Ter confiança para desempenhar bem pode vir de um ajuste fino e, de repente, o jogo mudar a ponto de sair campeão de uma competição. Assim, Maycon de Oliveira mudou o material em sua raquete, fez a confiança em seu jogo aumentar e venceu o Parapan de tênis de mesa, na Classe 4-5. Seu maior triunfo na carreira veio na última sexta-feira (10), no CT do Comitê Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. Além de vencer adversários que só perdia, agora vai com a tal da confiança lá em cima para o Mundial, na Tailândia.
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Como é bom ser testemunha de um processo de evolução de um paratleta. Quem está acompanhando Maycon ao longo desses quatro dias da competição internacional, não sabe que o começo foi despretensioso e quase irresponsável. “Faz uns dois anos e meio ou três que estou no profissional, nível competitivo. Antigamente só praticava na escola. Comecei a ganhar de uns ‘olímpicos’ e me chamaram para treinar. Até então, jogava campeonatinhos só para faltar na escola,” admite o mesatenista.
Então, o nível mudou de figura, quando Maycon recebeu um convite para o projeto de desenvolvimento de talentos da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). “Fui chamado para o projeto ‘Diamantes do Futuro’ e comecei, me chamaram mais vezes e peguei mais firme. Surgiu a oportunidade de morar aqui em São Paulo para treinar com a Seleção Brasileira. Fui treinando dois períodos com a seleção de transição e de base. Mas hoje estou na principal e acabei de ser campeão no Parapan”.
A chave para se destacar
Maycon venceu seus dois jogos de fase de grupos e nas quartas de final. Em seguida, enfrentou seu compatriota Carlos Eduardo de Moraes, podendo fazer a final com outro brasileiro, Lucas Carvalhal. Contudo, Maycon explicou que, nos treinamentos e competições nacionais, sempre perdia para os dois rivais. Se, em condições anteriores, sua confiança estaria em baixa pelo chaveamento, dessa vez a chave virou e por detalhes simples.
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“Há uns meses atrás, usava um outro material, que meu deu um ‘up’, peguei mais regularidade e confiança. Faz três ou quatro semanas que troquei de material tudo de novo, na loucura e dei mais um passo. Parece que a chavinha virou e as portas foram se abrindo”, revelou o mesatenista. “Com esse material fiquei muito mais confiante, coloquei na cabeça que faria o que faço nos treinos, abrindo bola, impondo meu jogo, ganhando ou perdendo. Acho que foi isso que me fez ter essas grandes vitórias. Agora é treinar mais e mais para chegar na Tailândia e ir para cima dos caras”, completou. Venceu Carlos Eduardo, mas não enfrentou Carvalhal. Derrotou o argentino Elias Romero na decisão.
Até viajar para o país na Ásia, em 2026, vai um bom tempo. Aí tem a pergunta que não quer calar: vem uma nova mudança de material na raquete para ganhar ainda mais confiança e buscar o título? “Acho que agora vou dar uma parada, vou ficar com esse material, só ajustar algumas coisas, algumas técnicas, algo que esteja precisando e vamos seguindo. Provavelmente, vai ser um nível muito mais forte do que aqui, mas acredito que estou nesse nível. Se eu jogar o meu jogo, posso chegar lá”, assegurou Maycon.
Em dupla
Neste sábado (11), Maycon jogou duplas mistas na Classe XD10 ao lado de Maria Luiza Passos. Fechou o dia em terceiro e tem mais um jogo no domingo, podendo faturar outra medalha.