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Gabi comemora evolução física e dá peso de final a duelo contra Colômbia



Capitã comemora evolução na progressão de carga, cobra melhora em fundamentos e lembra derrota de 2021 antes do terceiro jogo do Brasil no Sul-Americano



Gabi ganhou mais tempo em quadra na vitória do Brasil por 3 sets a 0 sobre o Peru, na noite de quarta-feira (9), pelo Campeonato Sul-Americano feminino de vôlei. Em processo de progressão de carga, a capitã atuou em quase toda a partida, disse estar jogando sem dor e projetou uma exigência maior nesta quinta-feira (10), contra a Colômbia. Para ela, o confronto das 20h, no Maracanãzinho, tem peso de decisão na campanha brasileira.

O aumento dos minutos de Gabi faz parte do planejamento da comissão técnica para a competição. Depois de disputar dois sets na estreia contra a Venezuela, ela permaneceu em quadra por quase todo o confronto diante das peruanas. “Eu tenho essa progressão de carga durante o Sul-Americano. Ontem eu joguei dois sets, hoje joguei quase três sets completos. E a gente espera que a evolução seja essa, que eu consiga estar mais tempo em quadra”, explicou Gabi ao Olimpíada Todo Dia.

A ponteira chegou a imaginar que seria substituída no terceiro set, mas permaneceu em quadra por mais alguns minutos. A situação foi recebida de maneira positiva pela jogadora. “Confesso que fiquei feliz. Fiquei naquela dúvida: vai me tirar, não vai me tirar? Fiquei feliz de conseguir contribuir um pouquinho mais”, contou.

Gabi ataca em vitória do Brasil sobre o Peru pelo Sul-Americano de vôlei feminino (Mauricio Val:FV Imagem:CBV)
Gabi ataca em vitória do Brasil sobre o Peru pelo Sul-Americano de vôlei feminino (Mauricio Val/FV Imagem/CBV)

Além de aumentar gradativamente o tempo em quadra, Gabi destacou outro ponto importante de sua retomada. “Para mim, na minha cabeça, é conseguir trazer um pouco dessa liderança, organizar o time, fazer o fundo de quadra. Se eu conseguir também contribuir pontuando, melhor ainda. E, depois, também jogar sem dor. Tem esse protocolo. Estou conseguindo ficar um pouquinho mais dentro de quadra. Tem sido muito importante, ainda mais solta, ainda mais confiante.”


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Gabi cobra evolução mesmo após nova vitória por 3 a 0

Apesar do segundo triunfo consecutivo sem perder sets, Gabi não saiu plenamente satisfeita com a atuação brasileira. A capitã apontou dificuldades principalmente no bloqueio e no saque. “Realmente, o nosso bloqueio sofreu muito. Muitas bolas no meio do braço, mão de fora. Pela qualidade que a gente tem, a gente sabe que não pode ter essa deficiência tão grande como foi hoje. Ontem a gente já tinha conversado sobre isso, que queria ter uma eficiência maior. Nosso saque também não funcionou muito bem”, avaliou.

A leitura da capitã chama atenção porque o Brasil teve ampla vantagem nos números de bloqueio contra o Peru. Ainda assim, Gabi analisou o fundamento para além dos pontos diretos e destacou bolas exploradas pelas atacantes adversárias.

Em contrapartida, ela viu evolução na construção ofensiva e na organização do fundo de quadra. “Feliz que o meio jogou muito bem, nosso passe conseguiu ter um ajuste melhor, nossa comunicação também dentro de quadra. Não teve tantas bolas bobas caindo, que num jogo como esse requerem uma atenção maior.”

Para Gabi, acionar as centrais com maior frequência também ajuda a distribuir o bloqueio adversário e cria melhores condições para as atacantes das extremidades. “A gente sabe a qualidade que tem no time. Se conseguir jogar mais pelo meio, fica muito mais fácil conseguir jogar pela ponta, com uma marcação um pouco mais limitada.”

