A equipe do Comitê Olímpico do Brasil (COB) nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026 terá maioria feminina. Ao todo, 58 mulheres trabalharão em diferentes funções na missão brasileira na Argentina, o equivalente a 53% dos profissionais selecionados diretamente pela entidade.
As mulheres também ganharam espaço nas equipes multidisciplinares indicadas pelas confederações brasileiras. Serão 79 profissionais, que representam 43% desse grupo. O resultado supera a meta de participação feminina estabelecida pelo COB em 2024, que previa ao menos 30% de mulheres nas comissões das modalidades.
Todas as confederações que participarão da missão em Santa Fé alcançaram o percentual mínimo definido pelo Comitê.
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Yane Marques será chefe de missão
A delegação brasileira será liderada por Yane Marques, vice-presidente do COB e medalhista de bronze no pentatlo moderno nos Jogos Olímpicos de Londres-2012. Ela exercerá a função de chefe de missão do Time Brasil na competição.
Yane será mais uma mulher a comandar uma delegação brasileira em um evento multiesportivo. Adriana Behar foi a primeira a ocupar o cargo, nos Jogos Olímpicos da Juventude de Singapura-2010. A ex-jogadora de vôlei de praia voltou à função na edição de Nanquim-2014.
Joyce Ardies, por sua vez, foi chefe de missão nos Jogos Sul-Americanos de Praia de Santa Marta-2023. Em Santa Fé, ela será uma das subchefes, ao lado de Bruno Martins.
Segundo Mariana Mello, gerente de Projetos Esportivos Especiais do COB, a presença feminina nas diferentes áreas da missão mostra que o trabalho pela equidade passou a aparecer na composição efetiva das equipes brasileiras.
“O percentual de quase 60% de mulheres entre os oficiais indicados pelo COB é extremamente significativo porque demonstra que a equidade de gênero deixou de ser apenas uma meta e passou a se refletir na composição real das equipes”, afirmou.
Mulheres em funções estratégicas
As profissionais atuarão em áreas esportivas, administrativas e operacionais durante os Jogos Sul-Americanos. Para o COB, o aumento da participação feminina também amplia a presença de mulheres em posições estratégicas, de liderança e de responsabilidade dentro das delegações.
Mariana destacou que o resultado vai além da representatividade numérica. Segundo a dirigente, a escolha de profissionais qualificadas contribui diretamente para a atuação esportiva e operacional do Time Brasil, além de produzir referências para atletas, treinadoras e futuras gestoras.
A indicação de Yane Marques para chefiar a missão é um dos exemplos desse processo. Em 2026, outra medalhista olímpica ocupou o mesmo posto: Poliana Okimoto comandou a delegação brasileira nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, realizados no Panamá.
Para Mariana, as escolhas reconhecem a experiência adquirida por Yane e Poliana durante suas trajetórias como atletas e abrem novas possibilidades para a atuação de mulheres em cargos de gestão esportiva.
Mais sobre Santa Fé
Trabalho iniciado antes de Santa Fé
O COB criou a área Mulher no Esporte em 2021 e, no ano seguinte, instituiu a Comissão Mulher no Esporte. As iniciativas buscam ampliar a presença feminina em espaços de liderança e disseminar boas práticas entre as confederações brasileiras.
Entre os projetos desenvolvidos estão uma mentoria individualizada voltada às treinadoras e o Fórum Mulher no Esporte. As ações oferecem formação, capacitação, troca de experiências e oportunidades de conexão entre profissionais do setor.
De acordo com Mariana, o avanço registrado para Santa Fé 2026 é resultado de um trabalho realizado ao longo de todo o ciclo esportivo, com a participação das confederações na identificação, preparação e indicação das profissionais.
“Mais do que cumprir um percentual, estamos contribuindo para a construção de um ambiente esportivo mais diverso, qualificado e sustentável para as próximas gerações”, concluiu.



