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Coronavírus

Já dá para prever o impacto econômico da crise no esporte?

Pesquisador doutor vê crise do Coronavírus no começo e prefere não estipular prazos para a recomposição econômica do esporte mundial, mas acredita que será um processo complicado e lento

Já é possível prever o prejuízo econômico do Coronavírus no esporte?
O esporte mundial está praticamente paralisado em sua totalidade por conta do Coronavírus (Foto: Divulgação/Shutterstock)

Atletas confinados, competições suspensas e estádios, ginásios e centros de treinamentos fechados. O esporte parou em decorrência da pandemia do Coronavírus, que traz uma onda de incertezas, entre elas o impacto financeiro que essa crise pode levar à área esportiva.

Para entender melhor o cenário que o esporte mundial pode encarar, o Olimpíada Todo Dia conversou com Anderson Gurgel, professor de Marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisador doutor na área da de comunicação com particular ênfase nos âmbitos esportivos, econômico e do entretenimento.

De acordo com Anderson Gurgel, ainda é muito precoce estabelecer números concretos em relação ao prejuízo financeiro, mas ele acredita que o futuro do esporte é preocupante, até porque a área do entretenimento é a primeira a ser atingida nesses casos.

“Ainda não dá para dimensionar em termos consolidados. O que não se pode negar é que vai ser um impacto dramático. A área de entretenimento é atingida de primeira justamente pelo caráter menos crítico. As pessoas precisam de comida e saúde, que serão as últimas coisas a serem restritas. Teatro, shows, aulas e jogos esportivos são as primeiras a serem impactadas”, afirmou.

Prejuízo na NBA

A NBA está suspensa por tempo indeterminado (Foto: Divulgação/NBA)

Mesmo assim, alguns levantamentos começam a ser divulgados. De acordo com Scott Kaplan, especialista em economia aplicada na Universidade da Califórnia, se a temporada da NBA for cancelada, a perda em receita pode chegar à casa dos dois bilhões de dólares (cerca de R$ 10 bilhões).

As ligas, inclusive, não serão as únicas afetadas. Conforme a Spotrac, site especializado em finanças da NBA, LeBron James, por exemplo, pode deixar de receber até nove milhões de dólares (em torno de R$ 45 milhões) caso a temporada seja encerrada antecipadamente.

“Alguns estudos também estão sendo feitos em relação aos grandes clubes do futebol europeu, como o Barcelona, que perde seis milhões de euros (R$ 36 milhões) com jogos de portões fechados, porque são times de muita procura e cada partida sem torcida significa perdas muito grandes em termo de bilheteria. De qualquer jeito, é muito cedo para falar o impacto total”, completou Gurgel.

Cenário brasileiro

No cenário brasileiro, ainda não existem levantamentos finalizados. Quando questionado sobre se é possível clubes, atletas, ligas e entidades do Brasil trabalharem para amenizar o prejuízo financeiro com o esporte paralisado, Anderson Gurgel respondeu que a parte financeira e esportiva fica em segundo plano e o maior foco é o recurso humano.

“A saída concreta é segurança. Qualquer clube que insiste em ignorar a seriedade do caso implica em mais prejuízo para os recursos humanos, ou seja, pessoas doentes, e consequentemente a imagem dessa empresa fica prejudicada em termos de redes sociais e do que as pessoas pensam em relação às atitudes dos gestores dessas marcas. Neste momento não há o que fazer, além de buscar segurança”, disse.

Durante a semana, vários clubes brasileiros fizeram atos de solidariedade ao reforçarem as medidas de combate contra o Coronavírus e cederem suas estruturas para uso do governo. O Allianz Parque, estádio do Palmeiras, funcionará como posto de vacinação para o vírus influenza a partir da próxima segunda-feira (23).

Futuro do esporte

Com o Coronavírus passando por estágios distintos em cada país – China parece ter superado, Itália caminha para o pico e Brasil está em fase inicial, por exemplo –, Anderson Gurgel prefere não estipular um prazo para a recomposição econômica do esporte mundial, mas acredita que será um processo complicado.  

“Não dá para falar de prazos, até porque o mundo terá vários momentos em função da evolução do vírus. Será um restabelecimento difícil e que vai exigir um bom tempo. Tem gente que acha esse ano está completamente comprometido, primeiro semestre é certeza, mas o ano todo pode ser comprometido”, analisou.

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Apesar do esporte e da sociedade passarem por tempos de incerteza, Anderson Gurgel acredita que será possível tirar lições proveitosas da crise mundial ocasionada pela pandemia do Coronavírus.

“Vamos pensar na área de gestão, administração e marketing, como se fosse um case mesmo, um caso que tem uma história com algumas lições aprendidas. Nós não terminamos essa história ainda, para ver o que errou ou acertou e, por tanto, colocar diretrizes para o futuro. É um fato que vai deixar muitas reflexões, surgirão muitas mudanças de práticas e acho que o esporte será impactado”, finalizou.

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