Siga o OTD

Milão Cortina-2026

 

Nicole Silveira aposta na experiência e descarta pressão por medalha



Nicole Silveira chega à segunda Olimpíada mais experiente, confiante e sem pressão por medalha no skeleton feminino em Milão-Cortina 2026



Uma das principais esperanças de medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, Nicole Silveira chega à segunda Olimpíada da carreira em um momento de maturidade esportiva e pessoal. A atleta confessa que não viveu a melhor temporada possível antes de chegar à Itália, mas está otimista com a evolução mostrada nas últimas competições. Sobre as chances de ir ao pódio, a gaúcha de Rio Grande prefere tirar a pressão por resultado.

“Para mim, eu quero realmente só chegar no dia da competição e ter quatro descidas que eu goste. Cada dia a gente vai melhorando, aprendendo a pista um pouco mais.” O plano é simples, ainda que a execução seja complexa: “O objetivo vai ser ter quatro largadas fortes e quatro descidas boas. O resultado vai ser o que vai ser.”

Além disso, a pista de Milão-Cortina ainda é um desafio para todas as atletas, algo que a brasileira reconhece. “É uma pista que eu não conheço muito, que ninguém conhece muito, e tem que aprender rápido. Então vai ser importante.”

Temporada irregular

Apesar de um início irregular na temporada atual, Nicole chegou a Milão-Cortina novamente entre as dez melhores do ranking mundial, algo que, para ela, é fruto direto da persistência em um esporte extremamente dependente de vivência e tempo de pista.

“Essa temporada foi de altos e baixos para mim. Vim da temporada passada onde tive vários resultados ótimos. Comecei não muito bem, não muito feliz com os meus resultados, mas a gente foi melhorando”, explicou a atleta.

Ambiente olímpico

Aos 30 anos, Nicole sabe que a Olimpíada é um ambiente diferente de qualquer outro. Ainda assim, ela vê o simples fato de o Brasil chegar como candidato a grandes resultados como um fator de motivação.

“Jogos Olímpicos é sempre outro jogo. A gente, como uma nação pequena no esporte, está sempre competindo contra nações maiores, que investem milhões de euros. Então fica um pouco mais difícil quando chega nas Olimpíadas. Mas só o fato de já ter esse potencial é algo motivacional.”

Para a brasileira, a Olimpíada também funciona como uma confirmação de que o caminho trilhado até aqui fez sentido. “É uma forma de mostrar que todo o sacrifício que eu tenho feito até chegar hoje realmente valeu o esforço.”

A força da experiência no skeleton

Nicole faz questão de destacar que o skeleton é uma modalidade em que o tempo de estrada faz enorme diferença — algo que, neste ciclo, joga a seu favor. “O skeleton é muito de experiência mesmo. A gente só consegue descer no gelo durante a temporada, entre o final de outubro e o final de fevereiro. Fora isso, não tem como treinar.”

Por isso, cada ano adicional no circuito representa um ganho importante. “Quanto mais anos de experiência, melhor. Agora eu vim com mais quatro anos dessa experiência.”

Além da pista, existe também o lado externo da Olimpíada. “Mais Copas do Mundo, convivendo com o pessoal, as câmeras, toda a atenção. Acho que eu vim com mais experiência dessa forma e mais confiante em mim mesma.”

Essa confiança faz com que Nicole enxergue Milão-Cortina de forma diferente da Olimpíada anterior. “Eu estou levando essa Olimpíada como um bônus. Sei o que eu já fiz, então agora é isso. Só tenho que agradecer.”

Torcida, visibilidade e legado

A presença do público brasileiro e o crescimento da visibilidade do skeleton têm sido marcantes nesta edição dos Jogos, algo que Nicole faz questão de ressaltar. “A torcida tem sido incrível. Em 2022 já teve um crescimento de conhecimento do skeleton, mas essas Olimpíadas têm sido outro nível.”

Para ela, o momento vai além do resultado imediato. “É só agradecimento mesmo. E dizer que espero que quem tenha interesse chame a gente, para conseguir montar um futuro, um legado.”

Nicole olha especialmente para os próximos ciclos. “Em 2028 já vêm os Jogos da Juventude, com atletas de 15 a 17 anos. A gente vai estar procurando pessoal para competir lá.”

E reforça o impacto da Olimpíada no desenvolvimento da modalidade no Brasil: “Essa divulgação toda, a torcida, é boa para o futuro do esporte no Brasil.”

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

Mais em Milão Cortina-2026