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Coronavírus

Por saúde, Verônica para treinos e pede empatia de todos

Velocista paralímpica Verônica Hipólito pede “momento de conexão”, enquanto também se adapta à nova rotina

Verônica Hipólito atletismo
Verônica Hipólito com a bandeira do Brasil durante os Jogos Parapan-Americanos (Foto: Washington Alves/EXEMPLUS/CPB)

“Nenhuma medalha, nenhum recorde, nada vale mais que a minha saúde. E a minha vida. E poder ajudar com a minha saúde, a vida de outras pessoas”, desabafa Verônica Hipólito em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia. Desde terça (17), o Centro Paralímpico do Brasil fechou as atividades por tempo indeterminado. As competições estão suspensas até junho.

A velocista paralímpica comenta perplexa a situação que vivemos, atualmente, com a pandemia de coronavírus. “Porque é uma questão de empatia também. Talvez muitas pessoas não estejam em grupo de risco. O coronavírus vai passar como uma gripe, um resfriado. Mas existem as pessoas em grupos de risco. E não são poucas. Por exemplo, eu sou uma dessas pessoas que estaria no grupo de risco por toda a minha história. O meu treinador seria uma das pessoas que estaria no grupo de risco. Então é o momento de ter empatia”, diz Verônica.

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Para não alastrar o vírus no Brasil, medidas bruscas estão sendo tomadas e isso afeta diretamente a vida da atleta. Em um ano tão importante como o da Paralimpíada de Tóquio, mesmo com a decisão de manter os Jogos na data prevista, tudo passa a ser confuso.

“Eu não vou treinar outdoor, fora de casa. Mas dentro de casa eu vou fazer mais funcional, eu vou fazer técnica no corredor aqui de casa, eu vou fazer bastante abdominal e puxar minha mãe e meu pai junto comigo pra fazer abdominal juntos. Vou criar minhas zoeiras por aí, inventar minhas peças para pregar nas pessoas. Vou continuar mantendo a minha dieta, porque não sei o que vai acontecer pra Tóquio, mas eu vou trabalhar dentro do que é possível para conseguir ir aos Jogos, caso não pegue minha saúde.”

Autoproteção

A programação da quarentena não para por aí. Verônica Hipólito ainda cita conversas, estudos com a mãe, formas de limpar a casa, ler bastante, se conectar com a família e até aprender a cozinhar. A mudança de treinos tem, obviamente, um motivo.

“No meu caso, eu não vou continuar os treinos nesse tempo. Porque eu conheço a minha saúde, eu já tive broncopneumonia, eu não tenho produção de muitos hormônios, entre eles o cortisol. Então se eu já tive tantos problemas, sem essa pandemia, e tendo que tomar bastante corticoide. Imagina se eu pegar coronavírus. Então foi uma decisão minha com meu treinador, com a minha família. A gente vai ficar quietinho aqui em casa até tudo isso passar, por causa da minha saúde.”

Verônica pensa além da sua própria história de superação: “Só para encerrar. Acho importante falar que tem muita gente cujos trabalhos dependem de eventos. São fotógrafos, árbitros, ubers e tantos outros. Então, não cancelem, não peça reembolso de ingressos neste momento, porque é o trabalho de muita gente. É o salário de muita gente. Se tiver como adiantar o salário de alguns profissionais que você contratou, adiante, porque ele vai continuar trabalhando depois. Assina o contrato que você tá adiantando. Mas esse é um momento muito de conexão e empatia. Muito.”

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