A próxima lenda da esgrima já pode estar surgindo. Aos 17 anos, a norte-americana Jaelyn Liu desponta como uma das principais candidatas a suceder Lee Kiefer, tricampeã olímpica e maior nome da história do florete feminino dos Estados Unidos. Só que a lenda segue em plena atividade — e no auge. Aos 31 anos, Kiefer foi campeã mundial adulta recentemente e ainda deve chegar forte aos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
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Nesse cenário, Jaelyn Liu surge não apenas como sucessora natural, mas também como possível companheira de equipe — e até concorrente direta por espaço na delegação olímpica.
“Minha maior competição é comigo mesma”
Apesar do contexto que naturalmente gera comparações, a jovem evita esse caminho. “Somos pessoas totalmente diferentes. Ela está no seu próprio campo e eu estou no meu. Temos objetivos diferentes — talvez o mesmo objetivo olímpico, claro — mas eu me vejo como minha maior competidora e não quero ser comparada com outras pessoas”, afirmou ao Olimpíada Todo Dia.
A declaração evidencia a postura da atleta diante de uma das maiores referências da modalidade — sem se colocar à sombra da lenda.
Resultados já colocam Liu entre as principais do mundo
Os resultados ajudam a explicar o tamanho da expectativa em torno do nome de Jaelyn Liu. No Campeonato Mundial Cadete e Juvenil do Rio de Janeiro, a americana conquistou o tricampeonato mundial sub-17 e o bicampeonato mundial sub-20, confirmando seu domínio nas categorias de base.
Mas o impacto já ultrapassa o juvenil. Ainda com 16 anos, Liu integrou a equipe dos Estados Unidos campeã mundial adulta, pouco depois de disputar seu primeiro Mundial na categoria. No individual, acabou surpreendida no quadro de 32 ao perder por 15 a 14 para a então britânica Carolina Stutchbury.
Mesmo assim, se recuperou na disputa por equipes e ajudou o país a conquistar o título — tornando-se campeã mundial adulta antes mesmo de completar 17 anos. Além disso, ela também conquistou o bronze individual no Campeonato Pan-Americano de 2025, no Rio de Janeiro, sendo superada apenas pela canadense Eleanor Harvey, medalhista olímpica em Paris-2024. Na mesma competição, foi campeã por equipes ao lado de Lee Kiefer.
Início difícil e mudança de trajetória
Curiosamente, a história de Jaelyn Liu na esgrima começou longe de qualquer afinidade. “Eu comecei com sete anos e meio. Minha irmã participava de um programa extracurricular e foi lá que conheci meu primeiro treinador. Eu era bailarina a vida inteira, então foi uma mudança enorme”, contou.
A adaptação, no entanto, não foi fácil. “Eu odiei a esgrima durante o primeiro ano inteiro, mas minha mãe insistiu para que eu continuasse”, relembrou.
Com o tempo, a relação com o esporte mudou. “Comecei a gostar da ideia de ser recompensada por uma boa ação dentro do combate.”
Influência olímpica e sonho em Los Angeles
A decisão de entrar na esgrima também teve influência familiar. A mãe de Liu era fã de Luan Jujie, campeã olímpica em Los Angeles-1984 — a primeira atleta não europeia a conquistar o ouro no florete.
Quatro décadas depois, a jovem mira o mesmo palco para sua estreia olímpica. “Estou definitivamente olhando para Los Angeles-2028. Quero disputar minha primeira Olimpíada lá”, afirmou.
Disputa interna será um dos grandes desafios
Se chegar aos Jogos já é um objetivo ambicioso, garantir uma vaga na equipe dos Estados Unidos pode ser ainda mais desafiador. No florete feminino, cada país pode levar quatro atletas para a disputa por equipes, mas apenas três competem no individual. No caso dos Estados Unidos, a equipe já está garantida em Los Angeles-2028 por ser país-sede.
Ainda assim, a concorrência interna é uma das mais fortes do mundo. Além de Lee Kiefer, os Estados Unidos contam com nomes como Lauren Scruggs, vice-campeã olímpica em Paris-2024.
Mas isso não parece intimidar Jaelyn Liu. “Representar os Estados Unidos é uma honra. Eu amo representar meu país. Existem muitos competidores que podem lutar pelo meu lugar, e isso é o que torna o esporte divertido”, destacou. “Se eu estivesse no topo para sempre, não teria graça.”
Diferença entre base e elite
Mesmo dominante nas categorias de base, Liu reconhece o salto de nível no circuito adulto. “No adulto, todo mundo está no mesmo nível. Você precisa se adaptar, preparar melhor e ser mais estratégico. A diferença está em quem consegue resistir mais e ser mais inteligente durante o combate”, explicou.
Nova estrela em formação
Com resultados expressivos ainda na adolescência, experiência precoce no alto nível e inserção em uma das seleções mais fortes do mundo, Jaelyn Liu já se coloca como um dos principais nomes do futuro do florete.
Se será a sucessora de Lee Kiefer — ou até sua rival direta em Los Angeles-2028 — ainda é cedo para afirmar. Mas o cenário já está desenhado.
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