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Fórum Esporte Seguro do COB debate ambiente saudável no alto rendimento



O COB realizou o III Fórum Esporte Seguro no Rio de Janeiro. Especialistas e atletas debateram soluções para garantir um ambiente saudável



III Fórum Esporte Seguro do COB debate ambiente seguro no alto rendimento
Foto: Grazie Batista/COB

“Esporte Seguro para Todos”. Foi sob este tema que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) realizou o III Fórum Esporte Seguro nesta quinta-feira (6), no Rio de Janeiro. Gestores, atletas, treinadores e demais atores do tema passaram o dia no Hotel Hilton Copacabana debatendo sobre soluções para um ambiente seguro na comunidade esportiva.

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“Para que os valores que o esporte nos ensina sejam colocados em prática, é necessário um ambiente seguro. Não adianta falar que o esporte educa, se, na verdade, não existe um ambiente para que quem pratica possa se sentir seguro”, destacou Marco La Porta, presidente do COB, em seu discurso de abertura.

Marco La Porta - Fórum Esporte Seguro 2026
Marco La Porta (Foto: Grazie Batista/COB)

Debates e perspectivas no alto rendimento

A programação contou com quatro painéis, seguidos por mesas redondas, abordando o tema através de várias perspectivas. Entre os destaques estiveram as ex-atletas olímpicas Joanna Maranhão e Daiane dos Santos. Junto com a remadora e presidente da Comissão de Atletas do COB, Fernanda Nunes, e a coordenadora da Área Esporte Seguro do COB, Mariany Nonaka, elas debateram caminhos para mudanças na estrutura da cultura esportiva no alto rendimento.

Em entrevista após o painel, Joanna, que é coordenadora de networking da Sport & Rights Alliance, destacou que a violência no ambiente esportivo é um problema multifatorial e exige uma resposta sistêmica. A ex-atleta ainda apontou que o ponto de partida deve ser a liderança pelo exemplo: quando órgãos de topo, como COI e FIFA, estabelecem diretrizes claras, cria-se um “efeito cascata” que induz o restante das organizações.

“Quando a gente não tem documento nenhum, quando não tem nenhuma legislação que o obrigue, fica ainda mais difícil. O objetivo era ter um documento mandatório dentro do movimento olímpico, anexado à Carta Olímpica, o que seria um grande diferencial. Infelizmente, a gestão atual reduziu esse documento a algo que não tem poder de determinar o que as organizações devem fazer. Mas a gente vai seguir na luta, tentando convencer o Comitê Olímpico (COI) de que eles precisam puxar esse carro”, disse.

O papel do sistema organizacional e do compliance

Outra perspectiva abordada foi a do sistema organizacional e seus mecanismos para tomar conhecimento dos casos, além de implementar políticas de prevenção. A ex-atleta de handebol e atual presidente do Conselho de Ética do COB, Duda Amorim, participou do debate ao lado de Hannah Hinton, vice-presidente de auditoria e compliance do U.S. Center for SafeSport.

“Tem organizações que não têm nem canal de denúncia. Essa questão do ambiente seguro no esporte, no Brasil, isso já está mais avançado nesse sentido, especificamente pelo canal de denúncia que está sendo exigido”, citou Duda, ao falar que o Brasil tem apresentado avanços expressivos nesse sentido.

Saúde mental e rigidez no esporte

A saúde mental também foi discutida no evento. Na mesa redonda que debateu a mentalidade do alto rendimento, a psicóloga esportiva do COB, Aline Wolf, e o treinador da seleção brasileira de boxe, Mateus Alves, apontaram os desafios na transição de gerações.

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“Não é uma máquina que faz o resultado, é uma pessoa que faz o resultado. A gente está passando por uma mudança grande de perspectiva. A psicologia tem um papel fundamental de dar condições para que essa pessoa tenha robustez, autoconhecimento, autorregulação e estrutura para dar conta de todo o processo que envolve estar na alta performance”, ressaltou Wolf.

“Não podemos achar que, para ser seguro, o esporte não pode ser rígido. Precisamos entender que existem contextos diferentes. O esporte seguro não pode ser um escudo para impedir qualquer tipo de cobrança”, disse Mateus Alves.

Jornalista recifense formado na Faculdade Boa Viagem apaixonado por futebol e grandes histórias. Trabalhando no movimento olímpico e paralímpico desde 2022.

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