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Santa Fé 2026

 

Sem técnico, Pelé do Wrestling mira Los Angeles após bronze em Rosário



Sem treinador na seleção há três meses, atleta que carrega apelido do Rei do Futebol superou transição de categoria, mudança de peso e mira Los Angeles



Pedro Henrique, o Pelé do wrestling, conta sua trajetória no esporte, a saída do judô, a relação com David Maia e o sonho olímpico.
Foto: Jonne Roriz/COB

Rosário – O wrestling brasileiro nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé fechou sua participação com três medalhas de bronze nas disputas do estilo greco-romano. Entre os que foram ao pódio, o nome que mais chama a atenção é o de Pedro Henrique, o Pelé, que há três meses segue o processo de transição profissional sem um técnico na seleção brasileira.

Mesmo com a saída do mentor Deivid Maia, Pelé conseguiu resultados expressivos sendo, além de medalhista em Rosário, quinto colocado no mundial sub-20 realizado em Bratislava, na Eslováquia. Conheça a trajetória do garoto que carrega apelido de rei e trocou o tatame pelo tapete.

Apelido de craque

Pelé ganhou o apelido ainda criança, quando seus treinadores de judô disseram que o garoto parecia o Rei do Futebol. Pedro então adotou a alcunha e revelou que hoje tem muito mais familiaridade com o nome informal. “Todo mundo me conhece como Pelézinho. Quando alguém fala meu nome completo, às vezes eu até estranho um pouco”, contou. Para ele, a comparação não é uma pressão:

“Eu levo como um elogio. O Pelé foi um dos maiores atletas do Brasil, um dos maiores atletas da história. Então, para mim, é uma honra poder carregar um pouco desse nome como apelido”.

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Começo nos tatames

Caminho de Pedro nas artes marciais não teve início no tapete e sim no tatame. Judoca dos seis aos 14 anos, Pelé chegou a resultados expressivos na categoria de base do esporte. Ele foi vice-campeão brasileiro sub-13 e não queria deixar para trás a modalidade, mas alguns professores notaram características em seu estilo de luta que o credenciavam ao Wrestling.

Na primeira competição, foi superado por um atleta que já integrava a seleção brasileira na categoria, e a derrota foi o principal combustível para que Pedro seguisse na modalidade.

“Eu perdi para ele e pensei: ‘eu só vou parar de treinar quando eu ganhar de você’. Comecei a treinar, ganhei dele na competição seguinte e pensei: ‘caraca, vou ficar no wrestling mesmo’. O wrestling me ganhou e eu continuei”, contou.

O atleta em questão é João Pedro Moura, hoje seu companheiro de clube no Praia Clube, em Minas Gerais.

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Sem a figura do mentor

As conquistas mais importantes de Pedro na temporada não tiveram a figura do mentor. O técnico David Maia, responsável por acompanhar a evolução do atleta desde a base, foi desligado pela Confederação Brasileira de Wrestling (CBW) poucas semanas antes do Mundial Sub-20, competição em que o brasileiro terminou na quinta colocação, e do ciclo de disputas que culminou no bronze nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026. Segundo Pedro, a saída aconteceu em uma decisão de caráter político e deixou o atleta sem treinador.

O vínculo entre treinador e atleta nasceu em um momento de transição. Quando o projeto da seleção Sub-17 chegou ao fim para Pedro por causa da idade, David Maia abriu espaço para que ele continuasse treinando no Rio de Janeiro. O atleta passou a morar com o técnico e seguiu o desenvolvimento que o levou a resultados internacionais, como o título Pan-Americano Sub-20, a medalha no Pan-Americano adulto e o quinto lugar no Mundial Sub-20.

“Ele me acolheu. Eu fui para o Rio de Janeiro, passei um tempo na casa da família dele. Depois ele falou: ‘venha para cá, para minha casa. Você fica aqui, fica treinando’, revelou. “Ele abriu as portas da casa que ele tinha na época lá no Rio. Ele falou: ‘tem quarto, fica aqui’. E eu continuei treinando lá.”

Mas a ausência de treinador não é uma exclusividade das categorias de base. Na seleção adulta, a equipe não conta com um técnico desde o fim das Olimpíadas de Paris, em 2024. Joilson Júnior, que esteve nas Olimpíadas de Paris, por exemplo, passou um período com David e usa instalações do Maria Lenk somadas à autoavaliação para traçar o caminho até Los Angeles.

Ganhando massa

Quando Pedro entrou no projeto da seleção brasileira Sub-17, ainda era um atleta de 48 kg. Poucos anos depois, o paraibano já competia entre os melhores da categoria até 60 kg. O salto de 12 quilos aconteceu justamente no período em que ele deixou de ser uma promessa da base e começou a enfrentar atletas mais experientes no cenário internacional.

“Foi um processo para nós que somos do wrestling, a curto prazo, muito curto prazo. O professor David Maia fez um trabalho muito bom para eu conseguir chegar meedalhando em Pan-Americano adulto nos 60 quilos.”

“Hoje eu tenho 62 quilos. Geralmente tenho que estar pesando 65, mas estou fazendo um trabalho com a Carol, nutricionista, que me acompanhou nessa transição.”

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