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A fisgada do lado na corrida pode ter relação com ritmo, ar e alimentação



A pontada lateral é comum entre corredores e pode ter relação com intensidade, respiração, postura, alimentação e adaptação ao esforço



Fisgada do lado na corrida- como ajustar ritmo e respiração

A corrida começa bem, o corpo aquece, o ritmo encaixa e, de repente, aparece uma fisgada do lado. A dor costuma vir perto das costelas ou na lateral do abdômen. Às vezes, é uma pontada leve. Em outras, incomoda tanto que obriga a reduzir o ritmo ou parar.

Essa sensação é conhecida popularmente como “dor de lado” ou “fisgada do lado”. Na literatura, aparece como dor abdominal transitória relacionada ao exercício, ou ETAP. Ela é comum em corredores, mas também pode aparecer em natação, ciclismo, esportes coletivos e outras atividades.

Na maioria das vezes, a fisgada é passageira. Ainda assim, entender os gatilhos ajuda a ajustar o treino sem transformar uma dor comum em motivo de medo.

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O que pode causar a fisgada

Não há uma explicação única para todos os casos. A fisgada pode estar relacionada a movimentos repetidos do tronco, respiração, tensão na região abdominal, postura, intensidade do exercício e proximidade de refeições ou bebidas antes da corrida.

Uma revisão sobre ETAP descreve a dor como comum em atividades com movimentos repetitivos do tronco em posição estendida, como corrida e equitação. O mesmo trabalho cita que cerca de 70% dos corredores relataram ter sentido a dor no último ano, e que cerca de um em cada cinco participantes pode sentir o problema em um evento de corrida.

Ou seja: a fisgada é frequente. Mas ser comum não significa que precise ser ignorada quando aparece sempre, muito forte ou com outros sintomas.

Ritmo forte demais pode pesar

Um dos gatilhos mais comuns é começar rápido demais. Quando o corredor aumenta a intensidade antes de o corpo estar pronto, a respiração fica desorganizada, o tronco tensiona e a pontada pode aparecer.

Isso acontece muito com iniciantes ou em treinos em que a pessoa tenta acompanhar alguém mais rápido. O corpo ainda não encaixou o ritmo, mas a intensidade já subiu.

Ajustar o começo da corrida pode ajudar. Faça os primeiros minutos mais leves, deixe a respiração estabilizar e só depois aumente o ritmo. Em muitos casos, a fisgada aparece menos quando a corrida começa com progressão.

Respiração e postura conversam

A respiração não precisa seguir uma regra rígida, mas precisa acompanhar o esforço. Quando o corredor prende o ar, respira curto demais ou fica muito tenso, a região do tronco pode sofrer mais.

A Cleveland Clinic descreve a side stitch como uma dor que pode aparecer abaixo das costelas ou na lateral do abdômen e recomenda medidas como aquecer antes do exercício, hidratar-se e regular a respiração.

Também vale observar a postura. Correr muito curvado, com ombros elevados ou tronco rígido pode piorar a sensação. A ideia é manter o corpo firme, mas não travado. Braços soltos, olhar à frente e respiração mais profunda podem ajudar.

Comer muito perto pode incomodar

A fisgada também pode ter relação com o que foi consumido antes da corrida. Refeições grandes, alimentos muito gordurosos, excesso de líquidos ou bebidas muito açucaradas perto do treino podem aumentar o desconforto em algumas pessoas.

Isso não significa correr sempre em jejum. Significa testar melhor o intervalo. Se a pontada aparece sempre depois de comer muito perto do treino, talvez valha aumentar o tempo entre refeição e corrida ou escolher algo mais leve.

Cada corpo responde de um jeito. Por isso, observar o padrão é mais útil do que copiar regra pronta.

O que fazer quando aparece

Se a fisgada surgir durante a corrida, reduza o ritmo. Caminhar por alguns minutos pode ser suficiente. Tente respirar de forma mais calma e profunda, relaxar ombros e tronco e evitar insistir no mesmo ritmo.

Algumas pessoas sentem melhora ao pressionar suavemente a região dolorida ou inclinar levemente o tronco. Outras precisam parar até a dor passar. O importante é não transformar a pontada em disputa.

Se a dor passa com redução do esforço e não deixa sintomas depois, geralmente é apenas um episódio do treino. Se é intensa, diferente, persistente ou vem acompanhada de tontura, falta de ar fora do normal, dor no peito, febre ou mal-estar, é preciso buscar avaliação profissional.

Como prevenir sem complicar

Alguns ajustes simples podem reduzir a chance de fisgada:
começar a corrida mais leve, aquecer, evitar refeição pesada muito perto do treino, hidratar-se ao longo do dia, fortalecer o tronco e respeitar a progressão.

Também ajuda não aumentar tudo ao mesmo tempo. Mais velocidade, mais distância, mais subida e menos descanso na mesma semana podem deixar o corpo mais suscetível a desconfortos.

A fisgada do lado não deve ser vista como fraqueza. Muitas vezes, é apenas um sinal de que o ritmo, a respiração ou o contexto do treino precisam de ajuste.

O corpo aprende com a corrida

À medida que o corredor ganha condicionamento, aprende a controlar ritmo e entende melhor o que comer antes, a fisgada tende a ficar menos frequente para muitas pessoas. O corpo se adapta à repetição.

A corrida não precisa ser interrompida por medo da pontada. Mas também não precisa ser feita no sofrimento. Ajustar o ritmo, respirar melhor, organizar o pré-treino e respeitar sinais do corpo são caminhos simples.

No fim, a fisgada do lado é um recado. Às vezes, ela só diz: vá um pouco mais devagar, respire melhor e deixe o corpo entrar no treino.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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