Há muitos anos, Gabi Guimarães é a principal referência da seleção feminina de vôlei e dos clubes por onde passa. A ponteira sempre figura entre as melhores atletas das grandes competições. No ano passado, ela ganhou um novo apelido: “filha do Deus do vôlei”. E suas atuações na fase final do Mundial de Vôlei Feminino 2025 mostraram porque ela merece carregar essa alcunha.
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O apelido de “filha do Deus do vôlei” foi dado pelo técnico italiano Stefano Lavarini, que atualmente treina a seleção da Polônia. Em uma entrevista durante a Liga das Nações do ano passado, ele comentou sobre a qualidade do voleibol de Gabi Guimarães. “Se há um Deus do voleibol no Olimpo, esta é a filha dele. É um talento espetacular”, afirmou o treinador.
No vôlei atual, há muito destaque para opostas que “carregam” os seus times em grandes decisões, sempre liderando a lista de maiores pontuadoras. Egonu e Antropova na Itália, Melissa Vargas na Turquia e Boskovic na Sérvia são os principais exemplos. Mas na briga para definir a melhor da atualidade, Gabi Guimarães tem um diferencial. Ela nem sempre se destaca na pontuação, mas com uma função tática diferente, Gabi tem um papel até mesmo mais importante. Ela passa, ataca, defende, bloqueia. Faz de tudo durante um rally.
Entregando-se por completo
A seleção feminina de vôlei vem em uma seca de títulos a nível mundial. Muitos torcedores cobram o desempenho de Gabi Guimarães em partidas decisivas onde ela não teve uma boa atuação. Mas no Mundial de 2025, a situação foi diferente. Nos principais jogos do Brasil, Gabi se esforçou muito. Na semifinal, pegamos uma invicta Itália que está há 36 jogos sem perder. A ponteira foi o grande nome do jogo. Se entregou em quadra como ninguém e terminou como maior pontuadora da partida com 29 pontos.

O jogo contra a Itália foi definido no detalhe. O Brasil fez uma grande partida, mas perdeu no tiebreak por apenas dois pontos. Menos de 24 horas após a derrota, a seleção brasileira voltou à quadra para enfrentar o Japão na disputa do bronze. O cansaço físico e mental afetou boa parte das jogadoras do Brasil. Mesmo assim, Gabi fez outra atuação de gala. Foram 35 pontos, para um total de 64 em um período muito curto de tempo.
Com o término do Mundial de vôlei feminino, Gabi Guimarães entrou para o “Dream Team” do Mundial, sendo uma das ponteiras escolhidas para o time ideal. O prêmio de MVP foi para a levantadora Alessia Orro, campeã com a Itália. É comum o prêmio de melhor jogadora ir para alguém do time vencedor. Orro fez uma boa campanha, mas o prêmio parece pouco merecido. Ninguém nesse Campeonato Mundial fez o que Gabi fez nas últimas 48 horas. Nossa capitã é a MVP moral da competição e merecia o reconhecimento.
Apesar da seca de títulos, o Brasil tem uma grande geração. Provavelmente, a seleção teria vencido a final caso passasse pela Itália. Fica a torcida para que o time consiga evoluir nesse ciclo olímpico. Porque Gabi merece muito uma medalha dourada.