A madrugada desta sexta-feira (20) marcou o fim de uma das marcas mais emblemáticas da história da natação. O australiano Cameron McEvoy venceu o Aberto da China com 20s88 e quebrou o recorde mundial dos 50m livre, que pertencia ao brasileiro Cesar Cielo desde 2009.
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Com a queda da marca de 20s91, construída por Cielo no Esporte Clube Pinheiros, o Brasil passa a não ter mais nenhum recorde mundial vigente na natação. A quebra encerra uma hegemonia de 17 anos, uma das mais longevas do esporte mundial.
Mais do que um recorde, a marca de Cielo virou um símbolo de uma era. Estabelecida ainda sob o contexto dos supertrajes de poliuretano, proibidos a partir de 2010, ela resistiu a mudanças técnicas, gerações de atletas e ao avanço natural do esporte.
Durante esse período, nem mesmo campeões olímpicos conseguiram ameaçar seriamente o tempo do brasileiro. Em Londres-2012, Florent Manaudou venceu com 21.34; no Rio-2016, Anthony Ervin levou o ouro com 21.40; e em Tóquio-2020, Caeleb Dressel cravou 21.07, recorde olímpico. Nenhum deles rompeu a barreira dos 21 segundos.
Agora, apenas seis recordes mundiais da era dos supertrajes ainda sobrevivem, sendo três deles em provas de 200 metros.
Do outro lado da história, McEvoy celebrou um resultado que já vinha sendo desenhado. Campeão olímpico em Paris-2024 e bicampeão mundial da prova, o australiano destacou que a marca era um objetivo antigo.
“Eu tenho esse objetivo há muito tempo. Tive uma temporada insana de treinamentos depois do campeonato mundial do ano passado. Estava fazendo algumas coisas muito especiais no treinamento. Então, sabia que eu teria a oportunidade de ganhar um PB, talvez um 20s99. Mas eu não poderia pedir algo melhor. É incrível.”
O brasileiro costumava brincar, durante os grandes eventos que torcia, que torcia para a linha imaginária das transmissões que representava o recorde em tempo real. Cesar Cielo também já alertava o potencial do australiano. Em 2023, no Mundial de Fukuoka, ele havia dito que o tempo de sub-20 segundos estava “mais perto do que a gente imaginava” para McEvoy.