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A maturidade e representatividade de Rebeca Andrade aos 22 anos

Tóquio 2020

A maturidade e representatividade de Rebeca Andrade aos 22 anos

Dona de inúmeros feitos históricos, Rebeca Andrade já é uma das maiores do esporte feminino do Brasil; conheça mais sobre ela

Tóquio – Avisa que é ela! A campanha que Rebeca Andrade vem construindo em Tóquio é a maior da história do esporte feminino brasileiro em Jogos Olímpicos. Primeira medalha da ginástica artística feminina com a prata no individual geral, primeira mulher a ter duas medalhas em uma mesma Olimpíada, primeira campeã olímpica no salto, ela é símbolo da garra. Mulher, negra, vinda da periferia de Guarulhos. A representatividade é algo muito forte e, também, a maturidade. Com apenas 22 anos, a carreira de lesões e, agora, glórias, são reflexo do trabalho de anos construído no dia a dia.

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Se engana quem pensa que os resultados mudam o que a ginasta é em sua essência: “Tem muitas pessoas assim no Brasil e a gente precisa de apoio, de pessoas que acreditem na gente, que vejam o nosso talento e que queiram que a gente cresça na vida. Estou mostrando muito isso aqui na Olimpíada e vou continuar lutando da forma como der porque acho que isso é muito importante. Quero que as pessoas cresçam dentro do esporte que elas quiserem, dentro do trabalho que elas quiserem. Acho que a gente tem de ter apoio mesmo e pessoas que acreditem na gente. A gente não chega em lugar nenhum sozinho.”

Rebeca Andrade - Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 maturidade representatividade
Rebeca com a primeira medalha da história da ginástica artística feminina nos Jogos Olímpicos, prata no individual geral
Foto: Ricardo Buffolin / CBG

INÍCIO NO ESPORTE

Rebeca Andrade: “É muito bom quando você tem apoio de pessoas que te dão suporte. Eu tive isso na minha carreira. Eu dormia na casa de meus treinadores para poder treinar, minha mãe ia trabalhar a pé para me dar o dinheiro da condução, o meu irmão me levava de bicicleta para o treino, morei um tempo na casa de uma coordenadora da ginástica. Eu saí de casa aos 10 anos, as pessoas viam potencial e queriam investir em mim. É preciso fazer isso por mais crianças. Sem apoio eu não estaria aqui hoje. O apoio no esporte pode mudar vidas. Desta maneira você cresce e se torna um ser humano melhor. Sou muito grata a tudo. Sou muito grata a Deus. Não sei explicar, ele sabia que eu queria muito me sair bem aqui na Olimpíada. Não necessariamente para ganhar uma medalha, mas para realizar uma boa performance. Mesmo sem ganhar uma medalha eu sabia que eu seria uma inspiração para outras crianças”.

AS CIRURGIAS

Rebeca Andrade: “Não são somente as do joelho, né? Tenho uma em cada pé, fiz outras cirurgias para retirar fibroses do joelho. Fazer tudo isso tão jovem é complicado. As pessoas te moldam e te mudam. Eu tive acompanhamento psicológico desde os 13 anos de idade, e do ano passado pra cá coloquei em prática o fato de não ficar nervosa, de manter o controle, de fazer na competição tudo o que eu realizava no treino. Passei por um processo de me conhecer melhor. A pandemia foi incrível para mim, tanto para a recuperação do meu joelho quanto para meu psicológico. Aprendi a me enxergar e a me conhecer melhor, a saber o que eu precisava, a perceber o que era bom e ruim. Eu me conectei comigo mesma”.

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Rebeca após o salto que lhe garantiu a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 - Foto: Ricardo Bufolin / CBG maturidade representatividade
Rebeca após o salto que lhe garantiu a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 – Foto: Ricardo Bufolin / CBG

PSICOLÓGICO FORTE

Rebeca Andrade: “Sempre falo (sozinha comigo)”. Acho que quando eu converso comigo, as coisas funcionam melhor. Antes de ir para competição, sempre oro, medito, é uma das táticas que a psicóloga me ajuda bastante. Antes de eu fazer o exercício, eu falo: ‘Vamos lá’, nem lembro o que falei, mas algo como “Você consegue, confia, acredita. Você treinou para isso’. Peço proteção para Deus, acho que o mais importante é que nada de ruim aconteça comigo e nem com nenhuma das meninas que estão na competição. Normalmente, é isso que eu falo, para confiar, acreditar.  Tenho muito disso já em mim. Eu treinei muito, estou pronta, estou preparada e só preciso fazer, ter essa confiança de fazer bem”.

A BUSCA DA PERFEICAO

Rebeca Andrade: “Busco sempre fazer o meu melhor. Dei tudo de mim na quinta, no individual. Dei tanto que até sai do solo (risos). Mas é isso. Vou fazer o meu melhor, se a medalha vier, estarei muito grata. Se não vier, tudo bem também. Isso é esporte. Tem de estar lá e ver quem é o melhor. Vou fazer 100%, fazer o meu melhor. Resultado é consequência. E penso assim, um dia após o outro”.

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OBJETIVO OLÍMPICO

Rebeca Andrade: “Eu estou feliz demais. Passei por muita coisa. Eu tinha essa Olimpíada como meu objetivo, queria fazer o meu melhor e brilhar da maneira possível. E eu acho que brilhei! Todas as atletas que passaram pela ginástica feminina estão aqui nesta medalha, elas fazem parte desta história. Esta medalha é mais um passo desta geração, e espero que as próximas consigam suas conquistas também. Eu não seria nada sozinha”.

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