A história de Daniela Bassi marca um importante capítulo no esporte brasileiro, especialmente no tênis de mesa. Pela primeira vez, uma mulher assume a liderança da seleção brasileira adulta em uma competição internacional, no Campeonato Sul-Americano, realizado em Lima. Daniela, que comanda a equipe ao lado do treinador Bruno Costa, tem a responsabilidade de guiar atletas como Giulia Takahashi, Laura Watanabe e Karina Shiray em busca da classificação para o Campeonato Pan-Americano.
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Com 40 anos dedicados à modalidade, Daniela expressou sua emoção ao assumir essa posição histórica. “É um misto de emoção, gratidão e vontade de retribuir com muito trabalho. Me sinto honrada, mas acima de tudo, com uma responsabilidade enorme porque sei que não estou aqui só por mim, mas por tantas outras mulheres que sonham com esse espaço”, afirmou. Ela também destacou a importância de que essa realidade se torne comum: “Eu sei que ainda sou uma exceção, mas torço para que logo isso vire algo natural e que outras mulheres possam se ver nesse lugar, entender que é possível”.
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Trajetória e desafios enfrentados
Natural de Santa Mariana, no Paraná, Daniela começou sua jornada no tênis de mesa aos 6 anos e, aos 15, decidiu que queria ser técnica. Para seguir seu sonho, precisou deixar sua cidade natal e se mudar para São Paulo. “Foram muitos julgamentos, portas fechadas, gente duvidando da minha capacidade. Eu precisei provar constantemente que tinha competência, que o meu trabalho era sério. Muitas vezes me senti sozinha, mas nunca deixei de acreditar que uma mulher no esporte também pode liderar, ensinar e transformar”, relatou.
Desde março deste ano, Daniela está à frente da seleção, após anos de trabalho formando atletas em Jau, interior de São Paulo. Ela não apenas treinou atletas profissionais, mas também se envolveu em projetos sociais. “Foram muitos anos treinando, ensinando, formando atletas com o pouco que eu tinha. E agora, estar numa competição adulta, representando o Brasil como técnica, mostra que todo esse caminho valeu a pena”, disse.
O papel da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa
Daniela também comentou sobre as iniciativas da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) para promover a liderança feminina na modalidade. “Acho que a CBTM tem se comprometido a ampliar esse espaço para meninas e mulheres, hoje temos cerca de 500 treinadoras nas categorias de base”, destacou. Essa abertura é um passo importante para que mais mulheres possam ocupar posições de liderança no esporte.
Embora não tenha realizado seu sonho de competir em Jogos Olímpicos como atleta, Daniela sente orgulho de ter treinado o paratleta Paulo Salmin para Paris 2024. Ela deseja continuar contribuindo para a formação de atletas e pessoas, tanto dentro quanto fora do esporte. “Quero seguir sendo ponte. Quero retribuir de alguma forma, quero deixar um legado que vá além das mesas. E quem sabe… pensar, sim, em uma Olimpíada. Mesmo que esse sonho tenha mudado de forma hoje, como técnica ele ainda vive em mim”, contou.
“Mas, independentemente de onde eu estiver, quero seguir com o mesmo propósito: transformar vidas através do esporte, como o esporte transformou a minha”, finalizou Daniela Bassi, reafirmando seu compromisso com a transformação social por meio do esporte.
* Com informações do Comitê Olímpico do Brasil.