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Milão Cortina-2026

 

Bobsled nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026

Seleção Brasileira de bobsled convocada para Milão-Cortina 2026
(Foto: Beto Noval/CBDG)

O bobsled é uma das modalidades mais tradicionais dos Jogos Olímpicos de Inverno. O público brasileiro conheceu o esporte principalmente por meio do filme “Jamaica abaixo de zero”. Nos últimos anos, porém, a modalidade ganhou um perfil cada vez mais tropical, com países de clima quente ampliando sua presença no circuito internacional — e o Brasil faz parte desse movimento, chegando a Milão-Cortina 2026 em busca de mais uma final olímpica na chamada “Fórmula 1 do Gelo”.

As pessoas utilizam trenós como meio de transporte há séculos, mas, no final do século XIX, um grupo de suíços adaptou um sistema de direção semelhante ao de um carro, dando origem aos primeiros bobsleds. Inicialmente feitos de madeira, os trenós logo passaram a ser fabricados em aço.

Como funciona o bobsled

No início, apenas homens disputavam o bobsled, em dois formatos:

  • two-man (duas pessoas)
  • four-man (quatro pessoas)

No fim do século XX, as mulheres passaram a competir no circuito mundial, primeiro no two-woman. Mais recentemente, o programa internacional incorporou o monobob, prova em que apenas a piloto desce sozinha no trenó.

Na largada, a equipe empurra o trenó e salta para dentro dele. O piloto controla a direção por meio de duas alças conectadas às lâminas em contato com o gelo. Os demais atletas permanecem abaixados para reduzir a resistência do ar. Ao final da descida, o atleta posicionado atrás aciona o freio.

Com velocidades que podem ultrapassar os 150 km/h, o bobsled ganhou o apelido de “Fórmula 1 do Gelo”.

O formato das provas olímpicas

Nos Jogos Olímpicos de Inverno, o bobsled define seus medalhistas após quatro descidas, realizadas ao longo de dois dias.

A soma dos tempos das quatro corridas determina a classificação final e a distribuição das medalhas.

O bobsled nos Jogos Olímpicos de Inverno

O bobsled integra o programa olímpico desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix-1924. Apenas uma edição ficou sem a modalidade: Lake Tahoe-1960.

Naquele ano, apenas nove países demonstraram interesse em competir. Diante do alto custo para construir uma pista específica, o Comitê Organizador optou por não realizar as provas de bobsled.

A Alemanha domina historicamente o bobsled olímpico. Somando os resultados de Alemanha Oriental e Ocidental, o país acumula 51 medalhas, sendo 22 de ouro. No feminino, Estados Unidos e Canadá surgem como os principais rivais das alemãs.

A nova pista olímpica de Cortina

Milão-Cortina 2026 sediará as provas de bobsled na Pista Eugenio Monti, em Cortina d’Ampezzo. O local recebeu as disputas de trenó nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1956, mas permaneceu fechado desde 2008.

Para a Olimpíada, os organizadores reconstruíram completamente a pista, criando um novo traçado. O percurso conta com 16 curvas ao longo de 1.445 metros, com largada a 1.321 metros de altitude e chegada a 1.254 metros acima do nível do mar.

O Brasil no bobsled

O Brasil iniciou sua trajetória no bobsled no fim da década de 1990 e fez sua estreia olímpica em Salt Lake City-2002, com Eric Maleson, Matheus Inocêncio, Edson Bindilatti e Cristiano Paes.

Bindilatti segue como o principal nome da modalidade no país e disputará sua sexta Olimpíada de Inverno em 2026, como piloto titular da equipe brasileira.

Desde 2002, o Brasil evoluiu de forma consistente no esporte. Após ficar fora de Vancouver-2010, Bindilatti assumiu definitivamente o comando do trenó, e a equipe passou a conquistar medalhas na Copa América, o segundo principal circuito do bobsled internacional.

Os melhores resultados vieram recentemente, com top-20 em Beijing-2022 e 13º lugar no Mundial de 2025, ambos no four-man.

No feminino, o Brasil teve apenas uma participação olímpica, em Sochi-2014, quando Fabiana Santos e Sally da Silva terminaram em 19º lugar. Já no monobob, o país conquistou medalhas em etapas da World Series com Marina Tuono, em 2020 e 2021.

As estrelas da “Fórmula 1 do Gelo”

No bobsled masculino, a Alemanha segue dominante. O principal nome da atualidade é Francesco Friedrich, dono de quatro ouros olímpicos e 18 títulos mundiais. Seus principais concorrentes são os compatriotas Johannes Lochner, vice-campeão olímpico, e o jovem Adam Ammour, que ganhou destaque nas Copas do Mundo deste ciclo olímpico.

Entre as mulheres, Laura Nolte lidera a seleção alemã. Ao lado de Deborah Levi, ela conquistou o ouro olímpico em Beijing-2022 e o título mundial em 2025, no two-woman. Sua principal rival é a experiente Kaillie Humphries, dos Estados Unidos. Nascida no Canadá, ela já competiu pelos dois países e soma três ouros olímpicos.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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