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Tóquio 2020

Após lesão inédita, Fernando Reis buscará consagração em Tóquio

Após um 2018 frustrado e superação em 2019, melhor levantador de peso das Américas quer na Olimpíada do Japão consagrar a vitoriosa carreira com uma medalha olímpica

tricampeão pan-americano, Fernando Reis busca consolidação da carreira em Tóquio (Wander Roberto / COB)

Os dois últimos anos do melhor levantador de peso das Américas, Fernando Reis, foram anos que acabaram com sentimentos terminados em “ão”. Em 2018, viveu a frustração de se lesionar pela primeira vez na carreira. Já a temporada de 2019 marcou sua superação, já que passou por uma delicada cirurgia, se recuperou e mesmo longe de sua melhor forma física, se sagrou tricampeão dos Jogos Pan-Americanos.

Esse ano de 2020 poderia ser o da consagração de sua vitoriosa carreia com a tão sonhada medalha olímpica, mas a pandemia adiou os planos para 2021. Melhor para o atleta de 30 anos, que chegará em Tóquio mais bem preparado fisicamente e com consciência de quantos quilos precisa levantar para subir ao pódio.

Corrida contra o tempo e leite de pedra

2018 foi um ano totalmente diferente na carreira de Fernando Reis. Na reta final da temporada, sofreu uma lesão no joelho esquerdo, a primeira vivida em sua história no levantamento de peso. Em fevereiro do ano passado, o paulistano teve de encarar a sala de cirurgia pela primeira vez e passar por um longo período de recuperação e fisioterapia na sequência.

Pessimistas diziam que o pouco período pós-cirúrgico de Fernando faria com que ele não conseguisse bons resultados nas duas principais competições de 2019: os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, realizados no final de julho, e o Campeonato Mundial de levantamento de peso, ocorrido no final de setembro, na Tailândia. Persistente, o atleta fez o seu melhor para provar o contrário.

“Eu tive uma janela muito curta de preparação, tanto para os Pan quanto para o Mundial. Eu não tinha como ‘tirar leite de pedra’. Logo depois de uma intervenção cirúrgica grande, eu tive bastante restrição de movimentação e de força na perna operada. Tive que realmente correr contra o tempo. Fizemos o que deu,” comentou o atleta em uma live do Time Brasil.

Fernando Reis foi “além do que deu”e conseguiu “tirar leite de pedra”. Após o tricampeonato Pan-Americano, conseguiu o oitavo lugar no Campeonato Mundial da Tailândia, mesmo ainda não estando 100% fisicamente e com apenas quatro semanas de intervalo entre as duas competições, ocorridas em cidades cujo fuso horário é de 12 horas.

Após um 2018 de frustração e um 2019 de superação, Fernando Reis buscará na Olimpíada, adiada para 2021, a desejada medalha olímpica no levantamento de peso
Fernando Reis com a medalha de tricampeão pan-americano; atleta quer a medalha olímpica em Tóquio (Wander Roberto/COB)

Zerado de lesões

Já garantido nos Jogos Olímpicos de Tóquio e “zerado de lesões”, segundo ele próprio, Fernando Reis entrava na reta final da preparação. A meta é buscar a medalha olímpica que lhe falta na carreira, mas a pandemia do coronavírus o atrapalhou. O adiamento da Olimpíada para 2021, entretanto, não é visto pelo atleta como um entrave.

“Eu estou muito bem preparado. Eu não parei de treinar de nenhum dia durante a quarentena. Agora eu tenho mais tempo pra me preparar e fortificar ainda mais a minha perna esquerda. Mas se [a Olimpíada] fosse amanhã, eu estaria pronto para competir,” avaliou Fernando Reis.

Os quilos que faltam

Nesses 365 dias a mais até a Olimpíada, o agora saudável Fernando Reis já sabe o que precisa fazer e quanto precisa levantar para alcançar o maior objetivo de sua vitoriosa carreira no levantamento de peso.

“Preciso melhorar um pouquinho pra buscar essa medalha na Olimpíada. [Vai precisar levantar] algo em torno de 200 a 205 kg de arranco e pelo menos 245 kg no arremesso. Então seriam três ou quatro quilos em cada prova a mais do que as marcas que eu atualmente tenho, que são 201 [no arranco] e 242 kg no arremesso,” explicou o levantador.

Há quatro anos, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Fernando terminou com uma histórica 5ª colocação na categoria +105kg. Com 195 kg levantados no arranco e 242 no arremesso, fez o recorde das Américas.

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