpico, Torcedores, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, Liga Nacional de Basquete e N Sports. Entrei no OTD em Abril de 2023.

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