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Canoagem Velocidade

Contato com família reduz falta que técnico faz a Isaquias

Oito meses após a morte de Jesus Morlán, Isaquias Queiroz ainda mantém contato com a família, recebe conselhos da filha e sonha com a 10ª medalha olímpica do treinador

Em dez minutos de conversa com Isaquias Queiroz, da canoagem velocidade, é notória a falta que faz Jesus Morlán. Oito meses após a morte do treinador, o canoísta ainda mantém contato com a família e recebe até conselhos da filha dele. Na última semana, na coletiva geral do Time Petrobras, o medalhista badalado foi o mais procurado pela imprensa. E não escondeu o tanto que Jesus ainda está presente.

“Sim, a gente tem o contato da esposa dele, da filha dele. Sempre que a gente vai pra uma competição elas mandam mensagem de apoio pra gente, pra chegar no Mundial e ir bem. E ela sempre fala: lembre que o Jesus está olhando para vocês, façam uma ótima prova. Tanto na Copa do Mundo agora ela mandou um vídeo dele fumando um cigarrinho, foi até que parecia que ele estava na Colômbia, ela tinha filmado ele, foi muito especial pra gente poder ver esse vídeo. E a filha dele também mandou uma mensagem. Tanto de apoio quanto de cobrança. Porque é a filha dele e ela tem a mesma personalidade dele e pra gente é sempre bom poder ver isso: a personalidade dele nela. Exigindo da gente a medalha, exigindo da gente foco e determinação. Isso é muito legal de poder manter contato com a família dele, tanto a esposa e a filha, como o pai, a mãe e os irmãos lá na Espanha,” falou Isaquias Queiroz.

E olha que Jesus tentou se afastar. Ficou em um hotel e já não conseguia acompanhar o treino da lancha. Deixava já os atuais treinadores (Pinda, Lauro e Nivaldo) com Isaquias e Erlon durante a preparação. Foi se ausentando no dia a dia, mas as lembranças permaneceram. Foram mais de cinco anos juntos. Duas pratas e uma medalha de bronze em Jogos Olímpicos. Isaquias Queiroz como maior multimedalhista do Brasil em uma só edição da competição.

“No dia a dia a gente sempre sente a falta dele, né? Em relação ao que ele passava pra gente e ensinava. Na competição a gente vai sentir a falta dele. Mas ele foi um cara que nos últimos anos sabia o que podia acontecer e ele foi se preparando. Preparou a gente. Foi se afastando mais da gente, pra quando chegasse esses momentos não sentisse tanto a falta dele. Só que sempre vai sentir a falta dele e do treinamento dele. Mas é aquela coisa, né? A gente está se preparando pra quando chegar em Tóquio ganhar o que ele queria, que era a décima medalha dele olímpica. Então por mais que a gente tenha a perda dele, a gente teve que recuperar rapidamente para poder ganhar a vaga olímpica e poder chegar bem.”

A medalha seria em homenagem a Morlán, mas o atual treinador também merece elogios. Mesmo que a pressão seja grande: “O Lauro está fazendo um ótimo trabalho. Ele está focado também em Tóquio, pra ele, lógico, é uma pressão a mais. Sempre tem aquela coisa de manter o trabalho, o resultado dele, é muito complicado. Então ele as vezes tem queixas de dúvidas, mas ele vê o treinamento que a gente está fazendo e acaba ficando mais feliz, mais confiante em relação ao trabalho, mas é aquela coisa que ele sempre fala: não depende muito dele. Depende mais da gente. O treinamento está lá. O treinamento é pra fazer todo dia. Depende só do atleta. E isso ele vê que a gente está todo dia querendo, fazendo o treinamento mais forte possível pra poder chegar bem em Tóquio.”

O próximo desafio de Isaquias Queiroz será entre os dias 27 e 30 de julho no Parque Turístico Abulgera de Medio Mundo, em Huacho, para os Jogos Pan-Americanos Lima 2019. Com foco total no Mundial da modalidade, o atleta sabe muito bem da importância dessa competição para o percurso até os Jogos Olímpicos.

“O Pan-Americano vai ser muito importante pra gente tanto eu e o Erlon. É um campeonato que dá muita visibilidade no esporte brasileiro, a gente está treinando focado para o mundial, mas os Jogos Pan-Americanos vão ser nessa digamos linha do tempo ali pro Mundial. Então a gente vai poder ir lá, fazer uma ótima prova, avaliar entre a gente e os cubanos. Que os cubanos são os que estão em briga com a gente, vamos dizer assim, na água. E poder ver onde a gente tem que melhorar um pouco mais, pra poder voltar pra casa e acertar mais ainda.”

E a última lição que Jesus deixou é válida para todas as competições: não importa a dimensão, apenas a participação. Logo, já sabemos o objetivo de Isaquias no Peru. “O que eu falo é que sempre Jesus falou pra mim e pra toda a mídia: medalha é igual filho a gente não escolhe, a gente aceita. Lógico que o trabalho a gente vai estar trabalhando pra ganhar a medalha de ouro, mas se vir prata a gente vai estar feliz, se vir bronze a gente também vai estar feliz. Mas o foco mesmo é a medalha de ouro. Você não pode ir pro campeonato pensando em prata se não fica com bronze. Se eu pensar em bronze vou ficar com o quarto lugar. Então eu vou focado na medalha de ouro, que é o objetivo.”

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