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Guilherme Caribé sobre 100m livres: “46s a gente deixa para o Mundial”



Guilherme Caribé tem meta ousada na prova dos 100m livres no Mundial. Já na outra especialidade, os 50m livres, a esperança de medalha do Brasil na competição destacou a dificuldade, mas ressaltou: “acreditar no meu potencial”



Guilherme Caribé sobre o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos 2025
Guilherme Caribe tem chances de medalhas em duas provas no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos 2025 (Satiro Sodré/CBDA)

Guilherme Caribé é a principal esperança de medalha do Brasil no Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos 2025. E as maiores chances de pódio estão nas provas dos 50m e 100m livres. O brasileiro começou a bem a competição que acontece em Singapura com melhor tempo da carreira e finalista dos 50m borboleta, terminando em oitavo. Ele chega ao evento mais relevante da temporada com o quarto melhor tempo do ano na prova mais rápida da natação (21s46) e como terceiro mais veloz nos 100m livres (47s10), que será seu primeiro desafio, com eliminatórias começando nesta terça-feira (29), na eliminatória marcada para 23h49 (horário de Brasília). Com 22 anos, o atleta nascido em Salvador, na Bahia, conversou com exclusividade com o Olimpíada Todo Dia (OTD).

Terceiro do mundo nos 100m livres em 2025

No Troféu Maria Lenk de 2025, o Campeonato Brasileiro de Natação, Guilherme Caribé acabou como campeão dos 100m livres com tempo de 47s10, seu melhor tempo na carreira e o terceiro do mundo no ano, atrás apenas do estadunidense Jack Alexy (46s99) e do romeno David Popovici (46s71). A seletiva ao Mundial foi um ponto de virada para ele. “Tinha dois anos que eu não nadava para 47s e nadei no brasileiro. Pela tarde, não deu muito bom, mas sabia que conseguia dar um resultado muito bom. Queria abaixar meu tempo e sabia que conseguiria fazer isso, mas diminuir oito décimos foi bem impressionante”, relatou o atleta.

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“Estava me sentindo bem e confiante em fazer um resultado bem expressivo. Fui com a cabeça de fazer o máximo que eu conseguia e saiu aquele resultado. Queria ter saído com 46s, mas isso a gente deixa para o Mundial”, completou Guilherme Caribé, mostrando confiança para quebrar a barreira dos 47 segundos em Singapura. Atualmente, o dono do recorde mundial dos 100m livres é o chinês Zhanle Pan, com 46s40. Na história, apenas seis homens nadaram abaixo de 47 segundos: Zhanle Pan, David Popovici (46s71), César Cielo (46s91), o francês Alain Bernard (46s94), e os estadunidenses Caeleb Dressel (46s96) e Jack Alexy (46s99).

Quarto mais veloz nos 50m livres no ano

Guilherme Caribé chega ao Mundial como quarto mais veloz em 2025 nos 50m livres, com 21s46. O brasileiro destacou a importância de manter o foco e apostar no próprio desempenho para obter bom resultado. “É realmente acreditar no meu potencial mesmo, fazer a preparação e realmente chegar com a cabeça para nadar a minha prova, fazer o melhor que eu consigo fazer no momento e o resultado será consequência do que eu fizer dentro d’água”, afirmou o nadador. Ele ressaltou ainda a competitividade dos 50m livres: “sempre foi uma prova muito apertada, 10 centésimos decidem se você ganha ou fica em quarto”.

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Sobre sua principal especialidade, os 50m livres, Guilherme Caribé enfatizou a exigência mental da prova mais rápida da natação. “Essa é uma prova que é decidida no detalhe. Você tem que estar no dia pronto para nadar e realmente sair a melhor prova possível. Alguns dias você não vai estar se sentindo muito bem, mas você tem que mudar a cabeça para nadar e fazer a prova perfeita praticamente”, disse o brasileiro. As experiências acumuladas em mundiais e Olimpíadas o ajudaram a refinar aspectos técnicos: “conseguimos encaixar isso da melhor forma possível para no Maria Lenk sair um resultado bom”, acrescentou o atleta.

