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Após escapar da morte, brasileira realiza sonho que perseguiu por 16 anos



Após 16 anos de espera, Bruna Moura estreia na Olimpíada de Inverno, cruza a linha de chegada em Milão-Cortina 2026 e transforma um sonho antigo em realidade



Bruna Moura, Milano-Cortina, Esqui Cross-Country
Foto: Gabriel Heusi/COB

Val di Fiemme – Ela subiu até o topo da montanha e pegou o balão! Bruna Moura finalmente fez sua estreia nos Jogos Olímpicos, após 16 anos como atleta. A esquiadora superou uma série de tragédias pessoais, quase morreu a caminho da última Olimpíada de Inverno, mas renasceu como uma fênix nos últimos quatro anos para voltar a fazer o que mais ama: praticar esportes. E o sonho foi concluído nesta terça-feira (10) quando ela cruzou a linha de chegada do sprint do esqui cross-country de Milão-Cortina 2026.

A prova foi cheia de emoção para Bruna Moura, que estava tremendo na larganda. A performance já não era mais o foco. Ela só queria terminar a prova o mais rápido possível para poder dizer que era uma atleta olímpica. “Finalmente! Estou muito feliz! Na largada eu tava me sentindo tão emotiva que os braços e as pernas estavam tremendo e a prova inteira foi segurando porque era muito emoção. Eu tava muito feliz e é uma pena porque a força foi embora. Quando você começa a tremer, não tem muito o que fazer. Mas eu larguei pensando: quanto mais rápido eu terminar a minha prova, mais rápido, eu sou uma atleta olímpica. E a hora que eu vi a linha de chegada depois da última descida, ali pra mim já significou tudo. Foi aquele último pedacinho, agora eu pego esse balão”, disse a esquiadira em resposta ao Olimpíada Todo Dia.

O balão é um símbolo importante para Bruna Moura. Ele veio em um sonho que ela teve em 2013. Na época, Bruna era atleta do ciclismo mountain-bike e teve que deixar o esporte após descobrir um problema cardíaco. Em uma noite, ela sonhou que estava em um vale, com várias montanhas em volta. E no sonho ela tentava alcançar um balão. Ela chegou a parar pela exaustão no meio, mas um homem surgiu e falou para ela: “você já lutou tanto e vai desistir?” Assim, Bruna luta diariamente para pegar todos os balões no seu caminho.

Emoção à flor da pele

Antes da largada, Bruna Moura deu um grito. Ali, ela soltou toda a emoção acumulada nos 16 anos que ela esperou para se tornar uma atleta olímpica. ” O grito que eu soltei ali na largada, ele define tudo, porque eu segurei isso por tanto tempo. Foram 16 anos da minha vida lutando para me tornar uma atleta olímpica. E tanta coisa aconteceu no caminho, principalmente nesse último ciclo olímpico, que cruzar essa linha de chegada, eu acho que eu posso dizer todas as palavras do mundo e eu ainda assim não vou conseguir descrever o que isso significa pra mim”, comentou.

Na Olimpíada, Bruna Moura ainda vai disputar a prova individual de 10km e o sprint por equipes com Eduarda Ribera. Ela espera estar tremendo menos nas próximas provas, agora que a ansiedade da estreia passou. E Bruna também quer inspirar pessoas a pegarem seus balões. “Eu espero que ter cruzado essa linha de chegada, sirva assim como inspiração para outras pessoas também. Para eles continuarem acreditando em seus sonhos, em seus balõezinhos, e para que eles também consigam pegá-los”, finalizou.

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Morte de perto

A realização do sonho de se transformar numa atleta olímpica era para ter ocorrido há quatro anos, em Pequim-2022. Porém, teve de ser adiado por conta de um acidente de carro quando estava a caminho do aeroporto para pegar o avião que a levaria para os Jogos na China.

O motorista que levava a brasileira bateu em um caminhão ao tentar uma ultrapassagem e morreu na hora. Bruna estava no banco de trás e, segundo o que ela mesma relata, foi salva por estar usando o cinto de segurança. A atleta quebrou o pé, braço, três costelas e o ombro esquerdo. “Eu não vou para as Olimpíadas de Inverno dessa vez, mas eu estou viva”, disse, na ocasião.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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