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Chegou a hora de Thiago Braz acabar com a ‘fase ioiô’

Atual campeão olímpico do salto com vara, Thiago Braz ainda sofre com a instabilidade que o acompanha em todo o ciclo para Tóquio

Thiago Braz, ex-Pinheiros, no Mundial de Atletismo Doha 2019
Thiago Braz salta durante o Mundial de Atletismo de Doha, em 2019, quando ficou em 5º lugar (Facebook/thiagobrazoficial)

Foi muito bacana o retorno “para valer” do atletismo internacional, com a etapa de Mônaco da Liga Diamante, na última sexta-feira (14). Evento de alto nível (com direito a um recorde mundial de Joshua Cheptegei, de Uganda, nos 5.000 m), acompanhando por torcida, mas respeitando distanciamento. Enfim, melhor maneira impossível para uma das competições mais importantes da modalidade ser retomada. Só não foi bom mesmo ver mais uma decepcionante atuação do brasileiro Thiago Braz, campeão do salto com vara na Rio-2016.

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O reencontro de Thiago Braz com as grandes competições do atletismo foi mais do mesmo do que tem sido seu desempenho ao longo deste ciclo olímpico. Em Mônaco, acertou apenas um dos seis saltos que deu na prova, ficando com a marca 5,50 m. Foi a mesma que obteve em um meeting realizado em Trieste (ITA), no começo do mês. A diferença é que naquela vez, sem rivais de peso, conseguiu vencer a competição com esta marca. Na sexta-feira, ficou em quinto e último lugar.

A justificativa do período de paralisação pela pandemia do coronavírus também não cabe. A prova em Mônaco teve um nível mais forte, a começar pela presença do sueco Armand Duplantis, atual recordista mundial. E ele, que passou pelas mesmas dificuldades com a falta de competições, venceu com 6,00 m. Deixou para trás dois atletas – o belga Bem Broeders e o filipino Ernest John Obienda – que saltaram 5,70 m.

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A tal “fase ioiô” que me referi no título vem acompanhando Thiago Braz desde a incrível conquista no Rio de Janeiro. Por uma irônica coincidência, neste sábado (15) completou-se exatos quatro anos da vitória no Estádio Engenhão. Foi a única medalha do atletismo brasileiro na Olimpíada de 2016, deixando o brasileiro no mesmo patamar de raros campeões olímpicos na modalidade: Adhemar Ferreira da Silva (duas vezes), Joaquim Cruz e Maurren Maggi.

Instabilidade preocupante

Só que nos últimos quatro anos, está difícil para Braz sair desta linha de instabilidade. Levantamento feito pelo blog das competições do brasileiro de 2017 para cá, incluindo competições ao ar livre ou indoor, mostra que o campeão olímpico poucas vezes conseguiu mostrar na pista algo próximo do que apresentou na prova em que faturou o ouro no Rio de Janeiro.

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Em 47 provas computadas, Thiago Braz conseguiu saltar 5,80 m ou mais em apenas quatro ocasiões. Este recorte é aquele onde os atletas normalmente brigam pelo pódio nas principais competições. No Mundial de Doha, em 2019, por exemplo, o polonês Piotr Lisek ficou com a medalha de bronze com um salto de 5,87 m. Naquela final, o brasileiro saltou 5,70 m (depois de marcar 5,75 na qualificatória) e terminou em quinto lugar.

A última grande prova de Thiago Braz ironicamente foi em Monaco, na Liga Diamante de 2019. Com um salto de 5,92 m, o brasileiro acabou em terceiro lugar. Em compensação, foram dez provas em que ele foi eliminado sem acertar nenhum salto.

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A hora da virada precisa chegar logo, até para que ele recupere a autoconfiança. Especialmente se ele sonha em repetir seu feito na Olimpíada de Tóquio-2020, adiada para o ano que vem. Pode ser que seja no próximo domingo (23), quando ele disputará a etapa de Estocolmo da Liga Diamante.

Talento não falta a Thiago Braz. Só precisa encaixar aquele salto perfeito que todo mundo aguarda desde 2016.

Atualização: Nesta terça-feira (18), foi confirmada a lista de entradas da etapa de Estocolmo. Embora estivesse na pré-lista, o nome do brasileiro não consta na relação final. Uma pena esta desistência, porque a prova será em altíssimo nível. Com direito à participação dos integrantes do pódio do último Mundial: o atual campeão Sam Kendricks, o sueco Duplantis e o polonês Lisek.

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