Derrota de 2021 reforça alerta contra a Colômbia

O tom da capitã mudou ao falar da Colômbia. Gabi tem um motivo concreto para evitar qualquer excesso de confiança: ela estava em quadra na última derrota brasileira para as colombianas. O revés aconteceu em 19 de setembro de 2021, justamente pelo Campeonato Sul-Americano. Jogando em Barrancabermeja, na Colômbia, o Brasil perdeu por 3 sets a 1, com parciais de 25/19, 25/23, 24/26 e 25/23. Mesmo derrotada, a seleção brasileira terminou aquela edição com o título, pois precisava conquistar apenas um set na partida para assegurar a taça.

Foi a primeira vitória da Colômbia sobre o Brasil na história do Sul-Americano feminino. Cinco anos depois, Gabi ainda guarda a lembrança daquele confronto. “Eu estava lá. Então foi um jogo muito difícil para a gente. Fomos campeões, mas perdemos aquela partida. E é um papo que a gente tem: a gente não pode desrespeitar nenhuma equipe. A melhor maneira de respeitar qualquer equipe em uma competição é entrar e fazer o nosso melhor, independentemente de contra quem a gente for jogar.”

A capitã também ressaltou que o nível de dificuldade tende a crescer conforme o Sul-Americano avança. “A dificuldade do campeonato cresce cada vez mais. As equipes vão pegando cada vez mais entrosamento, vão ficando mais soltas também. E amanhã, para a gente, é uma final que pode determinar o campeonato em todos os sentidos. Então tem que ter uma atenção grande.”

Antes disso, Gabi já havia reforçado a necessidade de uma atuação mais consistente diante das colombianas. “Agora é com tudo, porque amanhã vai ser um jogo muito perigoso contra a Colômbia. A gente tem que ter a atenção máxima para fazer um jogo mais efetivo nos fundamentos que sabe que consegue fazer melhor.”

Zé Roberto elogia concentração, mas também pede ajuste no bloqueio

José Roberto Guimarães teve uma avaliação semelhante à da capitã. O treinador considerou a atuação diante do Peru superior à da estreia e destacou a postura da equipe ao longo dos três sets. “Acho que a consistência do time hoje foi melhor até do que ontem. Alguns erros ainda que a gente poderia ter evitado, mas o foco, a concentração, a determinação com que o time jogou, acho que isso está sendo um ponto alto”, afirmou ao OTD.

Mesmo com os bons números brasileiros no bloqueio, Zé Roberto concordou com Gabi que havia espaço para melhorar. Segundo ele, as características das atacantes peruanas exigiram uma adaptação diferente da habitual. “Eu acho que a gente poderia ter bloqueado melhor. O time do Peru é um time menor, mais baixo, mas muito habilidoso, principalmente na mão de fora. Elas têm um braço muito veloz, saltam muito rápido e saltam bem. Nossas jogadoras estão acostumadas a jogar contra jogadoras mais altas e isso vai criando um hábito.”

O treinador comparou o desafio às adaptações necessárias contra equipes asiáticas, que compensam a menor estatura média com velocidade de ataque. “Por isso, se adaptar para jogar contra a seleção japonesa, contra times asiáticos, é mais complicado. E o time do Peru é bastante assim. Tem um bom volume de jogo, é um time que saca bem. Mas gostei da concentração do nosso time o tempo inteiro.”

Marcelle ganha nova função durante partida

Outra novidade utilizada contra o Peru foi Marcelle em passagens pelo saque e pelo fundo de quadra. Embora seja líbero, a jogadora pôde executar outras funções na partida porque não estava relacionada como uma das líberos em quadra.

Zé Roberto revelou que a possibilidade já vinha sendo trabalhada nos treinamentos. “Ela treinou isso. Ela pode ajudar ali também, entrando para sacar, entrando para defender, fazendo uma passagem no fundo. Vai ser bom.”

Brasil e Colômbia se enfrentam nesta quinta-feira (10), às 20h, no Maracanãzinho. A seleção brasileira chega ao terceiro compromisso com duas vitórias por 3 sets a 0, sobre Venezuela e Peru, e ainda sem perder sets no Sul-Americano.

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