O Campeonato Brasileiro Interclubes Juvenil de Inverno de Natação, Troféu Arthur Sampaio Carepa, vive uma crise em Recife. A competição teve provas suspensas por causa da água turva na piscina do Centro Esportivo Santos Dumont, foi transferida para o Sport Club do Recife e passou a acumular reclamações de atletas, familiares e pessoas ligadas à modalidade. Entre as denúncias recebidas pelo Olimpíada Todo Dia está a de que nadadoras estariam tendo que urinar em baldes no novo local de competição, por falta de estrutura adequada de banheiro.
- Jogos da terça movimentam parte de baixo do G8 do Brasileiro Sub-17
- 10 anos de OTD, 10 anos que mudaram a história do esporte brasileiro
- Brasil leva campeãs mundiais aos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé
- Atual campeã, Turquia enfrenta Alemanha por vaga na semifinal do Europeu
- Renata Arruda perde para ex-clube em reencontro pelo Campeonato Romeno
A crise também envolve o Governo de Pernambuco. O Centro Esportivo Santos Dumont, sede original do campeonato, é um equipamento público estadual. Segundo a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a piscina estava em condições normais antes do início da competição. A piora aconteceu entre segunda e terça até ficar impraticável na quarta-feira. A entidade afirma que enviou um ofício ao governo estadual cobrando explicações sobre o que aconteceu e ainda aguarda uma posição oficial sobre o motivo pelo qual a água ficou turva.
A CBDA reconhece que, como organizadora do Brasileiro Juvenil, tem responsabilidade pela competição. No entanto, sustenta que as garantidas sobre as condições estruturais do Santos Dumont deveriam de responsabilidade do Governo de Pernambuco.
Denúncias após mudança para o Sport
A transferência para o Sport não encerrou as reclamações. O OTD recebeu relatos sobre problemas estruturais no novo local, incluindo blocos de partida instáveis, limitação de espaço, dúvidas sobre acesso de familiares e falta de condições adequadas para atletas mulheres.
Questionada sobre a denúncia que aponta que nadadoras estariam tendo que urinar em baldes no Sport, com auxílio de uma funcionária, a assessoria da CBDA negou veementemente que isso tenha ocorrido.
Sobre os blocos de partida, a entidade admitiu que os equipamentos são antigos. Mas negou que estivessem caindo ou que houvesse risco que impedisse a realização das provas. Segundo a confederação, várias disputas aconteceram nesta quinta-feira (18) e nenhum atleta caiu na água por problema nos blocos.
A CBDA também negou que pais e responsáveis tenham sido proibidos de acompanhar a competição. De acordo com a assessoria, por causa da limitação de espaço no parque aquático do Sport, houve apenas uma orientação para que atletas que não disputariam provas na etapa do dia evitassem ir ao local por conta da piscina do clube não ter uma grande estrutura. Outros clubes de Recife estão à disposição para treinos, além da piscina de 25 m do Santos Dumont.
Água turva paralisou provas no Santos Dumont
A crise começou na sede original do campeonato. Participantes relataram que a água da piscina do Santos Dumont estava turva, dificultando a visibilidade durante as provas. Também circularam reclamações sobre temperatura da água e possível uso inadequado de produtos químicos.
Em nota oficial divulgada na quarta-feira (17), a CBDA afirmou que a alteração na programação ocorreu “exclusivamente em razão da turbidez da água”. Segundo a entidade, a condição comprometia a visibilidade necessária para a prática segura da modalidade. Os nadadores poderiam ter dificuldade para visualizar as marcações no fundo da piscina e as referências usadas em viradas e chegadas.
A confederação negou que a suspensão tenha relação com contaminação da água ou qualquer evidência técnica de risco sanitário aos participantes. A entidade informou que a temperatura da piscina permaneceu dentro dos parâmetros da World Aquatics e que, na quarta-feira, a aferição registrou 28°C.
CBDA nega relação entre água e atendimentos médicos
A entidade também respondeu sobre relatos de atendimento médico durante a competição. Na nota de quarta-feira, a CBDA afirmou que mantém equipe médica à disposição durante todo o evento e que não houve registro, por parte dos profissionais responsáveis pelo atendimento, de ocorrências relacionadas à qualidade da água.
O Brasileiro Juvenil de Inverno reúne atletas adolescentes de clubes de todo o país e costuma funcionar como vitrine para novos nomes da natação brasileira. Em Recife, porém, a edição de 2026 passou a ser marcada por suspensão de provas, mudança emergencial de sede, reclamações de famílias, denúncias de atletas e cobrança por responsabilidades entre organização, nova sede da competição e Governo de Pernambuco.