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Natação

 

Janela aberta para travessia do Canal da Macha por Ana Marcela



Brasileira está em Folkestone e aguarda condições ideais para largar em travessia entre Inglaterra e França



Ana Marcela em prova de natação
Foto: Reprodução/Instagram (anamarcela92)

Janela aberta! Nesta segunda-feira (20), começou o período em que a campeã olímpica, Ana Marcela Cunha, pode largar para tentar a Travessia do Canal da Mancha, um dos desafios mais tradicionais da natação em águas abertas.

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A atleta está em Folkestone, na Inglaterra, onde faz a preparação final antes da largada rumo à França. A tentativa pode acontecer até 29 de julho, mas a data exata depende das condições climáticas e marítimas.

No Canal da Mancha, “janela” é o período reservado para a travessia. Isso significa que Ana Marcela não tem dia e horário fixos para cair na água. Dentro dessa faixa de datas, a equipe acompanha maré, vento, correnteza, temperatura e visibilidade para definir o melhor momento de largada.

Sonho de infância

Em entrevista recente à redação, Ana Marcela contou que a travessia representa um desejo antigo, anterior às principais conquistas que acumulou na maratona aquática.

“Esse é um sonho que me acompanha desde o início da minha carreira. Sempre imaginei que um dia chegaria esse momento e agora ele está muito perto. Sei exatamente dos desafios que vou enfrentar, mas também sei por que estou aqui.”

A travessia tem cerca de 34 quilômetros em linha direta entre Inglaterra e França, mas a distância percorrida costuma ser maior por causa das correntes. As águas variam entre 15°C e 17°C, e o desafio pode durar de oito a 12 horas.

Canal da Mancha. Foto: Rainer Lesniewski/Shutterstock

A campeã olímpica também disse ao OTD que não encara a tentativa apenas como busca por tempo ou recorde. Existe a possibilidade de entrar para o Guinness World Records caso estabeleça uma nova marca, mas a brasileira trata o desafio como uma realização pessoal e profissional.

“O tempo, para mim, hoje não é o mais importante. Tenho me segurado muito nisso. Quero fazer uma travessia muito mais pelo coração, pela realização pessoal e profissional, do que buscar um recorde e me frustrar por causa disso.”

Preparação no frio

Ana Marcela chegou à Inglaterra ao lado do treinador Kafu e do guia Igor de Souza, especialista no Canal da Mancha, tricampeão da Volta de Manhattan e um dos poucos brasileiros a completar a travessia três vezes. A adaptação começou logo após o desembarque.

“Assim que chegamos ela já caiu na água para ir se adaptando. Ela vai fazer treinos diários por aqui, sempre de manhã e à tarde. Pela manhã serão sessões mais longas, entre uma hora e meia e duas horas, e à tarde um treino de aproximadamente uma hora”, explicou Igor.

A preparação incluiu um simulado noturno de 12 horas e 42 quilômetros na Represa Billings, em São Paulo. No último mês, Ana Marcela também treinou em água fria no Hotel Parque Sesc Nogueira, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, para se aproximar das condições que encontrará no Canal da Mancha.

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“Ela fez uma preparação de 12 horas nadando e sentiu bastante o frio. Pedi para ela treinar bastante em água gelada, com média de 17°C, e ela fez isso durante o último mês”, destacou Igor.

Sem roupa térmica

Pelas regras tradicionais da Travessia do Canal da Mancha, Ana Marcela não poderá usar roupa térmica, neoprene, luvas, nadadeiras ou qualquer equipamento que ofereça vantagem. A tentativa será feita apenas com maiô, touca e óculos.

A nadadora reforçou que pretende respeitar a tradição da prova:

“Vou entrar naquela água apenas com a minha touca, o meu maiô e os meus óculos. É assim que a tradição da prova exige e é assim que quero viver esse desafio. Vou atrás de um sonho de criança, levando comigo toda a minha história dentro da natação.”

Durante a tentativa, a brasileira será acompanhada por uma embarcação oficial com o técnico Kafu, o guia Igor de Souza, um barqueiro, um árbitro responsável pela homologação, um representante do Guinness World Records e um videomaker. Boa sorte, Ana!

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