Rosário – O wrestling brasileiro nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé fechou sua participação com três medalhas de bronze nas disputas do estilo greco-romano. Entre os que foram ao pódio, o nome que mais chama a atenção é o de Pedro Henrique, o Pelé, que há três meses segue o processo de transição profissional sem um técnico na seleção brasileira.
Mesmo com a saída do mentor Deivid Maia, Pelé conseguiu resultados expressivos sendo, além de medalhista em Rosário, quinto colocado no mundial sub-20 realizado em Bratislava, na Eslováquia. Conheça a trajetória do garoto que carrega apelido de rei e trocou o tatame pelo tapete.
Apelido de craque
Pelé ganhou o apelido ainda criança, quando seus treinadores de judô disseram que o garoto parecia o Rei do Futebol. Pedro então adotou a alcunha e revelou que hoje tem muito mais familiaridade com o nome informal. “Todo mundo me conhece como Pelézinho. Quando alguém fala meu nome completo, às vezes eu até estranho um pouco”, contou. Para ele, a comparação não é uma pressão:
“Eu levo como um elogio. O Pelé foi um dos maiores atletas do Brasil, um dos maiores atletas da história. Então, para mim, é uma honra poder carregar um pouco desse nome como apelido”.
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Começo nos tatames
Caminho de Pedro nas artes marciais não teve início no tapete e sim no tatame. Judoca dos seis aos 14 anos, Pelé chegou a resultados expressivos na categoria de base do esporte. Ele foi vice-campeão brasileiro sub-13 e não queria deixar para trás a modalidade, mas alguns professores notaram características em seu estilo de luta que o credenciavam ao Wrestling.
Na primeira competição, foi superado por um atleta que já integrava a seleção brasileira na categoria, e a derrota foi o principal combustível para que Pedro seguisse na modalidade.
“Eu perdi para ele e pensei: ‘eu só vou parar de treinar quando eu ganhar de você’. Comecei a treinar, ganhei dele na competição seguinte e pensei: ‘caraca, vou ficar no wrestling mesmo’. O wrestling me ganhou e eu continuei”, contou.
O atleta em questão é João Pedro Moura, hoje seu companheiro de clube no Praia Clube, em Minas Gerais.
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Sem a figura do mentor
As conquistas mais importantes de Pedro na temporada não tiveram a figura do mentor. O técnico David Maia, responsável por acompanhar a evolução do atleta desde a base, foi desligado pela Confederação Brasileira de Wrestling (CBW) poucas semanas antes do Mundial Sub-20, competição em que o brasileiro terminou na quinta colocação, e do ciclo de disputas que culminou no bronze nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026. Segundo Pedro, a saída aconteceu em uma decisão de caráter político e deixou o atleta sem treinador.
O vínculo entre treinador e atleta nasceu em um momento de transição. Quando o projeto da seleção Sub-17 chegou ao fim para Pedro por causa da idade, David Maia abriu espaço para que ele continuasse treinando no Rio de Janeiro. O atleta passou a morar com o técnico e seguiu o desenvolvimento que o levou a resultados internacionais, como o título Pan-Americano Sub-20, a medalha no Pan-Americano adulto e o quinto lugar no Mundial Sub-20.
“Ele me acolheu. Eu fui para o Rio de Janeiro, passei um tempo na casa da família dele. Depois ele falou: ‘venha para cá, para minha casa. Você fica aqui, fica treinando’, revelou. “Ele abriu as portas da casa que ele tinha na época lá no Rio. Ele falou: ‘tem quarto, fica aqui’. E eu continuei treinando lá.”
Mas a ausência de treinador não é uma exclusividade das categorias de base. Na seleção adulta, a equipe não conta com um técnico desde o fim das Olimpíadas de Paris, em 2024. Joilson Júnior, que esteve nas Olimpíadas de Paris, por exemplo, passou um período com David e usa instalações do Maria Lenk somadas à autoavaliação para traçar o caminho até Los Angeles.
Ganhando massa
Quando Pedro entrou no projeto da seleção brasileira Sub-17, ainda era um atleta de 48 kg. Poucos anos depois, o paraibano já competia entre os melhores da categoria até 60 kg. O salto de 12 quilos aconteceu justamente no período em que ele deixou de ser uma promessa da base e começou a enfrentar atletas mais experientes no cenário internacional.
“Foi um processo para nós que somos do wrestling, a curto prazo, muito curto prazo. O professor David Maia fez um trabalho muito bom para eu conseguir chegar meedalhando em Pan-Americano adulto nos 60 quilos.”
“Hoje eu tenho 62 quilos. Geralmente tenho que estar pesando 65, mas estou fazendo um trabalho com a Carol, nutricionista, que me acompanhou nessa transição.”