Guilherme Caribe é a maior esperança de medalha para o Brasil no Mundial (Satiro Sodré/CBDA)
Guilherme Caribe é a maior esperança de medalha para o Brasil no Mundial (Satiro Sodré/CBDA)

Representatividade e inspiração

Ainda durante a entrevista ao OTD, Guilherme Caribé comentou sobre o convite para ser embaixador dos Jogos Pan-Americanos Júnior de 2025, no Paraguai. “Muito grato e feliz por ter esse reconhecimento de poder representar o Brasil, representar os Jogos, inspirar várias crianças, diversos jovens que estão ingressando no esporte. Então, acredito que vai ser bem divertido e legal esse meu primeiro Jogos Pan-Americanos Júnior”, destacou o nadador, que também valorizou o papel de exemplo para novos talentos.

“Tenho só 22 anos, então ainda vou aprender muito na carreira e aprendo em toda competição. Escuto bastante os atletas mais velhos, como Léo de Deus, Marcelo Chierighini e vários outros que realmente me ensinam muitas coisas. Mas, para a garotada mais nova que sonha em nadar na elite da natação, acredito que possa inspirar e dar conselhos. Consegui almejar isso na minha carreira, indo para Jogos Olímpicos e medalhando em campeonatos mundiais. Então acredito que tenha certa bagagem para isso”, destacou Guilherme Caribé.

A nova geração da natação brasileira

O velocista Guilherme Caribé destacou que a nova geração já é uma realidade na natação nacional. “A gente teve Mafê (Maria Fernanda Costa) sendo finalista olímpica, a Stephanie (Balduccini) já participou de dois Jogos Olímpicos, já tem bastante experiência e estava nos revezamentos comigo no Pan-Americano ganhando medalha de ouro. É uma seleção muito nova, mas com nomes grandes. Acredito que a gente tenha um bom futuro pela frente”, avaliou o nadador natural de Salvador.

Segundo ele, a formação internacional também tem sido importante. “A Stephanie está nos Estados Unidos, a Mafê está na Austrália, eu estou nos Estados Unidos também, então é um aprendizado muito grande que a gente está tendo competição por competição. Eu tenho certeza, falando por elas também, que a gente fica feliz em poder levar o nome do Brasil para essas competições e poder representar na melhor forma”, complementou Guilherme Caribé sobre a natação brasileira.

Paris, reflexões e recomeço

Sobre sua estreia olímpica em Paris-2024, Guilherme Caribé foi direto ao analisar seu desempenho. “Não vou mentir, eu esperava muito mais da minha performance. Não foi muito bem o que a gente tinha planejado, com metas maiores e provas melhores para ter nadado, mas acredito que, vendo por um geral, eu estava feliz em estar participando dos Jogos Olímpicos”. Ele reconhece que os resultados ficaram abaixo das expectativas. “Sim, queria ter pegado final e ter disputado por medalha, mas acabou não acontecendo”, afirmou o brasileiro.

Para ele, o mais importante foi o aprendizado: “a gente aprende com os erros que cometeu e continua a vida. É próxima página, bola para frente, não tem como ficar massacrando aquilo na minha cabeça. Os tempos que queria ter feito, acabei não fazendo, então acredito que tentei levar de uma maneira leve, mas, no final de tudo,não posso dizer que fiquei satisfeito com o resultado, mas foi uma experiência incrível na minha vida, aprendi bastante. Voltando para casa, foi todo aquele momento de reflexão”, ressaltou Guilherme Caribé.

Segundo Guilherme Caribé, essa postura foi fundamental para o bom desempenho posterior. “A gente conseguiu fazer isso em Budapeste, com duas medalhas de prata”, contou. A campanha com as pratas nos 50m e 100m livres no Mundial de piscina curta deu nova confiança e confirmou sua capacidade de competir entre os melhores do mundo. “Estar no meio desses caras… e se destacar entre eles, me mostrou que eu era capaz de brigar por essa medalha”, concluiu o brasileiro.

Guilherme Caribe busca pódio nos 50m e 100m livres no Mundial (Satiro Sodré/CBDA)
Guilherme Caribe busca pódio nos 50m e 100m livres no Mundial (Satiro Sodré/CBDA)

*Entrevista realizada pelo repórter Gabriel Turolla

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