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Cathy Freeman conseguiu unir a Austrália por duas semanas

Na abertura de Sydney-2000, a estrela de origem aborígene do atletismo australiano acendeu a pira olímpica e deu protagonismo ao seu povo

Cathy Freeman Sydney 2000
Descendente dos aborígenes, Cathy Freeman se prepara para acender a pira olímpica em Sydney (Arquivo/COI)

Poucas cenas foram tão marcantes na abertura da Olimpíada de Sydney-2000, que nesta terça-feira (15) completa 20 anos, do que o momento em que a pira foi acesa. Ok, você vai dizer que este é o ponto alto de qualquer festa que abre os Jogos Olímpicos. Mas em Sydney seu significado foi ainda maior por ter na corredora Cathy Freeman a personagem principal daquela cena.

Ao surgir em meio a uma cascata d’água e acender a pira que estava a seus pés, Cathy Freeman causava um fato histórico. De descendência aborígene, povo nativo do país, a estrela do atletismo australiano fazia um gesto de união. Um recado direto para um país que tinha feridas abertas e uma pesada dívida com os povos indígenas.

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Quando os primeiros colonos brancos chegaram à Austrália, em 1788, estima-se que existiam cerca de um milhão de aborígenes. Em 2008, quando o governo australiano pediu oficialmente perdão pelos maus-tratos, humilhações e assassinatos, restavam apenas 470 mil integrantes.

Por isso, ter uma representante aborígene acendendo a pira olímpica, em uma cerimônia que teve mais de 12 mil figurantes e recriou o “Tempo dos Sonhos”, nome dado pelos nativos ao seu mito de criação do mundo, teve um peso que nenhuma outra festa de abertura tenha mostrado até então.

A glória completa, dez dias depois

A festa para Cathy Freeman ficou completa dez dias após a abertura dos Jogos de Sydney-2000. Medalha de prata nos Jogos de Atlanta-1996, era cotada como uma das favoritas para conquistar o ouro nos 400 metros. Especialmente em razão do bicampeonato mundial em 1997 e 1999.

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Até que no dia 25 de setembro, diante de 112 mil pessoas que lotavam o Estádio Olímpico, Cathy Freeman fez história. Ela não apenas conquistou a 100ª medalha de ouro olímpica na história da Austrália. Também se tornou a primeira representante do povo aborígene campeã olímpica em uma prova individual.

Na volta olímpica, tinha nas mãos as bandeiras australiana e aborígene. Cathy Freeman conseguia, pelo menos por um período, unir o país em torno da Olimpíada de Sydney-2000.

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