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Tóquio 2020

Paulo André precisa baixar dos 10s para poder sonhar com final e medalha

Principal velocista do país, Paulo André considera fundamental romper a barreira dos 10s para ter chance de uma final individual e de medalha no revezamento

Paulo André precisa baixar dos 10s para poder sonhar com final e medalha

Paulo André Camilo de Oliveira vive uma temporada especial, com foco total nos Jogos Olímpicos de Tóquio, de 23 de julho a 8 de agosto. O velocista de 22 anos coloca como objetivo baixar a marca dos 10 segundos nos 100 m rasos, algo que nunca nenhum brasileiro conseguiu na história. Ele diz que “sonha com uma medalha olímpica, com uma final olímpica”, mas sabe que para chegar nesse pódio é necessário quebrar essa barreira de tempo.

“Acho que essa é uma barreira viável não só para mim, mas para outros velocistas do Brasil. Temos uma safra muito boa, mas estou perto. Estou tranquilo também e sem pressão quanto a isso. No momento certo vou conseguir encaixar essa marca, é uma questão de tempo”, aposta Paulo André.

A melhor marca da carreira de Paulo André foi 10s02, obtida em setembro de 2018 em Bragança Paulista, enquanto o recorde brasileiro e sul-americano é de 10s00, feito por Robson Caetano há 32 anos na Cidade do México.

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O atleta paulista que vive em Vila Velha, no Espírito Santo, onde treina com Carlos Camilo de Oliveira, seu pai, já tem o índice olímpico individual nos 100 m – correu 10s04 em Braga, Portugal, antes da interrupção das competições e do adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020 para 2021 por causa da pandemia da covid-19.

No fim de 2020, Paulo André competiu no Grande Prêmio Brasil Caixa de Atletismo e no Troféu Brasil Caixa, em dezembro, em São Paulo, ainda no período de base e longe de sua melhor forma física e técnica. Mesmo assim, comemorou o tetracampeonato brasileiro dos 100 m com 10.13 (-0.3) e ficou em segundo no GP com 10.30 (-0.2).

Paulo André durante o

“Competi na base e ainda estou nela. Eu e meu técnico decidimos esticar um pouco a base porque a gente não costuma competir no indoor. O nosso foco é total na Olimpíada. Já temos a vaga, então é trabalhar com paciência. É claro que o treinamento é com cautela respeitando o meu corpo, mas muito intenso também. O foco e o trabalho são para chegar em Tóquio muito bem”, disse Paulo André que participou do Camping Nacional de Treinamento de Provas de Revezamento e do Laboratório do Comitê Olímpico do Brasil (COB), realizado no fim de janeiro no Centro Nacional de Desenvolvimento do Atletismo (CNDA), em Bragança Paulista (SP), como integrante do 4×100 m.

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Sua primeira competição de 2021 deve ser em março. A previsão é que os atletas dos revezamentos façam novo camping em Chula Vista, nos Estados Unidos, e competições por lá. “Para pegar lastro e ritmo competitivo para eventos mais importantes e fortes”, disse Paulo André.

Definiu os campings como essenciais para os objetivos no revezamento. “É de suma importância essa parceria da CBAt com o COB e por mais que a situação seja delicada, devido a pandemia, é muito importante o grupo se reunir”, observou. “E também com os professores para que a gente possa assimilar os exercícios para evoluir no revezamento. Poucas equipes fazem isso e pode ser a diferença. Estamos no caminho, trabalhando.”

Paulo andré com o uniforme do Pinheiros durante o Troféu Brasil de atletismo

O Brasil tem atualmente um “grupo muito qualificado” para o revezamento 4×100 m, segundo classificou Paulo André, com as equipes que competiram em 2019 e os atletas mais novos que estão chegando em 2021. No Mundial de Revezamentos de Yokohama, Japão, o Brasil foi ouro, com Rodrigo Nascimento, Jorge Vides, Derick Souza e Paulo André, mais Vitor Hugo dos Santos como reserva, em 38.05. No Mundial de Doha, no Catar, o Brasil ficou em quarto, com Rodrigo, Vitor Hugo, Derick e Paulo André, com 37.72, recorde sul-americano – e ainda teve Aldemir Gomes Júnior.

Participaram do camping de Bragança Paulista e devem ir para Chula Vista também Erik Felipe Cardoso e Felipe Bardi dos Santos (ambos do SESI-SP), treinados por Darci Ferreira da Silva. “É uma equipe qualificada, unida, tem um entrosamento dentro e fora das pistas”, observou. Paulo André disse que competiu com Felipe Bardi nas categorias de base, já que estão na mesma faixa etária. “Nessa etapa é novo na equipe, mas está com a gente faz tempo. O Erik sim é novo no time. É passar segurança para eles ficarem à vontade, para a gente conseguir vitórias e bons resultados. O Felipe vem com bons resultados individualmente, é peça fundamental que vai compor a equipe. Tem um grupo experiente também, importante para unir e chegar no nosso objetivo.”

Embora esteja trabalhando também para a sua prova individual Paulo André afirma “que o revezamento é o foco principal do Brasil com grande expectativa para a Olimpíada”.

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